Sensação da Champions, Bodo/Glimt tem DNA de time brasileiro; entenda
Equipe usa gramado sintético, campanha parecida com Mirassol e calendário igual ao brasileiro

- Matéria
- Mais Notícias
O Bodo/Glimt é a grande sensação da atual edição da Champions League. O modesto time da Noruega, que muitos europeus mal sabiam localizar no mapa, vem protagonizando uma história digna de roteiro de cinema. Na última quarta-feira (11), a equipe venceu o Sporting por 3 a 0 no jogo de ida das oitavas de final e está a um passo de igualar a melhor campanha de um clube norueguês na história da competição. Mas por trás da equipe que já eliminou a Inter de Milão e venceu Manchester City e Atlético de Madrid, há uma série de curiosidades que aproximam os noruegueses da realidade do futebol brasileiro.
Relacionadas
A primeira curiosidade que aproxima o Bodo/Glimt dos clubes brasileiros é o calendário. Diferente das principais ligas europeias, que seguem o modelo de agosto a maio, o Campeonato Norueguês é disputado entre março e novembro. O motivo é simples: o inverno rigoroso no país, com temperaturas congelantes e neve constante, inviabiliza a prática do futebol nos meses mais frios. Isso fez com que o Bodo/Glimt entrasse em 2026 com apenas treinos e jogos-treinos, enquanto seus adversários na Champions acumulavam partidas oficiais. Entre 10 de dezembro e 11 de março, o time norueguês disputou sete jogos. No mesmo período, o Manchester City entrou em campo 26 vezes.
A diferença é tão gritante que virou piada entre os torcedores: o Bodo/Glimt é o único time da Champions que tira férias de inverno enquanto os gigantes europeus se estraçalham em campo. Mas a pausa forçada não parece ter atrapalhado – pelo contrário. A equipe voltou descansada e atropelou o Sporting, mostrando que, no futebol, nem sempre quem mais joga leva vantagem.
Outra semelhança com o futebol brasileiro é o uso do gramado sintético. O Aspmyra Stadion, casa do Bodo/Glimt, tem capacidade para pouco mais de 8 mil torcedores e utiliza piso artificial. Não é uma escolha estética ou tática, mas uma questão de sobrevivência: a cidade de Bodo fica a 80 quilômetros do Círculo Polar Ártico. O frio extremo e a ausência de sol em partes do ano simplesmente impossibilitam a manutenção de grama natural.

