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Futebol movimenta R$ 14 bilhões e clubes do Mundial se destacam

Estudo mostra domínio de Flamengo e Palmeiras e 3 clubes com 43% das dívidas

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Vicente Seda
Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP)
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Vinicius Barbosa Harfush
Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP)
Dia 28/05/2026
08:00
Palmeiras x Chelsea pelo Mundial de Clubes
imagem cameraFogos de artifício antes de Palmeiras x Chelsea: Mundial de Clubes aumentou receita (Foto Charly TRIBALLEAU/AFP)

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A receita cresceu, mas as dívidas também. Esse é o tom do relatório anual da Galápagos Capital com os dados financeiros da indústria do futebol brasileiro em 2025. No total, a Série A atingiu uma receita de R$ 14,3 bilhões, um aumento de 32% em relação a 2024, além de R$ 2 bilhões da Série B. Esses dados expõem uma versão animadora do esporte no país, mas que contrasta com o aumento de 15% das dívidas do setor, chegando a R$ 17,3 bilhões para os clubes da elite nacional no ano passado.

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A análise das cifras indica um caminho a ser seguido para a prosperidade do futebol no Brasil, mas reforça que clubes e dirigentes precisam estar atentos aos limites dos investimentos. O relatório aponta fatores que são cruciais para o crescimento do faturamento, mas, ao mesmo tempo, mascaram o aumento dos seus custos e, em muitos casos, são os causadores de dívidas onerosas aos clubes.

➡️Palmeiras chega a R$ 1,6 bilhão em receitas

Para apresentar o cenário do futebol em 2025, o economista Cesar Grafietti, responsável pela apresentação do documento, aponta três principais fatores que mexeram com as estruturas financeiras dos clubes da Série A do Brasileirão. O Mundial de Clubes da Fifa, o fenômeno das casas de apostas e o crescimento considerável nas movimentações financeiras em transferências de atletas.

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Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros

O Mundial de Clubes surgiu como uma forte alavanca financeira para os números de receita, já que sozinho o torneio é responsável por R$ 836 milhões de faturamento da Série A. Importante destacar que essa fatia foi movimentada pelas campanhas de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras no torneio. Somando com as demais premiações distribuídas no futebol nacional, como Libertadores e Sul-Americana, as bonificações representam 11% do valor total, ou pouco mais de R$ 1,6 bilhão.

E, como o tom do relatório se baseia na dualidade da indústria financeira, a competição também traz seus impactos negativos e que iludem quem olha para os gráficos. O documento ressalta que o torneio de clubes da Fifa não pode ser encarado como uma receita estável, visto que só acontece de quatro em quatro anos, mas o efeito esportivo que ele causa, de exigir mais competitividade, se espalha para outras vertentes.

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Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros

Contratações de jogadores ultrapassam R$ 4 bilhões

Os investimentos em atletas são um exemplo. O nível técnico no Brasil nunca foi tão alto, com equipes como Flamengo e Palmeiras capazes de concorrer com o mercado europeu, o que inflama outras equipes a buscar gastos robustos com jogadores, mesmo que não sustentem o mesmo peso financeiro. O relatório afirma que o mercado de transferências representa quase R$ 4 bilhões das receitas dos clubes, ou 27% do total, maior percentual. Ao mesmo passo, a pesquisa indica que o principal motivo do crescimento de 15% da dívida líquida está nos valores a pagar por contratações.

Vitor Roque, centroavante do Palmeiras Foto Cesar GrecoPalmeirasby Canon
Vitor Roque foi a contratação mais cara de 2025: Palmeiras pagou 25,5 milhões de euros (Foto: Cesar Greco / Palmeiras)

Palmeiras, Flamengo e Botafogo abriram os cofres para repatriar jogadores que estavam na Europa. A contratação mais cara foi a do atacante Vitor Roque: 25,5 milhões de euros (cerca de R$ 154 milhões na época) foi o que o Palmeiras pagou para tirá-lo do Barcelona. O volante Danilo custou ao Botafogo 22 milhões de euros (R$ 142 milhões), pagos ao Nottingham Forest, da Inglaterra. E o Flamengo desembolsou o mesmo valor para trazer o atacante Samuel Lino do Atlético de Madrid.

Ou seja, o aumento recente das receitas induz os clubes a aumentarem os custos com contratação. A título de comparação, foram pouco mais de R$ 250 milhões gastos com infraestrutura dos times da Série A, uma queda de mais de 50% em comparação a 2024, contra os mais de R$ 4 bilhões com o elenco profissional, o que é 92% do total. Os salários na elite nacional também subiram 22%, enquanto as transferências de atletas movimentaram R$ 3,9 bilhões, número 62% maior em relação ao ano anterior.

