Entre medalhas e orçamento, o desafio do esporte brasileiro
Brasil vence nas competições, mas ainda perde no planejamento esportivo

Carregando conteúdo exclusivo...
Em 2025, o esporte brasileiro voltou a ocupar o pódio em diferentes arenas internacionais. Das manobras de Rayssa Leal à medalha inédita de Hugo Calderano no Mundial de Tênis de Mesa, passando pelas conquistas da ginástica rítmica e do vôlei feminino, o país celebrou resultados expressivos.
Mas, enquanto atletas sobem ao pódio, o esporte segue fora do centro das prioridades do Estado brasileiro. O contraste entre desempenho esportivo e fragilidade orçamentária expõe uma contradição estrutural: o Brasil produz resultados, mas ainda trata o esporte como política acessória e não como instrumento permanente de desenvolvimento social.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
Crescimento do Bolsa Atleta e consolidação da Lei de Incentivo ao Esporte
Em 2025, ano em que completou duas décadas de existência, o Bolsa Atleta alcançou o maior número de beneficiários de sua história: 9.207 atletas, distribuídos entre as categorias olímpica, paralímpica, internacional, nacional, de base e estudantil, com crescimento de 5,36% em relação a 2024, segundo dados oficiais do Ministério do Esporte. O programa segue sendo um dos principais instrumentos de permanência de atletas no sistema esportivo, especialmente aqueles oriundos de contextos de vulnerabilidade social.
Outro marco relevante foi a consolidação da Lei de Incentivo ao Esporte. Aprovada pelo Congresso em julho e sancionada sem vetos em novembro, a Lei Complementar 222/2025 tornou permanente um dos principais instrumentos de financiamento do esporte no país. Ao deixar de depender de renovações periódicas e da vinculação à Lei de Diretrizes Orçamentárias, a política passou a oferecer maior segurança jurídica e previsibilidade para investidores e entidades esportivas. Em 2024, a LIE já havia registrado captação recorde de R$ 1,06 bilhão e a apresentação de mais de 6.600 projetos, sinalizando o potencial de expansão da política em um ambiente regulatório mais estável.

Falta de visão para o social
Porém, nem só de pódios se vive o esporte. Os avanços esportivos contrastam com a posição fora dos holofotes que o setor ocupa no orçamento público federal. Ao comparar os investimentos do governo no Ministério do Esporte a outras pastas, como o Ministério do Turismo, por exemplo, fica claro que o Estado - independente de quem o governa - ainda não vê o Esporte como uma ferramenta primordial para a transformação social.
Na Lei Orçamentária de 2025, o governo destinou inicialmente apenas R$ 863,8 milhões ao Ministério do Esporte. O valor só alcançou R$ 1,6 bilhão após a atuação do relator setorial, deputado Paulão (PT/AL). O episódio evidencia a crescente centralidade do Congresso na alocação de recursos, ao mesmo tempo em que expõe a fragilidade da priorização do esporte no planejamento do Executivo.
Roteiro repetido no Esporte em 2026
Em 2026, o roteiro se repete. Embora os números indiquem crescimento nominal dos recursos destinados ao esporte - previsão de R$ 2,4 bilhões para o ano -, a forma como esses valores são viabilizados revela uma fragilidade política persistente. A dependência crescente de emendas parlamentares, especialmente em anos eleitorais, transfere o eixo do planejamento esportivo do Poder Executivo para negociações conjunturais no Congresso Nacional, sujeitas a ciclos políticos e interesses locais e sazonais. Na prática, isso dificulta a construção de políticas esportivas de longo prazo, compromete a previsibilidade necessária para o alto rendimento e fragiliza a preparação para grandes eventos internacionais. O contraste entre resultados esportivos expressivos e a ausência de uma estratégia estatal contínua evidencia que nosso esporte ainda opera mais como variável de ocasião e cenário político do que como política pública estruturante.
O aumento no número de atletas atendidos por programas e leis de incentivo é um avanço relevante, mas insuficiente sem previsibilidade orçamentária e continuidade institucional. A proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027 e o início do ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028 exigem planejamento antecipado, infraestrutura adequada e políticas que ultrapassem o improviso. Sem isso, o país corre o risco de seguir celebrando pódios enquanto constrói seus grandes eventos esportivos com soluções emergenciais e não com uma estratégia de Estado à altura do seu potencial esportivo.
¹ Marcus Deois é publicitário, especialista em relações institucionais e governamentais, marketing e comunicação institucional. É sócio-diretor da ÉTICA Inteligência Política e atua no mercado político há mais de 15 anos.
² Gabrielle de Castro é jornalista, com experiência em comunicação no setor de relações institucionais e governamentais. Atualmente, é assessora de comunicação na ÉTICA Inteligência Política.
Política e Esporte: Leia outras publicações
➡️SAF: A saída para a falta de recursos no futebol
➡️As cadeiras vazias no futebol: a violência que sabota a nossa paixão
➡️Esporte no xadrez político: orçamento, liderança e futuro da pasta
➡️A política em campo e o esporte no banco
Os autores apresentam e defendem suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!.
Tudo sobre

Botafogo
Botafogo Basquete reformula elenco e dá salto de investimento
Há 19 minutos
Fórmula 1
Binotto compara Bortoleto a Michael Schumacher na Fórmula 1
Há 54 minutos
Lutas
Dana White comenta ausência de Poatan em disputa por cinturão do UFC
Há 1 hora
Fórmula 1
Semana de corrida! GP do Azerbaijão não terá tradicional domingo de F1
Há 2 horas
Tênis
João Fonseca anuncia pausa na temporada e desabafa: 'Não deixa de ser frustrante'
Há 4 horas
Futebol Americano
NFL Week: Aeva Manaus abre semana com bicampeonato no Rio
Há 4 horasMais LANCE!

UFC anuncia disputa de Amanda Nunes e Kayla Harrison por cinturão

Quem é o número 1 do ranking do UFC? Veja o Top 10 atualizado

Ainda fora do circuito ATP, João Fonseca sobe no ranking de tênis

Argentino critica Darlan após briga no Sul-Americano: 'Não achei bom'

Pureza condena ataques homofóbicos à Seleção e cita apoio de Bernardinho

Lucarelli vê provocação argentina como estímulo para Darlan: 'Jogou ainda melhor'

Darlan exalta resposta do Brasil após fase ruim: 'Poucas pessoas acreditavam'

Flávia Saraiva lidera dobradinha com Rebeca Andrade na trave

Cachopa sangra por Olimpíada e admite 'migué' para esfriar a Argentina

Lucarelli mira despedida em Los Angeles: 'Última Olimpíada'

Com Lucarelli MVP, Brasil domina seleção do Sul-Americano de vôlei

Briga marca fim de Brasil x Argentina no Sul-Americano de vôlei

Vôlei: Brasil bate Argentina e garante vaga nas Olimpíadas de Los Angeles



