O que foi a profecia de Eurico Miranda; as frases que marcaram a história do Vasco
Promessas absolutas, bravatas e declarações que viraram parte do folclore.

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A chamada "profecia de Eurico Miranda" é uma das expressões mais lembradas da política recente do Vasco. Mais do que uma frase isolada, ela sintetiza o estilo do ex-presidente: declarações categóricas, promessas absolutas e um discurso de autoridade que buscava transmitir força institucional. O Lance! relembra o que foi a profecia de Eurico Miranda.
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Eurico Miranda foi dirigente central do Vasco desde os anos 1980, ocupando cargos de vice-presidente de futebol, presidente e figura dominante nos bastidores. Seu modo de se comunicar sempre foi direto, confrontador e, muitas vezes, provocativo. Em momentos de crise, especialmente nos anos 2000 e 2010, suas frases passaram a circular como símbolos de confiança — ou de arrogância, dependendo do ponto de vista.
O que foi a profecia de Eurico Miranda?
A "profecia": "o Vasco não cai"
A frase que ficou conhecida como "profecia" surgiu no contexto de rebaixamentos recentes do clube. Em 2014, ao retornar à presidência, Eurico repetiu diversas vezes que, sob sua gestão, não havia hipótese de o Vasco cair novamente.
Entre as declarações mais citadas está:
"Já falei que a palavra rebaixamento aqui é proibida. Se eu achar que o Vasco vai ser rebaixado, vou procurar o ponto mais distante da Sibéria e vou pra lá."
Em outra ocasião, afirmou:
"Juro, até morrer, que o Vasco nunca mais vai cair. Sei que não sou eterno, mas vou trabalhar para colocar o clube preparado para isso nunca mais acontecer."
A retórica era clara: o dirigente se colocava como garantia institucional contra o fracasso esportivo. O problema é que, pouco depois dessas declarações, o Vasco voltaria a ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. A promessa se transformou em ironia pública, explorada por rivais e lembrada como exemplo da distância entre discurso e realidade.
Foi nesse contraste que a ideia de "profecia" ganhou força. Não como previsão cumprida, mas como promessa desmentida pelos fatos.
Eurico Miranda: "Aqui no Vasco mando eu. Ditatorialmente!"
Outra frase emblemática de Eurico resume seu estilo de gestão:
"Aqui no Vasco mando eu. Ditatorialmente!"
A declaração assumia, sem rodeios, a centralização do poder. Para apoiadores, era sinal de comando firme. Para críticos, evidência de autoritarismo e dificuldade de diálogo interno.
Esse posicionamento reforçou a imagem de Eurico como dirigente que personificava o clube. Ele não apenas representava o Vasco; muitas vezes falava como se fosse o próprio Vasco.
"O grande reforço do Vasco sou eu"
Em momentos de crise esportiva, Eurico também usava a própria figura como argumento:
"O grande reforço do Vasco sou eu. Eu tenho crédito. Se eu digo que não vai cair, não vai cair."
A frase reforça a lógica personalista de sua gestão. O dirigente se apresentava como ativo político capaz de garantir resultados, como se liderança e discurso pudessem neutralizar limitações financeiras ou técnicas.
Essa postura, quando confrontada com rebaixamentos e dificuldades estruturais, ampliou o impacto simbólico da chamada "profecia".
Rivalidade e provocações de Eurico Miranda
Eurico também ficou conhecido por declarações provocativas, especialmente em relação ao Clube de Regatas do Flamengo.
Uma das frases mais repetidas foi:
"Não sei se tenho maior prazer numa relação sexual ou quando ganhamos do Flamengo."
Outra declaração marcante:
"Vasco e Flamengo é um campeonato à parte."
Essas falas ajudaram a alimentar a narrativa da rivalidade como eixo central da identidade vascaína. Para parte da torcida, eram demonstrações de paixão e combatividade. Para rivais, combustível para ironias.
Frases de campanha e bravatas políticas
Durante disputas eleitorais internas, Eurico também acumulou declarações que entraram para o folclore:
"Perder a eleição para esses amarelinhos? Não tem a menor chance. Se eu perder a eleição para esses janotas, eu desisto do Vasco."
A frase reflete o tom combativo das eleições no clube, marcadas por divisões internas profundas. Ainda que não tenha se concretizado literalmente, a bravata virou mais um elemento do repertório que o acompanharia até o fim da vida.
Como a "profecia" virou cultura popular
Com o tempo, torcedores, jornalistas e portais especializados passaram a compilar essas declarações como parte da memória recente do Vasco. A "profecia" sobre o rebaixamento tornou-se bordão.
Rivais utilizam a frase como ironia sempre que o clube enfrenta risco na tabela. Vascaínos, por sua vez, frequentemente citam o episódio como exemplo da distância entre o discurso de força e os desafios estruturais enfrentados pelo clube nas últimas décadas.
Independentemente da posição política dentro do clube, é inegável que Eurico Miranda marcou a história do Vasco não apenas por decisões administrativas, mas pela forma como falava. Suas frases ajudaram a construir um personagem público maior que o cargo que ocupava.
A "profecia" é, no fim, menos sobre uma promessa esportiva e mais sobre o estilo de liderança que marcou uma era: convicção absoluta, linguagem sem filtros e a crença de que a palavra poderia moldar o destino do clube.
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