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Anatomia e técnica dos saltos na patinação artística: Axel, Lutz e Toeloop

Entenda a diferença entre saltos de borda e de ponta e as pontuações.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 19/01/2026
07:26
Veja como funcionam Axel, Lutz e Toeloop na patinação artística: origem, biomecânica, bordas, toe pick, GOE e marcos históricos. (Foto: COI)
imagem cameraVeja como funcionam Axel, Lutz e Toeloop na patinação artística: origem, biomecânica, bordas, toe pick, GOE e marcos históricos. (Foto: COI)

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A patinação artística destaca-se pelos saltos Axel, Lutz e Toeloop, fundamentais para o desempenho competitivo.
O Axel é o único salto de entrada frontal, exigindo velocidade e controle do atleta.
O Lutz e o Toeloop têm mecânicas diferentes, sendo o Toeloop essencial em combinações e o Lutz famoso pela pureza técnica.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A patinação artística combina expressão estética com rigor biomecânico extremo. No centro da avaliação técnica estão os saltos, elementos que determinam o valor-base de um programa e muitas vezes decidem pódios. Entre os seis saltos reconhecidos pela ISU, Axel, Lutz e Toeloop funcionam como um "manual" do esporte: eles explicam, na prática, como borda, ponta da lâmina e rotação moldam a dificuldade. O Lance! explica a anatomia e técnica dos saltos na patinação artística nos Jogos Olímpicos de Inverno.

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Entender esses três movimentos é compreender a lógica da modalidade. O Axel é o salto de entrada frontal e meia rotação extra. O Lutz testa a pureza da borda externa sob contra-rotação. O Toeloop, por sua mecânica eficiente, virou a peça-chave de combinações e da era dos quádruplos.

A diferença técnica entre eles começa na decolagem: borda versus toe pick. E termina na física: como cada atleta cria, sustenta e controla momento angular no ar.

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Anatomia e técnica dos saltos na patinação artística

Origem e evolução histórica dos saltos na patinação

A história dos saltos na patinação artística acompanha a transformação do esporte do fim do século XIX ao início do XX, quando o estilo livre passou a ocupar o centro do espetáculo.

  • Axel Paulsen (1882): o norueguês Axel Paulsen executou o primeiro Axel em 1882, usando patins de velocidade. É o salto mais antigo e um dos mais difíceis de multiplicar em rotações por começar de frente.
  • Alois Lutz (1913): o austríaco introduziu o Lutz em competição em 1913. A exigência de manter a borda externa traseira com rotação contra a curva de entrada tornou o salto sinônimo de técnica "pura".
  • Bruce Mapes (década de 1920): o Toeloop é atribuído ao americano Bruce Mapes. Por ser mecanicamente mais "conectável", virou base de combinações e um caminho natural para o aprendizado de quádruplos.

A progressão técnica do esporte seguiu o avanço das rotações: simples, duplos, triplos nas décadas de 70 e 80 e, hoje, a era dos quádruplos, com atletas elevando o teto físico do que parecia possível.

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Saltos de borda e saltos de ponta: onde tudo começa

Para diferenciar Axel, Lutz e Toeloop, é essencial separar os saltos em dois grupos:

  1. Saltos de borda (edge jumps): decolam diretamente da borda da lâmina, sem "bater" o dente no gelo.
  2. Saltos de ponta (toe jumps): usam o toe pick como alavanca, cravando a ponta no gelo para gerar impulso.

O Axel é um salto de borda e, por isso, depende do controle fino da aresta e do lançamento da perna livre. Lutz e Toeloop são saltos de ponta, mas com lógica de rotação e entrada completamente diferentes.

Axel: o único salto de frente na patinação

O Axel é o único dos seis saltos principais em que o patinador decola de frente.

  1. Entrada: patinando para frente, normalmente na borda externa do pé esquerdo (para destros).
  2. Decolagem: impulso vindo da borda e do lançamento da perna livre; não há uso do toe pick como "pivô".
  3. Rotação: por sair de frente e aterrissar de costas, o Axel sempre exige meia rotação extra. Um triplo Axel, portanto, tem 3,5 rotações no ar.

Esse "0,5" adicional é o que torna o salto tão temido: exige mais tempo de voo, mais velocidade de rotação e uma janela menor para corrigir eixo no ar.

