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Do recorde à medalha: como Milão-Cortina muda status do Brasil no inverno

Delegação histórica, novos patrocinadores e pódio inédito indicam nova fase do país

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Beatriz Pinheiro
São Paulo (SP)
Dia 23/02/2026
12:21
Da esquerda para a direita, Marco Odermatt (prata), Lucas Pinheiro Braathen (ouro) e Loic Meillard (bronze) celebram no pódio do slalom gigante masculino em 2026. (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)
imagem cameraDa esquerda para a direita, Marco Odermatt (prata), Lucas Pinheiro Braathen (ouro) e Loic Meillard (bronze) celebram no pódio do slalom gigante masculino em 2026. (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

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A participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina marcou um ponto de virada para o país. Com a maior delegação da história, a medalha inédita de Lucas Pinheiro, aumento da presença de brasileiros no top-20 e parceria com grandes marcas, o ciclo aponta uma mudança de patamar no cenário internacional, deixando para trás o papel de mero coadjuvante.

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É claro que o grande destaque ficou por conta de Lucas Pinheiro Braathen, que se tornou campeão olímpico no esqui alpino pela primeira vez, justamente quando representava as cores do Brasil. Com a medalha de ouro no slalom gigante, ele se tornou não apenas o primeiro brasileiro, mas o primeiro atleta sul-americano a subir ao lugar mais alto do pódio.

A conquista do ouro, a primeira medalha da história do Brasil em Olimpíadas de Inverno em 10 participações, colocou o país na 19ª colocação do quadro de medalhas geral, à frente de nações tradicionais como Polônia e Finlândia — mais um tabu quebrado.

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Além da medalha de ouro, Lucas Pinheiro também teve um papel importante ao aproximar a Moncler, uma das principais grifes do mundo, do Brasil. A marca ítalo-francesa, que tem o esquiador como um dos embaixadores, vestiu a delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno, apostando na parceria com um país que ainda constrói sua história.

A estratégia, que deve ser importante para o Brasil nos próximos ciclos, mostra como o país passou a ser visto por grandes patrocinadores como um potencial no cenário do inverno. A parceria teve tanto destaque que os uniformes utilizados pela delegação integrarão o acervo do Museu Olímpico do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Lausanne.

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2026.02.06 - Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 - San Siro - Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão Cortina 2026. Foto: Gabriel Heusi/COB
Uniforme do Brasil em parceria com a Moncler chamou atenção em Milão-Cortina (Foto: Gabriel Heusi/COB)

Recorde de delegação e presença no top-20

Desde o anúncio da convocação de 14 atletas mais um reserva para os Jogos, a participação brasileira já ficou na história. Até então, o recorde havia sido em Sochi 2014, com 13 atletas. Os resultados acompanharam o aumento de delegação: o Brasil esteve presente no top-20 de cinco provas em quatro modalidades diferentes. Nos Jogos de 2022, o país conseguiu apenas dois resultados dentro desta faixa.

Uma delas foi o bobsled, modalidade que o país mais disputou em Olimpíadas de Inverno, presente desde os Jogos de Albertville 1992. Desta vez, o Brasil conseguiu a classificação para sua segunda final olímpica do 4-man e superou seu desempenho em Pequim 2022, garantindo o 19º lugar, o melhor da história do país.

No gelo, o Brasil também figurou entre os melhores do mundo com a gaúcha Nicole Silveira, do skeleton. Ela terminou a competição em Cortina D'Ampezzo com a 11ª colocação, seu melhor resultado olímpico. Na neve, Patrick Burgener, 14º no snowboard halfpipe, e Augustinho Teixeira, 19º, também consolidaram a presença do país no top-20.

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Brasil conseguiu seu melhor resultado da história no 4-man
Brasil conseguiu seu melhor resultado da história no 4-man (Foto: Gabriel Heusi/COB)

Caminho para o futuro

Um dos principais pontos para se manter em ascensão nos esportes de inverno é a renovação de atletas — e o Brasil parece estar construindo seu caminho. Atletas mais experientes da delegação de Milão-Cortina externaram seu desejo de continuar contribuindo com o desenvolvimento de suas modalidades mesmo fora das pistas.

É o caso do piloto de bobsled Edson Bindilatti que, aos 46 anos, se aposentará oficialmente após seis participações olímpicas, mas já iniciou a "passagem de bastão" para a próxima geração. Ao longo do ciclo, ele atuou como mentor para o piloto Gustavo Ferreira, de 23 anos, que deve liderar a equipe nos Alpes Franceses, em 2030.

Aos 31 anos, Nicole Silveira não sabe se disputará a próxima edição das Olimpíadas de Inverno, mas quer identificar jovens de 15 a 17 anos para impulsionar o crescimento do skeleton no país e ampliar a presença brasileira no gelo. Os Jogos Olímpicos da Juventude 2028 serão um marco importante nesse processo.

Além disso, o Brasil contou, em Milão-Cortina, com nomes jovens que ainda terão boas condições de competir em 2030. Atualmente com 25 anos, Lucas Pinheiro deve chegar em alto nível na próxima edição. Manex Silva, 23, e Duda Ribera, 21, do esqui cross-country, são apostas para o próximo ciclo. Augustinho Teixeira, aos 20 anos, também é um nome em potencial para a disputa nos Alpes Franceses.

O Brasil ainda tem atletas jovens que participaram da corrida olímpica para Milão-Cortina e que podem surgir como destaque no próximo ciclo. Os nomes de Gaia Brunello, do biatlo, Lucas Koo, da patinação de velocidade, Zion Bethonico, do snowbaord cross, Eduardo Strapasson, do skeleton, e Priscila Cid, do snowboard halfpipe, serão observados com atenção nos próximos quatro anos.

Manex Silva é um dos nomes de potencial da nova geração
Manex Silva é um dos nomes de potencial da nova geração (Foto: Gabriel Heusi/COB)

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