menu hamburguer
imagem topo menu
logo Lance!X
Logo Lance!

Guia técnico das provas de halfpipe e big air no snowboard: regras, notas e manobras

Entenda como funcionam as duas disciplinas mais técnicas do snowboard freestyle.

Avatar
Lance!
São Paulo (SP)
Dia 18/01/2026
07:11
No halfpipe, vence quem combina amplitude e variedade em sequência; no big air, a disputa é pelo truque perfeito. (Foto: COI)
imagem cameraNo halfpipe, vence quem combina amplitude e variedade em sequência; no big air, a disputa é pelo truque perfeito. (Foto: COI)

  • Matéria
  • Mais Notícias
Ver Resumo da matéria por IA
O snowboard freestyle destaca-se nos Jogos Olímpicos com as provas de Halfpipe e Big Air, cada uma exigindo habilidades distintas.
O halfpipe valoriza consistência e diversidade em manobras, enquanto o big air foca em complexidade e aterrissagens perfeitas.
Ambas as disciplinas são julgadas com base em critérios técnicos que consideram execução, amplitude e dificuldade das manobras.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

O snowboard freestyle consolidou-se como um dos esportes mais atraentes dos Jogos Olímpicos de Inverno e também do ecossistema dos X Games. Parte do fascínio vem da mesma fonte: risco alto, execução milimétrica e a sensação permanente de que o limite técnico muda a cada temporada. Dentro desse universo, Halfpipe e Big Air são as provas que melhor sintetizam o que há de mais extremo na modalidade. O Lance! apresenta o guia técnico das provas de halfpipe e big air no snowboard: regras, notas e manobras.

continua após a publicidade

➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Embora as duas disciplinas compartilhem a base técnica das manobras aéreas, elas exigem habilidades diferentes. O halfpipe premia consistência, ritmo e diversidade ao longo de uma sequência completa. O big air, por outro lado, transforma uma única tentativa em "tudo ou nada", valorizando complexidade máxima e aterrissagem limpa.

Para entender por que um atleta vence e outro perde por detalhes, é preciso dominar o vocabulário, compreender a lógica das rotações e conhecer os critérios que orientam a pontuação dos juízes.

continua após a publicidade

Guia técnico das provas de halfpipe e big air no snowboard

Origem e evolução histórica do snowboard freestyle

A história do snowboard competitivo se conecta diretamente à cultura do skate e do surfe, adaptada ao ambiente de neve. O que começou como brincadeira em valas naturais evoluiu para estruturas projetadas com precisão de engenharia, capazes de produzir sempre o mesmo padrão de impulso e decolagem.

Halfpipe

Inspirado nas piscinas vazias usadas por skatistas nos anos 1970, o halfpipe na neve nasceu de valas escavadas manualmente. A disciplina estreou nos Jogos Olímpicos em Nagano 1998, em um momento em que o esporte ainda estava se consolidando institucionalmente.

continua após a publicidade

Desde então, o padrão moderno é o chamado superpipe, com paredes de 22 pés (aproximadamente 6,7 metros), permitindo voos verticais que ultrapassam facilmente a borda e ampliam o repertório de manobras possíveis.

Big Air

Saltos grandes sempre fizeram parte do snowboard, mas o Big Air como disciplina codificada e olímpica é mais recente. Sua estreia aconteceu em PyeongChang 2018, trazendo para o programa olímpico a lógica do "melhor truque", onde uma execução perfeita pode valer mais do que uma performance consistente.

Em muitos eventos, a estética do big air dialoga com o urbano, com rampas gigantescas em estruturas artificiais, além das versões tradicionais em estações de esqui.

Como funciona o halfpipe

No halfpipe, o atleta desce um canal em formato de "U", alternando saltos de uma parede para a outra. O objetivo é entregar uma sequência completa de manobras, normalmente com 5 a 6 hits, sem perder velocidade e sem quebrar o ritmo.

Os principais pontos do formato:

  • Formato: em finais, costuma haver três descidas (runs), com vitória definida pela melhor nota (best of three).
  • Ritmo e flow: o atleta precisa manter velocidade para que a última manobra tenha amplitude parecida com a primeira.
  • Erros custam caro: quedas, toques de mão na neve e instabilidade na aterrissagem derrubam a pontuação de forma significativa.

