Primeiro estádio do Corinthians
O Corinthians nasceu em um campo improvisado no Bom Retiro.

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Fundado em 1º de setembro de 1910, o Corinthians surgiu em um contexto profundamente ligado à classe trabalhadora de São Paulo. Diferente dos clubes formados por elites econômicas ou comunidades estrangeiras específicas, o Corinthians nasceu do povo — e seu primeiro estádio de futebol reflete com clareza essa origem popular. O Lance! conta tudo sobre o primeiro estádio do Corinthians.
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O início da trajetória corintiana não se deu em um estádio monumental, mas em um espaço simples, improvisado e simbólico: o Campo do Lenheiro, localizado na antiga Rua dos Imigrantes, atual Rua José Paulino, no bairro do Bom Retiro. Ali, entre fábricas, armazéns e linhas férreas, o clube começou a escrever sua história.
Primeiro estádio do Corinthians
O Bom Retiro e o futebol operário
No início do século XX, o Bom Retiro era um dos bairros mais dinâmicos de São Paulo. Região marcada pela presença de imigrantes, operários e pequenas indústrias, o bairro concentrava grande parte da força de trabalho da cidade. Foi nesse ambiente que o Corinthians encontrou seu primeiro espaço para treinar e disputar partidas.
O Campo do Lenheiro não era um estádio no sentido formal. Tratava-se de um terreno aberto, com gramado irregular, sem arquibancadas fixas e cercado por estruturas rudimentares. Ainda assim, representava algo essencial: um ponto de encontro para um clube recém-fundado que precisava existir, jogar e se afirmar.
O Campo do Lenheiro como primeira "casa"
Historicamente, o Campo do Lenheiro é apontado como o primeiro campo utilizado pelo Corinthians para treinos e jogos logo após sua fundação em 1910. Localizado próximo à ferrovia e a áreas industriais, o espaço era de fácil acesso para trabalhadores que, após o expediente, se reuniam para jogar ou assistir às partidas.
Esse campo foi fundamental para a consolidação inicial do clube. Foi ali que o Corinthians começou a organizar seu time, criar rotinas de treinamento e disputar partidas amistosas, fundamentais para ganhar experiência e reconhecimento no cenário futebolístico paulistano.
Mais do que uma estrutura física, o Campo do Lenheiro funcionava como extensão da vida cotidiana dos fundadores e torcedores. O futebol era jogado no mesmo território do trabalho, reforçando a ligação entre o clube e o povo.
Futebol sem luxo, mas com identidade
Ao contrário de outros clubes da época, que já buscavam campos cercados e com cobrança de ingressos, o Corinthians iniciou sua trajetória em um ambiente aberto, acessível e democrático. Qualquer pessoa podia se aproximar, assistir e participar.
Essa característica ajudou a moldar o perfil do clube. Desde o início, o Corinthians se diferenciava por sua conexão direta com as camadas populares, algo que se refletiria ao longo de toda sua história. O futebol era mais do que competição: era lazer, pertencimento e afirmação social.
O Campo do Lenheiro, com todas as suas limitações, foi o palco onde essa identidade começou a ser construída.
A transição para novos espaços
Com o rápido crescimento do Corinthians e o aumento do interesse popular, tornou-se inevitável a busca por campos mais estruturados. O Campo do Lenheiro cumpriu seu papel inicial, mas logo se mostrou insuficiente para a ambição esportiva e o volume de torcedores que o clube passava a atrair.
Nos anos seguintes, o Corinthians utilizaria outros campos até chegar à sua primeira grande casa própria, o Estádio da Ponte Grande, inaugurado em 1918. Ainda assim, o Campo do Lenheiro permanece como o marco zero da história alvinegra.
O simbolismo do primeiro estádio corintiano
O valor histórico do Campo do Lenheiro vai muito além de resultados esportivos. Ele representa o nascimento de um clube que cresceu junto com a cidade e com sua população trabalhadora. Ali, o Corinthians aprendeu a competir, resistir e se afirmar em um ambiente adverso, sem privilégios ou estruturas luxuosas.
Esse início humilde ajudou a construir a mística do "time do povo", uma das marcas mais fortes do futebol brasileiro. A ausência de arquibancadas, o gramado irregular e a improvisação não foram obstáculos, mas elementos formadores de uma identidade única.
O primeiro estádio do Corinthians não foi um monumento de concreto, mas um espaço vivo de convivência popular. Foi no Campo do Lenheiro que o clube deu seus primeiros chutes rumo a uma trajetória centenária, transformando simplicidade em grandeza e improviso em tradição.
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