Maior goleada da história do Cruzeiro
Em 1928, ainda como Palestra Itália, Cruzeiro goleou Alves Nogueira por 14 a 0.

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O Cruzeiro Esporte Clube, um dos gigantes do futebol brasileiro, nasceu da força da comunidade italiana de Belo Horizonte. Fundado em 1921 com o nome Società Sportiva Palestra Itália, o clube rapidamente conquistou espaço e respeito em Minas Gerais. Desde os primeiros anos, mostrava organização, talento e vocação ofensiva. E foi exatamente essa combinação que, em 17 de junho de 1928, produziu a maior goleada da história do Cruzeiro em jogos oficiais: 14 a 0 sobre o Alves Nogueira, pelo Campeonato da Cidade. O Lance! relembra a maior goleada da história do Cruzeiro.
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Maior goleada da história do Cruzeiro
A partida aconteceu no Estádio do Barro Preto, primeira casa do Palestra, e ficou marcada como uma das exibições mais avassaladoras já vistas no futebol mineiro. O herói daquela tarde foi Ninão, centroavante implacável que marcou dez gols — até hoje o recorde de tentos marcados por um jogador cruzeirense em uma única partida.
Mais do que um placar histórico, aquele jogo simbolizou a consolidação do Palestra Itália como potência emergente no futebol estadual. O clube demonstrava superioridade técnica e tática em relação aos rivais, com um estilo ofensivo que encantava torcedores e imprensa. A goleada foi o prenúncio da força que o Cruzeiro — nome adotado em 1942 — manteria nas décadas seguintes, transformando-se em um dos clubes mais vencedores do país.
O cenário do futebol mineiro e a ascensão do Palestra Itália
O futebol em Belo Horizonte ainda era amador em 1928, mas já contava com forte rivalidade entre os clubes locais. Atlético, América e Palestra Itália disputavam o domínio esportivo do Estado. O Palestra, fundado apenas sete anos antes, já se destacava pela organização administrativa e pela estrutura de seu campo no Barro Preto, considerado um dos melhores de Minas Gerais na época.
O Campeonato da Cidade era o torneio mais importante do Estado e servia como base para o reconhecimento dos campeões mineiros. O confronto entre Palestra Itália e Alves Nogueira, equipe tradicional da região de Sabará, parecia equilibrado à primeira vista — mas se transformou em um espetáculo de força ofensiva.
Desde os minutos iniciais, o Palestra dominou completamente a partida. O ataque, formado por Ninão, Niginho, Piorra e Carneiro, impôs velocidade e entrosamento. A defesa adversária não teve tempo de reagir, e o placar se tornou um verdadeiro massacre.
Ninão: o herói da maior goleada e o primeiro grande artilheiro do Cruzeiro
A estrela da tarde foi o atacante Ninão, um dos irmãos Fantoni — dinastia que marcou o início da história cruzeirense. Nascido em Belo Horizonte, Ninão era conhecido pelo faro de gol e pela precisão nos arremates. Na goleada de 1928, ele marcou dez vezes, um feito impressionante até mesmo para os padrões do futebol moderno.
Os jornais da época, como O Diário da Tarde e A Tribuna Mineira, destacaram o desempenho do atacante e a superioridade técnica do Palestra. O clube era apontado como "a máquina de gols do futebol belo-horizontino". O feito de Ninão jamais foi repetido — nenhum outro jogador do Cruzeiro conseguiu marcar dez gols em um único jogo oficial.
O sobrenome Fantoni se tornaria sinônimo de talento. Além de Ninão, os irmãos Niginho, Nininho e o primo Orlando Fantoni fariam parte da linhagem que levaria o nome do Palestra para o cenário internacional, com passagens de destaque pela Lazio, da Itália, na década de 1930.
O Estádio do Barro Preto: o berço das primeiras glórias cruzeirenses
A goleada histórica aconteceu no campo do Barro Preto, casa do Palestra até a inauguração do Mineirão, em 1965. O estádio, construído com o apoio da comunidade italiana, era o coração do clube. As arquibancadas improvisadas, mas sempre lotadas, recebiam um público fiel que via no time uma representação de orgulho e identidade.
O 14 a 0 sobre o Alves Nogueira teve um peso simbólico: mostrou que o Palestra não era mais um novato, mas um gigante em formação. O Barro Preto se transformou em fortaleza e palco de vitórias que pavimentaram a trajetória cruzeirense rumo à grandeza.
A goleada também consolidou o clube como um dos mais ofensivos do futebol mineiro. O estilo de jogo alegre, técnico e rápido era marca registrada do Palestra e seria perpetuado pelo Cruzeiro nas décadas seguintes.
O impacto do 14 a 0 e a consolidação da hegemonia celeste
A vitória por 14 a 0 teve enorme repercussão na imprensa local. As manchetes exaltavam a força do Palestra e o surgimento de uma nova potência em Minas Gerais. O título do Campeonato da Cidade viria no mesmo ano, coroando uma campanha impecável.
O placar histórico não foi um episódio isolado. Durante os anos 1930 e 1940, o Palestra Itália dominou o futebol estadual, conquistando títulos e ampliando sua torcida. A mudança de nome para Cruzeiro, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, não alterou a essência do clube — apenas ampliou sua representatividade e seu alcance.
O 14 a 0 sobre o Alves Nogueira permanece como a maior goleada da história do clube, mas também como um marco do início de sua hegemonia. Representa o DNA ofensivo que o Cruzeiro exibiria em várias gerações, de Tostão e Dirceu Lopes nos anos 1960 a Alex, Rivaldo e Fred nas décadas seguintes.
Um recorde eterno e o símbolo da grandeza do Cruzeiro
Mais de 95 anos depois, o 14 a 0 segue vivo na memória dos torcedores e nos registros oficiais. Ele representa o nascimento do Cruzeiro como uma instituição vencedora, marcada pela ambição e pela busca incessante pela excelência.
O feito de 1928 é lembrado não apenas pelo placar, mas pelo que ele simboliza: a afirmação de um clube que cresceu com o suor de sua comunidade, transformou-se em potência nacional e nunca perdeu a vontade de atacar.
O Cruzeiro mudou de nome, de estádio e de geração, mas manteve o mesmo espírito. E aquele 14 a 0 no Barro Preto segue sendo o primeiro grito de grandeza de um time que aprendeu cedo o que significa vencer — e vencer com estilo.
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