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros

Casas de apostas injetaram mais de R$ 1 bilhão

O "boom" de investimentos também passa pela injeção poderosa de dinheiro feita pelas casas de apostas em 2025. O setor movimentou R$ 1,03 bilhão nos clubes da Série A, um aumento de 67% em comparação a 2024, que já havia sido um ano atípico com o crescimento desse setor no futebol. As receitas comerciais totalizaram R$ 3,069 bilhões na elite do Brasil, sendo 34% das cifras pagas pelas bets, aumento de 4% na participação em relação ao ano anterior.

Assim como as receitas de premiação, esse é mais um fator que não pode ser lido como fixo, principalmente pela incerteza de como o mercado irá se comportar nos próximos anos e pelas constantes mudanças das regulamentações das casas. Países como a Inglaterra já alteraram completamente a participação dessa indústria no futebol local, tendência que pode ser seguida mundo afora.

Premiação do Mundial alavanca cariocas

É evidente que o quarteto formado por Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras lideraria o ranking de receitas. Donos dos maiores montantes de premiação, a participação das equipes na competição da Fifa reforçou o poder econômico que o Mundial de Clubes terá daqui em diante. O líder do futebol brasileiro é o Flamengo, que faturou R$ 1,97 bilhão no total, um crescimento de 47% em relação a 2024. O sucesso do time carioca passa, também, pelos títulos do Brasileirão e da Libertadores, que acrescentaram ainda mais ao montante.

O Palmeiras, segundo colocado, faturou R$ 1,6 bilhão no total, mas tem uma fonte de receita diferente do rival carioca. O alviverde teve pouco mais de 40% do seu faturamento ligado à venda de atletas ao mercado, com R$ 653 milhões. O mesmo aconteceu com o Botafogo, terceira maior receita do Brasil em 2025, mas em escala ainda maior. O alvinegro carioca vendeu R$ 727 milhões em atletas, o que ocupa 53% do total da sua arrecadação.

Arte do relatório da Galapagos Capital sobre divisão das receitas dos clubes em 2026

O quarto colocado, Fluminense, teve uma trajetória mais próxima do Flamengo e ocupou pouco mais de 51% da sua receita com premiação. Foram R$ 1,02 bilhão arrecadados, sendo R$ 526 milhões em bonificação. Para fechar o top cinco de maiores receitas, o São Paulo aparece com uma receita de R$ 998 milhões, sendo R$ 284 milhões (28%) com o mercado de transferências e R$ 245 milhões (24%) de premiações.

Outro destaque no cenário das arrecadações são Corinthians e Grêmio. Dos clubes analisados, a dupla foi a única a ter redução de receitas entre 2024 e 2025, cenário preocupante principalmente para o Timão, que cresceu suas dívidas. O time paulista saiu de R$ 1,16 bilhão para R$ 987 milhões, enquanto o Grêmio foi de R$ 511 milhões para R$ 509 milhões.

Trio alvinegro domina as dívidas

Atlético-MG, Botafogo e Corinthians representam 43% do total de dívidas da Série A. O número é preocupante e traça um caminho nada positivo para os três clubes nos próximos anos. O Galo assumiu a ponta como o time de maior débito do Brasil, com R$ 2,62 bilhões de dívida, um crescimento de 13% na comparação a 2024.

O Botafogo, segundo colocado do ranking de dívidas, saiu de R$ 1,64 bilhão em 2024 para R$ 2,52 bilhões no ano passado, um aumento considerável de 53% do valor. O Corinthians, que teve decréscimo nas receitas, aumentou em 5% sua dívida, a que menos cresceu entre os três. Saiu de R$ 2,34 bilhões para R$ 2,46 bilhões em 2025.

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O top cinco de maiores débitos fica completo com o Cruzeiro, que possui uma dívida relevante, mas aumentou pouco no período. A Raposa soma R$ 1,27 bilhão de dívida líquida, um crescimento de 2%. Na sequência aparece o Palmeiras, que subiu 25% e chegou a R$ 1,02 bilhão de débito. Entretanto, o caso do alviverde é tratado de forma bem menos urgente que os demais, já que os números de receita crescem de forma mais larga. Isso não significa que não seja necessário dar atenção ao número, mas em uma realidade mais saudável que a maioria dos clubes da Série A.

Entre os clubes que diminuíram seus débitos estão São Paulo e Vasco. O Tricolor reduziu a dívida líquida em 14%, mas ainda mantém a cifra alta, com R$ 934 milhões, ocupando a nona posição do ranking. Já o cruzmaltino teve uma queda de 17% e, assim como o clube paulista, requer atenção porque o montante é grande. Saiu da casa do bilhão e terminou 2025 com R$ 843 milhões.

