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Brasileiros que jogaram Copas do Mundo por outras seleções

Naturalizações, imigração e identidade no futebol mundial.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 14/02/2026
06:54
Pepe - Portugal x Suíça
imagem cameraDe Filó a Pepe, brasileiros que escreveram a história das Copas com outras camisas. (Patrícia de Melo Moreira/AFP)

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A presença de brasileiros em Copas do Mundo por outras seleções é um fenômeno histórico que começou nos anos 1930 com imigração.
Ao todo, 39 jogadores representaram outros países, com destaque para Itália, Portugal, e Japão.
Desde os anos 1990, brasileiros têm reforçado seleções em desenvolvimento e europeias, como Deco e Marcos Senna.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A presença de brasileiros em Copas do Mundo vestindo camisas que não são a da Seleção Brasileira não é um fenômeno recente. Pelo contrário: ela acompanha a própria história do futebol mundial desde as primeiras edições do torneio, quando regras de nacionalidade eram mais flexíveis e a globalização do esporte ainda engatinhava. O Lance! lista os brasileiros que jogaram Copas do Mundo por outras seleções.

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O Brasil sempre foi um dos maiores celeiros de talento do planeta. Naturalmente, muitos jogadores formados em solo brasileiro acabaram construindo suas carreiras fora do país, seja por imigração familiar, dupla cidadania, oportunidades esportivas ou decisões estratégicas de carreira. Em alguns casos, essas trajetórias culminaram na disputa de Copas do Mundo por outras seleções.

Esses jogadores não são exceções marginais. Alguns foram protagonistas absolutos de suas equipes, líderes técnicos e até campeões continentais, deixando marcas profundas nas histórias de países como Itália, Portugal, Espanha, México e Japão.

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Ao todo, são 39 participações em Copas do Mundo envolvendo jogadores nascidos no Brasil ou formados no país que defenderam outras seleções. A seguir, a lista completa, organizada cronologicamente, acompanhada do contexto histórico que explica esse fenômeno.

Brasileiros que jogaram Copas do Mundo por outras seleções

O pioneirismo ítalo-brasileiro (1934–1962)

A primeira grande "exportação" brasileira em Copas ocorreu ainda nos anos 1930, ligada à imigração italiana. A Itália fascista de Mussolini adotou uma política ativa de convocar descendentes de italianos nascidos na América do Sul.

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Em 1934, Anfilogino Guarisi, o Filó, foi campeão mundial pela Itália jogando como ponta-direita. Ele se tornou o primeiro brasileiro a disputar — e vencer — uma Copa do Mundo por outra seleção.

Esse movimento se repetiu em 1962, quando Angelo Sormani e José Altafini (Mazola) defenderam a Itália. Altafini, inclusive, havia sido campeão mundial pelo Brasil em 1958, tornando-se um caso único: campeão do mundo por um país e depois representante de outro em Copas.

Esse período reflete uma época em que identidade nacional no futebol estava profundamente ligada à ascendência familiar, e não apenas ao local de nascimento.

América Central, África e Ásia entram no mapa (1990–2002)

A partir dos anos 1990, o fenômeno ganha novas geografias. Em 1990, Alexandre Guimarães defendeu a Costa Rica, sendo peça importante na histórica campanha que levou o país às oitavas de final.

Nos anos seguintes, jogadores brasileiros passaram a reforçar seleções em desenvolvimento, como México, Tunísia, Japão e Bélgica. Zaguinho virou figura recorrente pelo México (1994 e 1998), enquanto Clayton atuou em duas Copas pela Tunísia (1998 e 2002).

O Japão, em especial, abriu espaço para brasileiros naturalizados, como Wagner Lopes e Alex Santos, refletindo o crescimento da J-League e a estratégia japonesa de acelerar seu nível técnico internacional.

Esses casos mostram um deslocamento claro: do critério étnico europeu para projetos esportivos nacionais baseados em desenvolvimento competitivo.

O auge europeu dos brasileiros: Portugal, Espanha e Itália (2006–2018)

A Copa de 2006 marca o ponto mais alto da presença brasileira em seleções europeias. Nesse Mundial, nomes como Deco (Portugal), Marcos Senna (Espanha), Pepe (Portugal), Liédson (Portugal), Cacau (Alemanha) e Sinha (México) dividiram os holofotes.

Marcos Senna foi um dos símbolos dessa geração. Volante cerebral, tornou-se titular absoluto da Espanha campeã da Euro 2008 e um dos pilares da transição que culminaria no título mundial de 2010.

