CBF apresenta propostas para estádios, horários de jogos e atuação de agentes de futebol
Entidade reúne clubes no Rio em segundo encontro para debater liga

A CBF vai aproveitar a pausa para a Copa do Mundo para fazer uma ampla vistoria nos 21 estádios que recebem jogos do Brasileirão. A intenção é fazer um raio-x completo das arenas esportivas para, futuramente, exigir um padrão uniforme dos locais que sediam jogos da Série A. A medida foi apresentada aos dirigentes de clubes das Séries A e B, que se reuniram nesta segunda-feira (25), no segundo encontro promovido pela confederação para debater uma liga de clubes.
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Além da infraestrutura dos estádios, no encontro desta segunda a CBF apresentou propostas voltadas à segurança, aos horários das partidas, à regulamentação da atuação de agentes de jogadores e de modernização do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Dessas todas, a que será implantada nas próximas semanas é uma vistoria dos 21 estádios atualmente aptos a sediar jogos da Série A. Apesar de o regulamento do Brasileirão exigir uma estrutura mínima, há discrepância entre uma série de quesitos encontrados nas arenas de norte a sul do País.
A vistoria irá abordar um total de 230 aspectos. Desse total, 200 se referem à arquitetura e engenharia dos estádios, como acesso, vestiários, áreas de competição, imprensa, entre outros; 11 referentes aos gramados; 11 sobre a iluminação esportiva; e oito sobre topografia dos campos, que inclui medidas e nivelação.
Após a coleta de dados, a CBF irá apresentar um relatório aos clubes, que terão até três anos para fazerem adequação completa. O prazo, porém, será escalonado: em até 12 meses, eles terão que fazer as correções consideradas críticas ou de baixo impacto operacional; em até dois anos, os gramados e a iluminação deverão estar uniformes. O prazo mais longo será permitido para aqueles estádios que exigirem obras mais complexas.

Calendário e horários dos jogos do Brasileirão
No encontro desta segunda-feira, a CBF também apresentou um diagnóstico sobre os horários dos jogos do Campeonato Brasileiro nas três últimas temporadas. O levantamento apontou que a pergunta "qual é o horário do futebol brasileiro?" é de difícil resposta, já que nos últimos houve 55 respostas diferentes, considerando os diferentes dias e horários em que há jogos.
A intenção da CBF é que haja delimitação de horários. A proposta é que eles se restrinjam aos que costumeiramente levam mais público aos estádios. Jogos no meio de semana às 19h, por exemplo, recebem menos torcida do que aqueles que começam entre 19h e 20h30; no fim de semana, as partidas que iniciam até às 17h também costumam atrair mais torcedores.
Além disso, a tendência é que diminua drasticamente o conflito de horários das partidas das Séries A e B.
Segurança no futebol
A CBF também está criando uma "Comissão Antiviolência do Futebol Brasileiro". Segundo a entidade, a intenção é que seja perene, e por isso deve deixar de ser comissão no futuro para se tornar um órgão maior.
A comissão irá reunir dirigentes de clubes e federações estaduais, "com diversidade regional garantida", e consultores em segurança pública, tanto do País quanto do exterior. A CBF também deverá convidar representantes das forças de segurança.
Entre as ações propostas está a ampliação do escopo sobre o que é responsabilidade dos clubes no que diz respeito à segurança no futebol. Medidas para coibir invasões de torcedores a Centros de Treinamento ou intimidação a jogadores em aeroportos, por exemplo, passariam a ser cobradas dos clubes.
Também deverá ser encaminhada uma proposta para integrar os sistemas de reconhecimento facial dos estádios aos cadastros de órgãos de segurança pública, para a localização de foragidos.
Regulamentação de agentes de jogadores
Um levantamento realizado pela CBF apontou que, atualmente, existem cerca de 2,4 mil agentes que fazem intermediação de jogadores no Brasil. Desses, 300 são agentes Fifa, enquanto os demais atuam livremente dentro do País.
A CBF irá criar um sistema de regulamentação aos mesmos moldes daquele exigido pela Fifa. Todos que atuam na intermediação de contratos entre jogadores e clubes terão de realizar um teste de qualificação.
Os contratos de agentes também terão duração máxima de dois anos, prorrogáveis pelo tempo que as partes acertarem, mas sem renovação automática. Haverá regras de transparência, exigência de contratos em moeda nacional e um órgão regulador para fiscalizar a atuação dos agentes.
STJD mais célere
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) implantou medidas para acelerar os julgamentos. A corte tem conseguido fazer com que casos sejam julgados nas Comissões Disciplinares (primeira instância) logo na primeira semana, com o recurso sendo analisado pelo Pleno (segunda instância) em até 14 dias.

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