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Corinthians

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros - CORINTHIANS

O cenário do Corinthians se torna delicado pela queda na receita registrada entre 2024 e 2025. O Timão saiu de R$ 1,16 bilhão para R$ 987 milhões, mesmo em ano de título na Copa do Brasil, competição mais rentável do futebol brasileiro. Ao mesmo tempo, aumentou em 5% sua dívida, o que mantém a equipe com o terceiro maior passivo entre todos os clubes da Série A. Segundo o relatório, que analisa o que deu certo e o que não deu em cada equipe, o alvinegro não se saiu bem em nenhum dos quatro itens: dívidas, receitas, operacional e transparência.

Palmeiras

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros - PALMEIRAS

Apesar do destaque como segunda maior receita, o que preocupa no cenário palmeirense é a má avaliação no quesito operacional, único que ficou classificado como "abaixo" pelo documento. O problema está no EBITDA recorrente negativo, o que indica custos muito altos para o clube. O ponto que salvou foram os bons desempenhos financeiros no Mundial de Clubes e com outras premiações, além da venda significativa de atletas, o que ajudou a receita a chegar a R$ 1,6 bilhão. A dívida atualmente está em R$ 1,029 bilhão.

Santos

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros - SANTOS

O Santos teve um ano de retorno à Série A do Brasileirão e a chegada de Neymar ao elenco, o que foi fundamental para um crescimento de 30% nas receitas do clube, chegando a R$ 592 milhões. Mas o crescimento da dívida e as dificuldades operacionais deixam o Peixe com impressões negativas no relatório. O EBITDA terminou positivo, mas com um valor menor do que em 2024, o que indica que a equipe precisa reequilibrar as contas para não entrar em um declínio grave. O documento pondera que a maioria dos passivos é de longo prazo, mas isso não tira o alerta para o crescimento de 41%.

São Paulo

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros - São Paulo

A crise financeira no São Paulo é inegável, mas o resultado apresentado pelo relatório mostra um alento ao Tricolor, já que o encaixe entre receitas e dívidas funcionou em 2025. Como foi analisado, o clube do Morumbi diminuiu 14% seus débitos, ficando em R$ 934 milhões, e aumentou a receita em 31%, atingindo R$ 998 milhões. O ponto negativo do documento está no EBITDA recorrente ainda negativo e alta dependência da venda de atletas, principalmente daqueles que vêm das divisões de base. Além disso, o item "transparência" também ficou abaixo na avaliação.

Botafogo

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros

Entre disputas judiciais e crise financeira, o Botafogo recebeu nota negativa em todos os itens de avaliação do relatório, sendo as piores em relação a dívidas e transparência. O documento destaca "demonstrações com abstenção de opinião de auditoria", "EBITDA recorrente ainda muito negativo" e "dívida elevada, com crescimento substancial e alavancagem acima do ideal". O grande salto de receitas apontado no relatório é atrelado a transferência de atletas, atingindo um total de R$ 1,370 bilhão. Mas a dívida líquida, com crescimento apontado de 53% de 2024 para 2025, chega a R$ 2,499 bilhão.

Flamengo

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros - FLAMENGO

O Flamengo não teve nenhum ponto negativo destacado na avaliação do relatório. O item que mais chama atenção é a evolução das receitas do clube, com um aumento de 47% e total de R$ 1,973 bilhão. O relatório destaca ainda que o clube trabalha com alavancagem "bastante confortável e controlada", com "geração de caixa positiva na visão total". Houve um pequeno aumento de 8% na dívida líquida.

Fluminense

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros - FLU

O relatório, no caso do Fluminense, traz pontos de alerta, como "demonstrações financeiras com ressalvas relevantes" e o fato de que "contratações e remunerações geram pressão sobre a estrutura". O clube recebeu notas negativas em todos os itens de avaliação: operacional, receitas, dívidas e transparência. A dívida líquida teve um aumento de 20%, enquanto a receita total subiu 38% e atingiu R$ 1,022 bilhão, com aumento impulsionado por direitos de transmissão.

Vasco

Relatório da Galapagos Capital sobre as finanças dos clubes brasileiros - VASCO

Em situação complicada, o Vasco também apresenta problemas, segundo o relatório anual. Mas recebeu avaliação positiva em um dos itens, o crescimento de receitas. Também tem demonstrações financeiras com ressalvas relevantes e o destaque de que "as dívidas seguem elevadas, assim como a alavancagem". A receita total foi de R$ 570 milhões, com aumento no comercial e nos direitos de transmissão. O número é 15% maior do que a receita de 2024. Porém, a dívida diminuiu 17% e está em R$ 843 milhões.


Aposte em ambas equipes não marcam em Palmeiras x Junior Barranquilla @1.57
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