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Calendário, gramado e idade: a combinação por trás do aumento de lesões no futebol

Médico detalha como excesso de jogos, gramado sintético e desgaste físico aumentam o risco de lesões graves no futebol

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porNathalia Gomes,
Dia 19/02/2026
08:00
Dia do Esportista traz alerta sobre graves lesões no futebol (Foto: Arte/ChatGPT)
imagem cameraDia do Esportista traz alerta sobre graves lesões no futebol (Foto: Arte/ChatGPT)

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O Dia do Esportista, comemorado neste dia 19 de fevereiro, não só reforça a importância da prática esportiva para a saúde e o bem-estar, como também liga o alerta para um tema que assombra atletas, principalmente de futebol: o risco constante de lesões graves por longos períodos que podem, até mesmo, encerrar carreiras precocemente.

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Nos últimos anos, o esporte de alto rendimento tem sido assolado por um número crescente de lesões. Entre as mais comuns, estão as musculares, que variam entre pouca e grande gravidade. Mas duas, em especial, são as mais temidas por atletas de todas as modalidades: a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e a lesão no tendão de Aquiles. Mas por que elas são tão graves?

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Em entrevista ao Lance!, o Dr. Ricardo Soares, médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD, explica os mecanismos por trás dessas lesões, os desafios da recuperação e os fatores que aumentam os riscos para os atletas. As lesões no ligamento cruzado anterior e no tendão de Aquiles estão entre as mais devastadoras para atletas de todas as modalidades.

– Essas lesões são consideradas graves porque comprometem estruturas essenciais para estabilidade e desempenho. O ligamento cruzado anterior é responsável pela estabilidade anteroposterior e rotacional do joelho. Ele impede que a tíbia se desloque para frente e controla movimentos de rotação. Quando ocorre uma ruptura completa, há perda de estabilidade articular – disse o médico, que detalhou o motivo de serem consideradas tão sérias.

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– O joelho torna-se instável, especialmente em movimentos de mudança de direção e rotação. Sem tratamento adequado, podem surgir lesões associadas, como danos aos meniscos, à cartilagem e a outras estruturas articulares. Por isso, em atletas, o tratamento cirúrgico costuma ser indicado, com recuperação longa – explicou.

– O tendão de Aquiles é fundamental para impulsão, salto e corrida. Sua ruptura completa leva à perda significativa de força e potência nesses movimentos. Trata-se ainda de uma estrutura de baixa vascularização, o que dificulta o processo natural de cicatrização, tornando o tratamento cirúrgico frequente em pacientes jovens e atletas – completou.

Infográfico sobre a lesão de aquiles e LCA
Infográfico sobre as lesões de ruptura no aquiles e LCA (Arte: NotebookLM)

Para entender a gravidade dessas lesões, é preciso também compreender a diferença entre problemas musculares e ligamentares.

– A diferença entre uma lesão muscular e uma lesão nos ligamentos ou tendões está, principalmente, nas características biológicas dessas estruturas, especialmente na vascularização. Os músculos são estruturas ricamente vascularizadas, ou seja, recebem grande aporte sanguíneo, o que favorece significativamente a capacidade de recuperação e cicatrização – afirmou.

O especialista explica que as lesões musculares são classificadas em três graus. O grau 1 corresponde, em geral, a um processo inflamatório ou estiramento, sem ruptura importante de fibras, apresentando bom potencial de recuperação entre uma e duas semanas.

As lesões de grau 2 são parciais, com ruptura de parte das fibras musculares. Nessas situações, o tratamento costuma ser clínico, com repouso inicial seguido de reabilitação, e o tempo de recuperação varia, em média, de três a seis semanas.

Já as lesões de grau 3 envolvem ruptura completa, podendo haver necessidade de tratamento cirúrgico, com períodos de recuperação mais longos e variáveis.

– Por outro lado, tendões e ligamentos apresentam menor vascularização, o que torna o processo de cicatrização mais lento. Os tendões ligam os músculos aos ossos. Lesões parciais podem ser tratadas clinicamente, enquanto rupturas completas frequentemente exigem cirurgia. Já os ligamentos unem os ossos e garantem estabilidade articular. Lesões leves apresentam recuperação mais rápida, enquanto lesões parciais ou completas demandam maior tempo de reabilitação, muitas vezes com necessidade de intervenção cirúrgica – completou.

Gramado sintético x grama natural: há um impacto real no risco de lesões?

A discussão sobre gramados sintéticos e naturais ganhou força nos últimos anos, especialmente após jogadores se manifestarem contra a utilização do piso artificial. As diferenças biomecânicas entre as superfícies e como elas influenciam no risco de lesões foram explicadas pelo dr. Ricardo Soares.

– O debate existe porque há diferenças biomecânicas importantes entre as superfícies. A grama sintética tende a gerar maior aderência entre a chuteira e o solo, deixando o pé mais preso. Isso pode aumentar o risco de lesões em movimentos torsionais. Além disso, a grama sintética apresenta menor absorção de impacto em comparação à natural, o que pode aumentar a sobrecarga nas articulações e a fadiga muscular.