O debate sobre o sintético é antigo no Brasil, onde clubes como Palmeiras, Athletico-PR e Atlético-MG adotaram o piso artificial e vivem sob críticas de jogadores e treinadores. No caso do Bodo/Glimt, não há polêmica: é a única solução possível. E eles aprenderam a tirar proveito disso. O time conhece cada centímetro do campo, sabe como a bola vai se comportar e usa isso a seu favor. Os visitantes, acostumados à grama natural, precisam se adaptar em poucos dias a uma realidade completamente diferente.
Mas talvez a coincidência mais curiosa seja a conexão com o Mirassol. O clube do interior paulista, que também veste amarelo, protagonizou uma campanha histórica no Brasileirão do ano passado, terminando no G-4 e garantindo vaga inédita na Libertadores. Assim como o Bodo/Glimt, o Mirassol era visto como um time já rebaixado antes mesmo de a bola rolar. Bastou o campeonato começar para que todas as previsões caíssem por terra.
As duas equipes compartilham mais do que a cor da camisa. Compartilham a essência de desafiarem gigantes com orçamentos muito superiores, a convicção de que um bom projeto pode superar qualquer diferença financeira e a certeza de que, no futebol, o tamanho do clube se mede dentro de campo.
Antes do duelo contra a Inter de Milão, o Mirassol mandou uma mensagem de apoio aos noruegueses. O capitão Reinaldo gravou um vídeo desejando sorte, e o técnico Rafael Guanaes também deixou seu recado. Do outro lado do Atlântico, o atacante Jens Petter Hauge, que soma seis gols e duas assistências na Champions, retribuiu o carinho com uma declaração que resume o espírito das duas equipes.
– Boa sorte. Desejo o melhor para eles, que mostraram que qualquer coisa é possível no futebol. É por isso que amamos esse esporte – disse o jogador.
➡️ Aposte nos jogos das oitavas de final da Champions League!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
A campanha histórica do Bodo/Glimt na Champions League
O Bodo/Glimt disputa a Champions League pela primeira vez na história e já escreveu seu nome na competição com feitos impressionantes. Na fase de liga, venceu o Manchester City por 3 a 1 e bateu o Atlético de Madrid fora de casa por 2 a 1. Também empatou com o Borussia Dortmund e deu trabalho para a Juventus, que venceu por 3 a 2 em um jogo muito mais apertado do que o placar sugere.
Nos playoffs, a equipe norueguesa eliminou a Inter de Milão, vice-campeã europeia, com duas vitórias incontestáveis: 3 a 1 em casa e 2 a 1 fora. A Inter, que havia chegado à final da competição na temporada anterior, simplesmente não teve forças para conter o furacão amarelo. Os italianos viram o sonho do título escapar diante de um time que, até poucos anos atrás, lutava para se manter na primeira divisão norueguesa.
Nas oitavas de final, o Bodo/Glimt recebeu o Sporting no Aspmyra Stadion e aplicou mais uma goleada: 3 a 0, com gols de Sondre Fet (de pênalti), Didrik Blomberg e Kasper Hogh. O placar poderia ter sido ainda mais elástico, não fosse a atuação do goleiro adversário. O Sporting, que terminou a fase de liga na sétima colocação, à frente de gigantes como PSG e Real Madrid, saiu de campo atordoado, sem entender muito bem o que havia acontecido.

Caso confirme a classificação em Lisboa, o Bodo/Glimt igualará a melhor campanha de um clube norueguês na história da Champions. O Rosenborg, maior campeão nacional, chegou às quartas de final em 1996/97. Quase 30 anos depois, um time do Círculo Polar Ártico pode repetir o feito.
E o mais impressionante é que tudo isso acontece em um clube que, até 2017, estava na segunda divisão norueguesa. A ascensão meteórica tem um nome: Kjetil Knutsen. No comando desde 2018, o técnico implementou um estilo de jogo agressivo, com pressão alta e transições rápidas, que derrubou gigantes e encantou a Europa. Knutsen não se surpreende com os resultados. Depois da vitória sobre o Sporting, ele resumiu sua filosofia em poucas palavras.
– Foi uma boa atuação, mas não me surpreende – disse o treinador.
O time que ele construiu é muito mais do que a soma de suas partes. É um conjunto que joga junto há anos, que conhece perfeitamente suas funções e que acredita piamente no que faz. Não há estrelas individuais, mas um coletivo que funciona como uma engrenagem bem azeitada. O meia Jens Petter Hauge, um dos destaques da equipe, encontrou a metáfora perfeita para explicar o momento mágico vivido pelo clube.
– Uma das coisas mais bonitas do futebol é que, não importa o quão pequena seja a vila ou o quão frio esteja aqui durante o inverno, quando o árbitro apita, é 11 contra 11. Tudo pode acontecer – afirmou o jogador.
E tudo tem acontecido para o Bodo/Glimt. Agora, a equipe se prepara para o jogo de volta em Lisboa, onde tentará confirmar a vaga nas quartas de final e escrever mais um capítulo nessa história que já parece roteiro de cinema. Se depender do que mostraram até aqui, ninguém duvida que sejam capazes.
📲 De olho no Lance! e no Futebol Internacional. Todas as notícias, informações e acontecimentos em um só lugar.
➡️ Siga o Lance! no Google para saber tudo sobre o melhor do esporte brasileiro e mundial
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















