Tironi no Lance!: no Dérbi, tudo muito do que não queremos no futebol
O que aconteceu dentro e fora de campo colabora para deixar o futebol brasileiro pior e menos atrativo

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O Dérbi do fim de semana será para sempre marcado pelo fato de que o Corinthians suportou o poderoso Palmeiras jogando com inferioridade de jogadores em campo por mais da metade da partida e que terminou o jogo com dois jogadores a menos.
Mas, além disso, é necessário ressaltar que muita coisa que aconteceu dentro e fora de campo colabora para deixar o futebol brasileiro pior e menos atrativo para qualquer espectador.
A começar pela pilha completamente desproporcional que alguns dos jogadores corintianos demonstraram em campo. Se os nove que sobraram foram alçados justamente à categoria de heróis, os dois expulsos (Mateuzinho e André) estavam em uma rotação completamente além do normal.
Matheuzinho, desde o primeiro minuto, deu entradas acima do tom. Acabou expulso no segundo tempo. André, que acabou de chegar das categorias de base, fez um gesto obsceno desclassificante. E, para piorar, viu semanas atrás um companheiro seu do Corinthians ser expulso pelo mesmo ato. No caso o volante Allan.
Se o jeito macho de jogar tem relação com as ameaças sofridas pelos jogadores na semana de membros da principal torcida organizada do time, não se pode provar. Mas é uma associação bem possível.
O resultado desse show de exibição de testosterona foi que a partida teve ridículos 45 minutos e 47 segundos de bola rolando. Ou seja, o torcedor ficou vetado de ver metade do jogo, praticamente.
Dérbi teve cenas de baixaria explícita
Chegamos ao pós-jogo. Uma briga envolvendo seguranças, jogadores e dirigentes dos dois times no túnel que dá acesso ao vestiário marcou o fim da partida. Além das cenas de baixaria explícita chamou a atenção a forma como Fernando Diniz tratou o assunto: "Empurra-empurra que acontece todo jogo", normalizando algo que deveria ser condenado.
Chegamos, então, à Neo Química Arena. Não é de hoje que o estádio corintiano parece viver sob outras regras. Além da confusão na entrada do vestiário, o que se viu foi um ato racista de um torcedor ainda não identificado contra o goleiro palmeirense Carlos Miguel. Também um drone que invadiu o campo com um bicho de pelúcia para ironizar os palmeirenses. Em outro jogo já teve pipa caindo até uma cabeça de um porco. Na final do Paulista uma chuva de sinalizadores desabou sobre o gramado antes do apito final.
Se a CBF pretende moralizar o futebol brasileiro de forma a que se tenha um produto melhor, tudo o que aconteceu no Dérbi serve de contraexemplo. A partir deste jogo, a entidade pode traçar uma linha determinando que a meta é fazer tudo diferente do que se viu em Itaquera.


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