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Ski Mo: a nova modalidade olímpica de 2026 e como funciona o esqui de montanha

Esporte estreia em Milão-Cortina unindo alpinismo, esqui e transições técnicas.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 16/01/2026
07:15
O esqui de montanha combina subidas com peles, trechos a pé e descidas técnicas em terreno natural. (Foto: COI)
imagem cameraO esqui de montanha combina subidas com peles, trechos a pé e descidas técnicas em terreno natural. (Foto: COI)

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O Ski Mo fará sua estreia oficial nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina 2026, refletindo a tendência de incluir esportes de resistência e conexão com a natureza.
A modalidade combina subidas íngremes, descidas em terrenos não preparados e rápidas transições, exigindo técnica e resistência.
Serão disputadas três medalhas de ouro nas categorias Sprint Masculino, Sprint Feminino e Revezamento Misto, apresentando formatos curtos e dinâmicos.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

O Esqui de Montanha, conhecido internacionalmente como Ski Mo (Ski Mountaineering), marca sua entrada oficial no programa dos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina 2026. A inclusão representa um momento histórico para a International Ski Mountaineering Federation, responsável por transformar uma prática tradicional alpina em uma modalidade esportiva de elite.

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Diferente do esqui alpino, centrado apenas na descida, ou do esqui cross-country, praticado em terrenos mais homogêneos, o Ski Mo exige domínio completo do ambiente de montanha. Os atletas precisam subir encostas íngremes com a própria força, descer em terrenos não preparados e executar transições rápidas entre diferentes configurações de equipamento.

A estreia olímpica reflete uma tendência clara do movimento olímpico: incorporar esportes que combinam resistência, técnica e forte ligação com a natureza, ampliando o apelo entre públicos mais jovens e conectados aos esportes de aventura.

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Origem e evolução histórica do Ski Mo

As origens do esqui de montanha são essencialmente utilitárias e militares. Muito antes do esqui recreativo moderno, populações alpinas e patrulhas de fronteira já utilizavam técnicas de ascensão com esquis para se deslocar no inverno sem afundar na neve profunda.

O primeiro antecedente competitivo relevante foi a Patrulha Militar, que foi um evento oficial com medalhas nos primeiros Jogos Olímpicos de Inverno, em Chamonix 1924. Essa prova combinava deslocamento em esquis e tiro, servindo como base conceitual para várias modalidades de inverno que surgiriam posteriormente.

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Ao longo do século XX, o Ski Mo moderno consolidou-se na Europa Central, especialmente com provas clássicas como a Trofeo Mezzalama, na Itália, e a Pierra Menta, na França. A criação da ISMF foi decisiva para padronizar regras, equipamentos e formatos competitivos, permitindo a profissionalização do esporte e sua expansão global.

Como funciona o esqui de montanha na prática

Entender como funciona o Ski Mo passa pela compreensão de suas três fases fundamentais: subida com esquis, subida a pé e descida. O sucesso não depende apenas da capacidade cardiovascular, mas principalmente da eficiência nas transições entre essas fases.

Os principais fundamentos técnicos são:

  1. Ascensão com peles: os atletas fixam peles sintéticas na base dos esquis, permitindo o deslizamento para frente e impedindo o recuo. Isso possibilita subir encostas íngremes sem perder tração.
  2. Portage (bootpack): em trechos muito íngremes ou rochosos, os esquis são retirados e presos à mochila, enquanto o atleta sobe a pé, frequentemente correndo.
  3. Transições: momentos críticos da prova, em que peles são retiradas ou colocadas e botas ajustadas. No Sprint, segundos perdidos aqui podem definir a classificação.
  4. Descida: realizada em terreno natural, fora de pista, com neve variável e exigência técnica elevada.

A soma dessas fases transforma o Ski Mo em uma modalidade que exige resistência extrema, leitura de terreno e execução técnica precisa sob fadiga.

Formatos olímpicos de Ski Mo e provas em Milão-Cortina 2026

Para a estreia olímpica, o Comitê Olímpico Internacional e a ISMF optaram por formatos curtos e dinâmicos, com maior apelo televisivo. Serão disputadas três medalhas de ouro: Sprint Masculino, Sprint Feminino e Revezamento Misto.

Sprint

É o formato mais explosivo do Ski Mo. A prova dura cerca de três minutos no formato individual e condensa todas as características do esporte. O percurso apresenta um desnível positivo aproximado de 70 metros, podendo variar conforme o traçado, e inclui subida com peles, um trecho de bootpack e uma descida técnica com portões.

A disputa ocorre em baterias eliminatórias, com heats iniciais, semifinais e final, reunindo múltiplos atletas por largada.

Revezamento misto

Equipes formadas por um homem e uma mulher, em que cada atleta completa o circuito duas vezes. A prova exige não apenas explosão, mas capacidade de recuperação rápida e leitura tática do ritmo adversário.

Embora fora do programa olímpico inicial, a prova Individual permanece como a referência máxima do esporte, com desníveis que variam de cerca de 1.200 metros (mínimo competitivo) até mais de 10.000 metros em eventos clássicos de ultra-distância, como a Pierra Menta.

Potências mundiais e atletas de destaque

O domínio competitivo do Ski Mo reflete a geografia alpina. Países com tradição em montanha concentram a maioria dos títulos e pódios internacionais.

Entre as principais potências estão:

  • Suíça, referência em resistência e eficiência nas subidas
  • França, forte tecnicamente, sobretudo em Sprint e Revezamento
  • Itália, país-sede de 2026 e berço de provas históricas
  • Espanha, em crescimento acelerado no circuito mundial

No cenário individual, o suíço Rémi Bonnet é referência absoluta em provas de subida e resistência, enquanto a francesa Emily Harrop se destaca pela versatilidade e domínio técnico no Sprint.

Curiosidades técnicas e exigência fisiológica

O Ski Mo é considerado um dos esportes de inverno mais exigentes do ponto de vista fisiológico. Atletas de elite apresentam valores de VO₂ máx comparáveis aos de maratonistas e remadores olímpicos, reflexo das longas subidas em altitude.

A tecnologia também desempenha papel central. Botas de competição feitas em carbono podem pesar cerca de 1 kg o par, enquanto os esquis utilizam núcleos ultraleves combinados com fibra de carbono para maximizar eficiência na subida.

Apesar do nome histórico, as chamadas "peles de foca" não utilizam mais material animal. As versões modernas são sintéticas, reutilizáveis e projetadas para equilibrar aderência e deslizamento.

A entrada do Ski Mo no programa olímpico reforça uma tendência clara: esportes baseados em propulsão humana, baixo impacto ambiental e forte conexão com o ambiente natural. Em Milão-Cortina 2026, a modalidade estreia como uma síntese de resistência, técnica e leitura da montanha em seu estado mais puro.

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