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Mãe de Paulinho, do Palmeiras, denuncia ataques ao jogador e à família e relata intolerância religiosa

Ana Christina critica comentários que envolvem a fé e a política e questiona a influência de lideranças na normalização de comportamentos preconceituosos

PorRafaela Cardoso•São Paulo (SP)
23/10/2026 20:51
Paulinho, atacante do Palmeiras
Paulinho faz sua comemoração tradicional ao marcar gol pelo Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

A mãe de Paulinho, atacante do Palmeiras, usou as redes sociais para denunciar ataques direcionados ao jogador e à família. Em vídeo publicado nesta sexta-feira (23), Ana Christina relatou comentários relacionados à fé dos familiares e a posicionamentos políticos, além de criticar mensagens que ultrapassam os limites da divergência e chegam a comemorar o sofrimento de outras pessoas, como as lesões do jogador.

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A manifestação acontece após Paulinho sofrer um novo problema físico na partida contra o Fluminense, pela semifinal da Libertadores, na última quarta-feira (21). O atacante sofreu um trauma na panturrilha direita após sofrer uma entrada forte de Nonato e já iniciou tratamento.

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— Nos últimos dias, eu li comentários que me fizeram pensar muito sobre o tipo de sociedade que estamos construindo. Comentários sobre meu filho, sobre a nossa família, sobre a nossa fé. Alguns relacionados ao futebol, outros da política e muitos que ultrapassam qualquer limite de uma crítica — afirmou.

A mãe do jogador ressaltou que reconhece o direito à discordância, mas destacou que manifestações de opinião não devem servir de justificativa para preconceito ou ataques pessoais.

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— Eu sei que as pessoas têm o direito de discordar, de criticar um jogador, um político, uma ideia. Isso faz parte de uma sociedade democrática em que eu tanto acredito. Mas, quando a crítica se transforma em intolerância religiosa, racismo, ofensa pessoal, comemoração pelo sofrimento de alguém, precisamos olhar para além daquele comentário — declarou.

Na sequência, Ana Christina ampliou a reflexão para o papel de pessoas influentes na sociedade. Sem citar nomes, ela questionou como discursos e comportamentos de lideranças podem influenciar a maneira como seus seguidores tratam quem pensa diferente.

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— Uma pessoa que ocupa um lugar de influência não transmite apenas propostas e opiniões. Ela também comunica valores. A maneira como ela fala das mulheres, das pessoas negras, das religiões, dos seus adversários e de quem pensa diferente pode influenciar aquilo que seus seguidores passam a considerar aceitável — disse.

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A mãe do atacante também criticou a normalização de atitudes preconceituosas e de comentários que tratam uma lesão como motivo de comemoração.

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— Quando uma liderança ridiculariza alguém, trata o preconceito como brincadeira ou transforma quem discorda em inimigo, existe o risco de que esse comportamento seja reproduzido por outras pessoas — afirmou.

Em outro trecho, Ana Christina questionou o uso da religião como ofensa e a reação de pessoas diante do sofrimento de um atleta.

— Quando eu vejo uma pessoa usando a religião de outra como ofensa ou tratando uma lesão como motivo de comemoração, eu me pergunto: em que momento isso se tornou aceitável na nossa sociedade? E mais: o que acontece com uma sociedade quando o respeito passa a ser reservado apenas àqueles que pensam como nós? — declarou.

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Ao concluir a manifestação, Ana Christina se apresentou como mãe, mulher negra e alguém que tem sua própria fé, convicções e história. Ela ressaltou que o preconceito é anterior às redes sociais, mas alertou para o papel que pessoas influentes podem desempenhar na legitimação de comportamentos discriminatórios.

— Eu sou mãe, sou uma mulher negra, tenho minha fé, minhas convicções e minha história. E sei que o preconceito não começou ontem, nem nasceu nas redes sociais, mas também sei que aquilo que uma sociedade tolera pode ganhar força quando encontra pessoas influentes dispostas a legitimá-lo — afirmou.

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Paulinho é adepto do Candomblé e já falou publicamente sobre a importância de combater a intolerância religiosa. Em julho, o Lance! publicou uma reportagem sobre a relação do atacante com a fé e o significado de sua comemoração em homenagem a Oxóssi, orixá associado à caça.

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