Deco, por sua vez, foi o cérebro da seleção portuguesa por mais de uma década, enquanto Pepe se consolidou como um dos zagueiros mais vitoriosos da história recente do futebol europeu, disputando quatro Copas do Mundo por Portugal (2010, 2014, 2018 e 2022).

Na Itália, Thiago Motta representou uma nova leva de brasileiros formados no país, enquanto a Espanha passou a incorporar atletas com formação em clubes brasileiros e base europeia.

Casos sul-americanos e histórias singulares (2010–2014)

Além da Europa, brasileiros também se destacaram em seleções sul-americanas. Eduardo da Silva e Sammir defenderam a Croácia em 2014, enquanto Diego Costa optou pela Espanha, protagonizando uma das decisões de nacionalidade mais polêmicas da história recente das Copas.

O caso de Diego Costa simboliza uma nova era: jogadores formados no Brasil, mas desenvolvidos profissionalmente na Europa, optando por seleções que oferecem continuidade esportiva, estabilidade e projeto competitivo.

Nesse mesmo período, Pepe já se afirmava como um dos líderes de Portugal, enquanto jogadores como Benny Feilhaber (Estados Unidos) e Marcus Túlio Tanaka (Japão) reforçavam a diversidade geográfica do fenômeno.

A consolidação de brasileiros fora do Brasil no século XXI (2018–2022)

Nas Copas de 2018 e 2022, a presença brasileira em outras seleções se tornou algo quase rotineiro. Espanha, Portugal, México, Rússia, Polônia e Costa Rica contaram com jogadores nascidos no Brasil.

Thiago Alcântara e Rodrigo Moreno representaram a Espanha, enquanto Mário Fernandes defendeu a Rússia. Portugal manteve sua forte conexão com o Brasil, convocando Pepe, Bruno Alves, Matheus Nunes e Otávio.

O Mundial de 2022 consolidou Pepe como o brasileiro com mais Copas disputadas por outra seleção: quatro ao todo, um feito raríssimo no futebol mundial.

Lista completa – Copa por Copa (ordem cronológica)

  1. 1934 – Filó – Itália
  2. 1962 – Angelo Sormani – Itália
  3. 1962 – José Altafini (Mazola) – Itália
  4. 1990 – Alexandre Guimarães – Costa Rica
  5. 1994 / 1998 – Zaguinho – México
  6. 1998 / 2002 – Clayton – Tunísia
  7. 1998 – Wagner Lopes – Japão
  8. 1998 – Luís Oliveira – Bélgica
  9. 2002 / 2006 – Alex Santos – Japão
  10. 2006 – Sinha – México
  11. 2006 – Francileudo Santos – Tunísia
  12. 2006 – Marcos Senna – Espanha
  13. 2006 – Deco – Portugal
  14. 2010 / 2014 / 2018 / 2022 – Pepe – Portugal
  15. 2010 – Liédson – Portugal
  16. 2010 – Marcus Túlio Tanaka – Japão
  17. 2010 – Benny Feilhaber – Estados Unidos
  18. 2010 – Cacau – Alemanha
  19. 2014 / 2018 – Diego Costa – Espanha
  20. 2014 – Thiago Motta – Itália
  21. 2014 – Eduardo da Silva – Croácia
  22. 2014 – Sammir – Croácia
  23. 2018 – Mário Fernandes – Rússia
  24. 2018 – Thiago Alcântara – Espanha
  25. 2018 – Rodrigo Moreno – Espanha
  26. 2018 – Bruno Alves – Portugal
  27. 2018 – Thiago Cionek – Polônia
  28. 2018 – Celso Borges – Costa Rica
  29. 2018 – Giovani dos Santos – México
  30. 2018 – Jonathan dos Santos – México
  31. 2022 – Matheus Nunes – Portugal
  32. 2022 – Otávio – Portugal

O Brasil como formador global

Mais do que "perdas" para a Seleção Brasileira, esses casos revelam algo maior: o Brasil como formador global de jogadores. Técnicos, estilos, fundamentos e talentos exportados moldaram seleções inteiras ao redor do mundo.

Esses atletas carregaram consigo traços claros do futebol brasileiro — técnica, improviso, leitura ofensiva — mesmo quando vestiram outras camisas. Em muitos casos, ajudaram países a alcançar seus melhores desempenhos históricos em Copas do Mundo.

Se quiser, posso seguir com um recorte específico: os mais bem-sucedidos, quem enfrentou o Brasil, naturalizados campeões continentais ou casos que geraram polêmica no país.

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