Lutz: a prova definitiva da borda e da contra-rotação

O Lutz é um salto de ponta, mas é famoso por um detalhe técnico que separa elite de erro: a borda externa traseira precisa estar "limpa" no instante da decolagem.

  1. Entrada: curva longa patinando para trás, apoiado na borda externa do pé esquerdo (para destros).
  2. Decolagem: o patinador finca o toe pick do patim direito no gelo para criar alavanca.
  3. Contra-rotação: a rotação acontece no sentido oposto da curva de entrada, exigindo controle brutal de quadril, ombros e tornozelo.

O erro clássico tem nome: "Flutz". Se o atleta "cai" para a borda interna antes de decolar, o salto perde sua identidade técnica e é penalizado pelos árbitros, porque vira, na prática, outra mecânica de salto.

Toeloop: eficiência, combinações e a mecânica "natural"

O Toeloop é o salto de ponta mais comum em combinações e, frequentemente, um dos primeiros quádruplos dominados por atletas de elite.

  1. Entrada: geralmente a partir da borda externa traseira do pé direito (para destros), muitas vezes encaixado logo após outro salto.
  2. Decolagem: o toe pick do pé esquerdo golpeia o gelo e lança o atleta para cima e para trás.
  3. Diferença-chave: a rotação segue a direção "natural" da curva de entrada, sem exigir contra-rotação como no Lutz, o que facilita a geração de momento angular.

Por isso, o Toeloop é a peça perfeita de encaixe em combinações do tipo Quad Lutz + Triplo Toeloop, em que a aterrissagem do primeiro salto já "convida" a entrada do segundo.

Hierarquia de valor e pontuação na ISU

No sistema da ISU, cada salto tem Valor Base (BV) e recebe ajustes por Grau de Execução (GOE), que premia limpeza, qualidade de eixo, aterrissagem e controle.

Entre Axel, Lutz e Toeloop, a hierarquia de valor tende a seguir esta lógica:

  • Axel: o mais valioso, por exigir meia rotação extra e maior dificuldade biomecânica.
  • Lutz: geralmente o segundo mais valioso, por demandar borda externa pura sob contra-rotação.
  • Toeloop: valor-base menor entre os três, mas extremamente estratégico por facilitar combinações.

Recordes e marcos que mudaram o esporte

A história recente da patinação é marcada por barreiras físicas quebradas por saltos específicos:

  1. Kurt Browning (1988): primeiro quádruplo ratificado em competição, um Quad Toeloop.
  2. Brandon Mroz (2011): primeiro Quad Lutz ratificado em competição internacional sancionada pela ISU.
  3. Yuzuru Hanyu: pioneiro nas tentativas de Quad Axel, empurrando o esporte para o próximo patamar.
  4. Ilia Malinin (2022): primeiro a aterrissar um Quad Axel limpo em competição, marco da nova geração.
  5. Alexandra Trusova: revolucionou a patinação feminina ao inserir múltiplos quádruplos, incluindo Lutz e Toeloop, em programas de alto nível.

Curiosidades biomecânicas que explicam a "impossibilidade"

Os saltos quádruplos exigem forças e velocidades de rotação extremas. O patinador precisa gerar muito momento angular na decolagem, manter um eixo estável no ar e absorver impacto no pouso sem perder a linha.

Para completar quatro rotações em menos de um segundo de tempo de voo, atletas alcançam velocidades rotacionais superiores a 300 RPM. No caso do Quad Axel de Ilia Malinin, o tempo de voo foi de aproximadamente 0,79 segundos, com taxa na faixa de 6,25 rotações por segundo, equivalente a cerca de 375 RPM.

Também existe debate técnico sobre pré-rotação — o quanto a lâmina pode girar no gelo antes de o atleta efetivamente decolar. O conceito é aceito, mas o excesso pode ser interpretado como má execução, sobretudo em saltos nos quais a pureza da borda é parte central da identidade técnica, como o Lutz.

Dominar Axel, Lutz e Toeloop não é apenas saltar alto. É controlar bordas, timing, eixo e física rotacional em condições limite. O Toeloop abre portas para combinações e volume de rotação. O Lutz testa a pureza técnica sob contra-rotação. E o Axel segue como o salto que mais separa grandes campeões do restante: o rei que exige potência, precisão e coragem biomecânica em partes iguais.

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