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Entre medalhas e orçamento, o desafio do esporte brasileiro

Brasil vence nas competições, mas ainda perde no planejamento esportivo

Marcus Deois
Rio de Janeiro (RJ)
Gabrielle de Castro
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 26/01/2026
07:00
Atualizado há 3 minutos
O Executivo deve pagar 65% do total das emendas de execução obrigatória até o fim do primeiro semestre Foto Leonardo Sá Agência Senado
imagem cameraPrevisão de recursos é de R$ 2,4 bilhões para o Esporte em 2026 (Foto: Leonardo Sá / Agência Senado)

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Em 2025, o esporte brasileiro voltou a ocupar o pódio em diferentes arenas internacionais. Das manobras de Rayssa Leal à medalha inédita de Hugo Calderano no Mundial de Tênis de Mesa, passando pelas conquistas da ginástica rítmica e do vôlei feminino, o país celebrou resultados expressivos.

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Mas, enquanto atletas sobem ao pódio, o esporte segue fora do centro das prioridades do Estado brasileiro. O contraste entre desempenho esportivo e fragilidade orçamentária expõe uma contradição estrutural: o Brasil produz resultados, mas ainda trata o esporte como política acessória e não como instrumento permanente de desenvolvimento social.

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Crescimento do Bolsa Atleta e consolidação da Lei de Incentivo ao Esporte

Em 2025, ano em que completou duas décadas de existência, o Bolsa Atleta alcançou o maior número de beneficiários de sua história: 9.207 atletas, distribuídos entre as categorias olímpica, paralímpica, internacional, nacional, de base e estudantil, com crescimento de 5,36% em relação a 2024, segundo dados oficiais do Ministério do Esporte. O programa segue sendo um dos principais instrumentos de permanência de atletas no sistema esportivo, especialmente aqueles oriundos de contextos de vulnerabilidade social.

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Outro marco relevante foi a consolidação da Lei de Incentivo ao Esporte. Aprovada pelo Congresso em julho e sancionada sem vetos em novembro, a Lei Complementar 222/2025 tornou permanente um dos principais instrumentos de financiamento do esporte no país. Ao deixar de depender de renovações periódicas e da vinculação à Lei de Diretrizes Orçamentárias, a política passou a oferecer maior segurança jurídica e previsibilidade para investidores e entidades esportivas. Em 2024, a LIE já havia registrado captação recorde de R$ 1,06 bilhão e a apresentação de mais de 6.600 projetos, sinalizando o potencial de expansão da política em um ambiente regulatório mais estável.

Reunião da Comissão Mista de Orçamento foto Bruno Spada Câmara dos Deputados
Reunião da Comissão Mista de Orçamento (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

Falta de visão para o social

Porém, nem só de pódios se vive o esporte. Os avanços esportivos contrastam com a posição fora dos holofotes que o setor ocupa no orçamento público federal. Ao comparar os investimentos do governo no Ministério do Esporte a outras pastas, como o Ministério do Turismo, por exemplo, fica claro que o Estado - independente de quem o governa - ainda não vê o Esporte como uma ferramenta primordial para a transformação social.

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Na Lei Orçamentária de 2025, o governo destinou inicialmente apenas R$ 863,8 milhões ao Ministério do Esporte. O valor só alcançou R$ 1,6 bilhão após a atuação do relator setorial, deputado Paulão (PT/AL). O episódio evidencia a crescente centralidade do Congresso na alocação de recursos, ao mesmo tempo em que expõe a fragilidade da priorização do esporte no planejamento do Executivo.

Roteiro repetido no Esporte em 2026

Em 2026, o roteiro se repete. Embora os números indiquem crescimento nominal dos recursos destinados ao esporte - previsão de R$ 2,4 bilhões para o ano -, a forma como esses valores são viabilizados revela uma fragilidade política persistente. A dependência crescente de emendas parlamentares, especialmente em anos eleitorais, transfere o eixo do planejamento esportivo do Poder Executivo para negociações conjunturais no Congresso Nacional, sujeitas a ciclos políticos e interesses locais e sazonais. Na prática, isso dificulta a construção de políticas esportivas de longo prazo, compromete a previsibilidade necessária para o alto rendimento e fragiliza a preparação para grandes eventos internacionais. O contraste entre resultados esportivos expressivos e a ausência de uma estratégia estatal contínua evidencia que nosso esporte ainda opera mais como variável de ocasião e cenário político do que como política pública estruturante.

O aumento no número de atletas atendidos por programas e leis de incentivo é um avanço relevante, mas insuficiente sem previsibilidade orçamentária e continuidade institucional. A proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027 e o início do ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028 exigem planejamento antecipado, infraestrutura adequada e políticas que ultrapassem o improviso. Sem isso, o país corre o risco de seguir celebrando pódios enquanto constrói seus grandes eventos esportivos com soluções emergenciais e não com uma estratégia de Estado à altura do seu potencial esportivo.

¹ Marcus Deois é publicitário, especialista em relações institucionais e governamentais, marketing e comunicação institucional. É sócio-diretor da ÉTICA Inteligência Política e atua no mercado político há mais de 15 anos.

² Gabrielle de Castro é jornalista, com experiência em comunicação no setor de relações institucionais e governamentais. Atualmente, é assessora de comunicação na ÉTICA Inteligência Política.

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Os autores apresentam e defendem suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!.

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