O que foi o Esquadrão Imortal do Grêmio
Conquistas da Libertadores de 1983 e do Mundial consolidaram a imagem do time

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O Esquadrão Imortal foi o apelido dado ao time do Grêmio que entrou para a história no início da década de 1980, especialmente entre 1981 e 1983, período em que o clube deixou de ser apenas uma potência regional para se tornar uma referência internacional. Mais do que títulos, aquele Grêmio construiu uma identidade competitiva tão forte que passou a ser associado à ideia de superação, resistência e vitórias épicas — traços que até hoje definem o imaginário gremista. O Lance! conta o que foi o Esquadrão Imortal do Grêmio.
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O termo "Imortal" não surgiu apenas pelas conquistas, mas pela forma como o time reagia à adversidade. Jogos dramáticos, viradas improváveis, classificações arrancadas no limite físico e emocional transformaram aquela geração em símbolo eterno da torcida. O Esquadrão Imortal não venceu apenas partidas: ele moldou a alma competitiva do clube.
O que foi o Esquadrão Imortal do Grêmio
Origem do apelido e contexto histórico
O apelido Esquadrão Imortal nasceu da relação direta entre o time e sua torcida. Em uma época em que o futebol brasileiro vivia grande equilíbrio técnico, o Grêmio se destacava por nunca se entregar, mesmo diante de cenários considerados perdidos.
Entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980, o clube já vinha de crescimento consistente, com títulos estaduais e campanhas nacionais sólidas. A consolidação desse processo ocorreu a partir de 1981, quando o Grêmio passou a montar um elenco experiente, fisicamente forte e mentalmente preparado para competições longas e desgastantes, como a Copa Libertadores.
A partir daí, cada jogo decisivo parecia reforçar a ideia de que o Grêmio "não morria nunca". Classificações nos minutos finais, disputas de pênaltis e vitórias improváveis ajudaram a cristalizar o apelido, que rapidamente se espalhou pela imprensa e pelo país.
A Libertadores de 1983 e a consagração continental
O ponto máximo do Esquadrão Imortal foi a Copa Libertadores da América de 1983, a primeira da história do clube. A campanha foi marcada por confrontos duríssimos, viagens longas e jogos de extrema tensão emocional.
O Grêmio superou adversários tradicionais do continente com uma combinação rara de disciplina tática, força física e espírito coletivo. A final contra o Peñarol, decidida apenas no jogo de desempate em campo neutro, foi o retrato perfeito daquela equipe: equilíbrio, sofrimento e vitória arrancada na marra.
O título continental não apenas colocou o Grêmio no mapa da América do Sul, como também abriu caminho para o maior feito de sua história.
O título mundial e o auge do Esquadrão Imortal
Poucos meses depois da Libertadores, o Grêmio enfrentou o poderoso Hamburgo, campeão europeu, na final do Mundial Interclubes de 1983, disputado em Tóquio. O favoritismo era todo do time alemão, tecnicamente refinado e fisicamente dominante.
Mais uma vez, porém, o Esquadrão Imortal contrariou a lógica. Em um jogo histórico, decidido na prorrogação, o Grêmio venceu por 2 a 1, com atuação lendária de seu principal craque. O triunfo transformou o clube em campeão do mundo e consolidou definitivamente aquela geração como uma das maiores da história do futebol brasileiro.
A partir daquele momento, o termo "Imortal" deixou de ser apenas um apelido emocional e passou a representar um capítulo oficial da história do clube.
Time-base, líderes e estilo de jogo
O Esquadrão Imortal tinha uma espinha dorsal muito bem definida. O time combinava jogadores experientes, líderes natos e atletas tecnicamente acima da média para o padrão da época.
O estilo de jogo era intenso, competitivo e vertical. O Grêmio não era conhecido pelo futebol mais plástico do país, mas sim pela capacidade de impor ritmo, vencer duelos físicos e manter altíssimo nível de concentração durante 90 ou 120 minutos.
A equipe se destacava por:
- Forte sistema defensivo, difícil de ser superado
- Meio-campo combativo, com ótima leitura de jogo
- Ataque eficiente, decisivo nos momentos-chave
Essa combinação fazia do Grêmio um adversário extremamente desconfortável, sobretudo em jogos eliminatórios.
Impacto no futebol gaúcho e nacional
O Esquadrão Imortal mudou o patamar do Grêmio dentro do futebol brasileiro. Até então, o clube já era respeitado, mas passou a ser tratado como gigante continental a partir dos feitos dos anos 1980.
No cenário gaúcho, consolidou a rivalidade com o Internacional em nível nacional e internacional. No Brasil, ajudou a reforçar a ideia de que clubes fora do eixo Rio–São Paulo também podiam dominar o continente e o mundo.
Internacionalmente, o título mundial colocou o Grêmio ao lado de poucos clubes brasileiros capazes de vencer campeões europeus em jogos oficiais.
Legado e herança do Esquadrão Imortal
O maior legado do Esquadrão Imortal não está apenas nas taças, mas na identidade que ele deixou para as gerações seguintes. Desde então, qualquer time do Grêmio que demonstra poder de reação, força emocional e competitividade extrema é imediatamente associado àquela era.
O conceito de "Imortal" passou a ser parte da marca do clube, influenciando slogans, discursos, mosaicos da torcida e a própria forma como o Grêmio se enxerga dentro do futebol.
Mais do que um grande time, o Esquadrão Imortal foi a consolidação de um modo de competir. Um período em que o Grêmio ensinou que, no futebol, talento é fundamental — mas caráter competitivo pode ser eterno.
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