Do solo ao saibro: o processo de montagem das quadras do Rio Open
Bastidores revelam a engenharia, os testes e os desafios climáticos

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"Tem muita gente que acha que é só montar a quadra, dar a bolinha e pronto, é jogo", disse Tomaz Costa, um dos principais responsáveis pela parte esportiva do Rio Open. O processo de montagem, porém, é extenso e resultado de anos de aprendizado e aprimoramentos. A organização do torneio chega ao Jockey Club Brasileiro cerca de duas semanas antes do início da competição, mas a preparação começa muito antes.
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As adversidades climáticas estão marcadas na história do torneio, com registros de chuvas intensas e calor extremo. Essa variação de temperaturas afeta diretamente a qualidade e a manutenção das tradicionais quadras de saibro do maior evento de tênis da América Latina. Como as quadras já pertencem ao clube, o uso diário pelos sócios também exige atenção redobrada.
— A gente faz uma reforma completa nessas quadras todos os anos, tanto nas de jogo quanto nas de treino. Basicamente, a gente remove boa parte do material, zera quase até a estrutura que fica por baixo do saibro. Isso garante que a drenagem esteja no melhor estado possível quando o torneio começa. Hoje, por exemplo, está chovendo bastante, e a gente precisa estar preparado para essas chuvas que sabemos que acontecem em fevereiro — disse Tomaz, em entrevista ao Lance!.
O processo começa oficialmente em dezembro, de modo que apenas uma quadra seja interditada por vez, evitando prejuízo aos sócios. Ainda assim, Costa reforça que o tempo médio de ajuste de cada espaço é de cerca de duas semanas, período necessário para que o solo se estabilize.
Novo clima, novo material
Assim como o Rio Open, o tradicional Grand Slam Roland Garros também é disputado em quadras de saibro. Mas o material é o mesmo? A resposta é não. Por causa da umidade no Brasil, potencialmente maior que na Europa, a composição da terra precisa ser diferente.
— Lá na Europa o material é um pouco mais fino. A Argentina também usa um pó parecido, mas, para a nossa realidade aqui na América, a umidade influencia muito. No Brasil, o saibro é um pouquinho mais grosso. Também tem a questão da drenagem, porque na Europa a chuva não tem o mesmo volume nem a mesma rapidez que a gente tem aqui. Então o material reage de forma diferente de acordo com o clima local — explicou Tomaz.
Proximidade com a lagoa exigiu soluções específicas
A proximidade com a Lagoa Rodrigo de Freitas obrigou o torneio a desenvolver, ao longo dos anos, soluções próprias para lidar com o escoamento da água em dias de chuva intensa. Segundo o profissional, o evento passou por um processo contínuo de testes até alcançar o atual sistema de drenagem, hoje considerado um dos pontos fortes da estrutura.
— Foi um processo de descoberta ao longo dos anos, sempre buscando soluções. Hoje a gente está muito bem preparado. Temos segurança para dizer que a nossa quadra central não perde para nenhuma outra do mundo em termos de drenagem. Temos esse respaldo também da ATP, com feedback de que as quadras respondem muito bem à chuva. Em cerca de 30 a 40 minutos, conseguimos retomar os jogos.
Entre as medidas adotadas está a instalação de bombas para controlar o volume de água em situações extremas, com planos de contingência definidos conforme o nível de chuva e a capacidade de drenagem do clube.
— A gente nunca falou isso, mas a gente tem três bombas ali na quadra central, justamente pra essas situações. Por isso, se tiver que escoar pra um outro lugar, pra uma outra canaleta de água do clube, a gente já tem mapeado quais são os planos A, B e C. Se chove muito, se chove pouco, se choveu pra caramba na última semana. Por exemplo, agora nessa semana, a gente já tá controlando como estão esses termos do clube pra entender como é que tá essa capacidade — concluiu.
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