O halfpipe é, em essência, um teste de consistência e construção de narrativa: a sequência precisa fazer sentido, com manobras variadas e crescimento de dificuldade ao longo do run.

Como funciona o big air

No big air, tudo se resume a uma rampa (kicker) de grandes proporções e ao domínio do atleta em uma janela curta de voo. A lógica é simples: ganhar velocidade, decolar, executar uma manobra de alta complexidade e aterrissar limpo.

O formato mais comum em finais olímpicas:

  • Três saltos, com as duas melhores notas somadas para o resultado final.
  • Regra de variedade: para evitar repetição, os dois saltos que contam precisam mostrar diversidade, frequentemente com rotações em direções diferentes. Se o atleta repete a mesma manobra, perde valor estratégico e pode ter apenas uma tentativa efetivamente considerada.

Se o halfpipe premia consistência, o big air premia coragem e precisão. Um único salto pode mudar o pódio inteiro.

O que os juízes avaliam nas notas do snowboard

Diferentemente de provas decididas por tempo, halfpipe e big air são julgados por critérios técnicos definidos por entidades como a FIS. A pontuação costuma variar de 0 a 100, e a avaliação se apoia em cinco pilares principais:

  1. Dificuldade: complexidade do truque, número de rotações, eixo (incluindo variações como cork), aterrissagem e nível de risco envolvido.
  2. Execução: limpeza do movimento, estabilidade no ar, aterrissagem controlada e ausência de erros como "hand drag" ou "butt check".
  3. Amplitude: altura do voo. No halfpipe, é um fator decisivo: manobra difícil com pouca altura perde valor.
  4. Variedade: diversidade do repertório, especialmente no halfpipe, evitando repetições de direção e padrão de rotação.
  5. Progressão: inovação. Manobras novas, variações inéditas e evolução técnica são recompensadas.

Em resumo, os juízes não premiam apenas quem gira mais. Premiam quem combina dificuldade com execução limpa, amplitude e diversidade, dentro do padrão técnico do esporte.

Manobras, títulos e o salto de dificuldade nas Olimpíadas

A evolução do snowboard freestyle é marcada por uma corrida por rotações maiores e eixos mais complexos, elevando o teto técnico da modalidade.

  1. Shaun White (EUA): tricampeão olímpico do halfpipe (2006, 2010, 2018) e nome central na popularização do esporte em escala global.
  2. Chloe Kim (EUA): bicampeã olímpica do halfpipe (2018, 2022) e primeira mulher a completar dois 1080 consecutivos em uma final olímpica.
  3. Ayumu Hirano (Japão): ouro em Pequim 2022 com um triple cork 1440, marco técnico histórico no halfpipe olímpico.
  4. Anna Gasser (Áustria): bicampeã olímpica do big air (2018, 2022) e pioneira na evolução do nível técnico feminino, com manobras como o Cab Triple Underflip (2018) e o Cab Double Cork 1260 (2019).
  5. Su Yiming (China): campeão olímpico no big air em 2022 com manobras na faixa dos 1800 graus, equivalente a cinco giros completos.

Esses marcos mostram como o esporte evolui em ciclos curtos: o que era impensável em uma edição vira padrão na seguinte.

Curiosidades técnicas para entender o que você está vendo

Alguns conceitos ajudam a "decodificar" as manobras em tempo real:

  1. Matemática das rotações: 360 é uma volta completa; 720 são 2 voltas; 1080 são 3; 1440 são 4; 1800 são 5; 2160 são 6.
  2. Grab não é só estilo: tocar a prancha no ar aumenta estabilidade e controle. Um salto sem grab tende a ser visto como tecnicamente pobre e recebe nota menor.
  3. Switch stance: executar (ou aterrissar) com o pé "errado" na frente aumenta dificuldade, porque exige leitura invertida do movimento e maior controle corporal.

Halfpipe e Big Air são, no fim, um equilíbrio raro entre arte e engenharia. Eles premiam criatividade, mas exigem precisão absoluta, tornando o snowboard freestyle uma das modalidades mais técnicas e visualmente impactantes dos Jogos de Inverno.

  • Matéria
  • Mais Notícias