NFL com Lacalle: possível prisão de Antonio Brown é uma redenção para o esporte
Antonio Brown pode ser preso ao voltar aos Estados Unidos em outro caso do ex-NFL

É difícil falar de Antonio Brown sem pensar no talento que ele já representou para a NFL. Foram anos de domínio, de rotas perfeitas, recepções incríveis e números que o colocavam no panteão dos grandes Wide Receivers da história recente do futebol americano. Mas, infelizmente, há tempos que essa não é mais a narrativa principal quando seu nome aparece nos noticiários. Principalmente na última semana, quando a polícia de Miami passou a considerar Brown como "procurado".
Hoje, Antonio Brown é mais conhecido pelas polêmicas do que pelas jogadas. As manchetes deixaram de falar de touchdowns para tratar de acusações graves. A mais recente - uma acusação de tentativa de homicídio com arma de fogo - é apenas mais um capítulo em uma espiral pública que parece não ter fim.
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Colapso completo
E o mais frustrante é que não estamos falando apenas de um declínio esportivo. Isso é normal para um jogador na NFL. Envelhecer, perder velocidade, errar rotas, sair do elenco principal, tudo isso faz parte da carreira de um atleta de alto nível, por maior que ele seja (com exceção do GOAT, Tom Brady). O que vemos com Antonio Brown é diferente: é o colapso completo de alguém que não conseguiu lidar com o próprio sucesso, com a fama, com a pressão e, talvez, com os próprios demônios.
As bandeiras vermelhas estavam todas lá. Desde saídas conturbadas de franquias como Steelers, Raiders, Patriots e Buccaneers, até os episódios bizarros fora de campo, como a vez em que saiu sem uniforme no meio de um jogo ou os vídeos e postagens nas redes sociais completamente fora de tom. Isso sem falar nas acusações de assédio sexual feito pela ex-treinadora do ex-recebedor da NFL. Foi uma sequência tão absurda que, por momentos, quando falamos de Antonio Brown, parece que estamos falando de um personagem fictício.
Mas não é ficção. É um homem real, com ações problemáticas reais - e, agora, com consequências reais.
O jogo não para
A NFL, claro, seguiu em frente. O jogo não para para esperar ninguém. Os passes continuam sendo lançados, os jovens talentos surgem a cada draft. O nome de Antonio Brown vai aos poucos sendo apagado da memória esportiva e fixado na memória criminal. E talvez seja isso um dos grandes motivos dele continuar buscando sempre aparecer - claro, da pior forma possível.
Não há mais espaço para ele em um campo da NFL, e talvez nem deveria haver. Recentemente, rumores surgiram dele voltar a integrar o Pittsburgh Steelers (de novo), com Aaron Rodgers de Quarterback. O que eu, particularmente, não acredito que aconteça. Até porque a polícia da Florida aguarda que ele retorne de viagem do Oriente Médio para mantê-lo sob custódia. E o esporte não pode ser conivente com comportamentos que colocam vidas em risco. O talento, por maior que seja, não pode servir de escudo para a violência.
Onde falhamos?
Mas também é preciso refletir: onde falhamos com Antonio Brown? Será que a liga e a sociedade esportiva como um todo ignorou sinais que já estavam ali há muito tempo? Faltou suporte psicológico? Faltou coragem para barrar comportamentos nocivos antes que eles se tornassem irreversíveis? O problema é que, em muitos casos no esporte, foi possível observarmos jogadores cometendo erros grosseiros fora de campo e não sendo devidamente punidos. E isso no futebol, no futebol americano, no basquete, e em muitas outras modalidades.
A verdade é que Antonio Brown virou um exemplo do que o sucesso sem limites e sem freios pode causar. Um retrato triste de como o estrelato, quando não acompanhado de estrutura emocional e responsabilidade, pode ser tão destrutivo quanto qualquer pancada em um campo da NFL.
E talvez o mais duro seja aceitar que, neste momento, não estamos mais falando de redenção no esporte para um atleta acusado. Estamos falando de justiça para alguém que vem causando problemas e saindo impune há anos.
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Danilo Lacalle escreve sua coluna no Lance! toda semana. Confira outras postagens do colunista:
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