➡️Gramado sintético: o que dizem estudos sobre lesões

Grama Sintética da Arena MRV (Foto: Pedro Souza / Atlético) MRV (
Grama Sintética da Arena MRV (Foto: Pedro Souza / Atlético)

– Outro fator relevante é a adaptação. A maioria dos atletas se desenvolve em gramados naturais, e mudanças na superfície alteram percepção, equilíbrio e resposta muscular. A grama natural oferece maior absorção de impacto, reduzindo o estresse articular. Já os gramados híbridos buscam minimizar essas diferenças – completou.

Estudos internacionais corroboram essa visão. Uma pesquisa da Uefa, realizada entre 2001 e 2019 e publicada no Aspetar Sports Medicine Journal, apontou que a incidência geral de lesões em gramados naturais e sintéticos é semelhante, mas há diferenças no tipo de problema: os campos de grama natural estão mais associados a lesões musculares, enquanto os sintéticos apresentam maior número de lesões ligamentares, geralmente com recuperação mais longa.

No Brasil, a realidade dos gramados é desafiadora. O alto número de jogos, a arquitetura dos estádios modernos – que projetam sombra sobre o campo – e a realização de eventos não esportivos nas arenas contribuem para o desgaste das superfícies. O calendário apertado do futebol brasileiro, com até 80 partidas por ano em alguns estádios, contra uma média de 35 na Europa, pressiona ainda mais a qualidade dos gramados.

– Fatores como calor, frio e umidade também influenciam. O calor e o ar seco aumentam a desidratação, levando à fadiga muscular e maior risco de lesões. O frio reduz a elasticidade muscular e tendínea, favorecendo distensões. Já superfícies escorregadias, como gramados molhados, alteram a aderência e elevam o risco em movimentos bruscos. Entretanto, o calendário apertado é considerado um dos fatores mais impactantes. O menor tempo de recuperação, tanto física quanto mental, aumenta significativamente o risco de lesões musculares, tendíneas e ligamentares – destacou o ortopedista.

O médico também reforça que boa parte desses problemas pode ser prevenida com cuidados básicos.

– Boa parte das lesões pode ser reduzida com medidas preventivas. Entre os cuidados fundamentais estão o fortalecimento muscular, o equilíbrio entre grupos musculares, o controle de carga de treino e jogos, a individualização dos treinos e a avaliação biomecânica. Além disso, é essencial respeitar os sinais do corpo, como dor e desconforto – afirmou.

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Como a idade influencia nas lesões?

Outro fator determinante para o surgimento e a gravidade das lesões é a idade do atleta. O médico constatou que, nos últimos anos, houve um aumento em certos tipos de problema, e a idade do atleta tem papel importante no cenário.

– Observa-se um aumento principalmente em lesões musculares e tendíneas. Os principais fatores associados são calendários mais exigentes, maior intensidade dos jogos e menor tempo de recuperação – explicou.

Quando questionado sobre por que algumas lesões deixam de ser pontuais e passam a acompanhar o atleta por longos períodos, o médico destaca o papel da idade e do tecido cicatricial.

– Sim, a idade é um fator relevante. Com o tempo, ocorrem redução da elasticidade muscular, alterações de força e maior propensão a desequilíbrios musculares. Outro ponto importante é o tecido cicatricial. Após uma lesão, forma-se um tecido diferente do muscular original. Isso gera alterações na distribuição de forças, aumentando o risco de relesão local. O tecido cicatricial apresenta propriedades distintas do músculo saudável, o que explica por que algumas lesões deixam de ser pontuais e passam a se tornar recorrentes – completou.

Infográfico sobre um tecido muscular normal e com cicatrizes (Foto: NotebookLM)
Infográfico sobre um tecido muscular normal e com cicatrizes (Foto: NotebookLM)

À medida que o corpo envelhece, a perda natural de massa muscular e de elasticidade dos tendões e ligamentos torna as estruturas mais suscetíveis a lesões. Atletas mais jovens, por outro lado, têm maior capacidade de recuperação, mas também estão mais expostos a problemas por sobrecarga, principalmente em fases de crescimento acelerado.

O calendário cada vez mais apertado do futebol mundial também contribui para o aumento das lesões. Jogadores atuam em múltiplas competições, viajam constantemente e têm pouco tempo para descanso e recuperação adequados. O acúmulo de fadiga, somado à falta de períodos de pausa, eleva exponencialmente o risco de problemas musculares e ligamentares.

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Para atletas em fases mais avançadas da carreira, a gestão de carga se torna ainda mais crucial. O planejamento cuidadoso dos treinos, a alternância entre períodos de alta intensidade e recuperação e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para preservar a integridade física e prolongar a vida útil no esporte de alto rendimento.

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Por que o Dia do Esportista é comemorado dia 19 de fevereiro?

O Dia do Esportista, originalmente, foi criado a partir da Lei nº 8.672, de 6 de Julho de 1993, conhecida como "Lei Zico". No artigo 54 constava que o dia 19 de fevereiro seria destinado como Dia do Esportista. A data tem o objetivo de incentivar, conscientizar e homenagear a prática do esporte, como meio para o desenvolvimento de uma vida muito mais saudável.

A proposta não se limita aos atletas profissionais, mas também valorizava todos aqueles que praticam atividades físicas no dia a dia. Com o passar dos anos, a data passou a ter maior destaque em escolas, clubes e competições, tornando-se um instrumento de conscientização contra o sedentarismo. A

lém disso, reforça a importância de políticas públicas que ampliem o acesso ao esporte e promovam qualidade de vida à população.

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