Raí avalia evolução do PSG e aposta no talento brasileiro para decisão da Champions
Raí projetou a final da Champions League

Raí foi um dos nomes mais marcantes de toda a história do Paris Saint-Germain. Ídolo do clube, o craque sempre é exaltado pela torcida francesa até os dias atuais. Mas, de toda a trajetória vitoriosa, ficou faltando um título: a Champions League.
O Lance! conversou com o ídolo para entender um pouco mais da sua relação com o clube e as projeções de um sonho inédito parisiense que pode ser realizado neste sábado, na grande final da Champions, contra a Inter de Milão.
Raí na Liga dos Campeões
Lenda do São Paulo, Raí esteve presente em duas edições: 1994/95 e 1997/98. A sua melhor campanha foi ter chegado até uma semifinal. Neste ano, hoje aposentado, carrega a torcida no coração, mas também dá o caminho das pedras para o time. Para ele, em comparação com aquela época, hoje o clube se destaca principalmente pelo investimento que recebe.
— Bom, naquela época eu acho que já era, né? O Paris já mantinha um projeto de começar a ter a ambição de ser um dos melhores clubes da Europa. Então, ele contratou jogadores e eu nessa época. Óbvio que hoje em dia isso tem um poder de investimento muito maior do que na minha época, então isso valoriza ainda mais. Então, foi a primeira vez que a gente chegou numa semifinal da Liga dos Campeões, perdemos para o Milan, ganhamos do Barcelona nas quartas de final e perdemos para o Milan. Mas ainda, cara, o time estava começando essa ambição de ser um dos melhores do mundo, da Europa — relembrou Raí.
— Então, estou muito orgulhoso de ter feito parte dessa época e a gente, além de ter sido campeão francês antes, a gente ganhou também, depois dessa semifinal, a gente ganhou uma Copa Europa. Não era a Copa dos Campeões, era chamada na época de Recopa. E não deixa de ser uma Copa Europeia, então é a única do clube até hoje — completou.
Raí fez história no PSG
E mesmo sem a Champions, Raí fez história. Inclusive, é homenageado até os dias atuais, recebido com música em restaurantes e, recentemente, ganhou até mesmo uma homenagem em um quarto localizado no Novotel, no bairro do Morumbi, onde atendeu à reportagem. Nas paredes, há fotos históricas da sua passagem.
Em 2020, o jogador foi eleito o melhor da história do PSG. O ex-jogador lembra com carinho desses momentos.
— No final, na semifinal da Champions League, agora, no último jogo, tinha a minha imagem na bandeira. Então, é bom esse reconhecimento ainda da história, do momento que marcou a história. E aqui, nesse quarto, acabam tendo várias fotos desses momentos alegres e também momentos fortes, né, do clube, da história do clube. E que marcou uma época, né, eu joguei nos anos 90, de 93 até 98, e foi uma equipe que marcou essa época, e eu era o capitão. Foi um símbolo, e é legal que lá eles valorizam essa história, e até hoje, né, já fazem mais de 30 anos, quase 30 anos que eu saí de lá e continuo ainda com uma boa relação — contou sobre as homenagens que recebe até hoje, enquanto apresentava o quarto de hotel que conta sua história.

— E quando eu tô na rua, lá em Paris, assim, mesmo quase 30 anos depois, as pessoas olham pra mim e falam "capitão, capitão, capitão", tem um respeito, tem uma ótima música que eles cantavam no estádio, que também, às vezes eu entro em algum restaurante, eles começam a cantar. Então, é bom que você sente que foi valorizado, que marcou, né, que marcou a história do clube, que marcou uma época — relatou Raí ao Lance!.
Ninguém melhor que Raí para falar de algo que pode ser a chave do PSG em busca da conquista inédita: o legado brasileiro, assunto que também foi abordado durante a entrevista com o craque.

Legado brasileiro e o segredo para o PSG
Raí aposta no legado brasileiro como chave para a conquista do PSG na Champions League. Sobre o caminho do time, o ídolo afirmou que entende que é um bom time e que vive uma grande fase. Para ele, trata-se de um grupo jovem e dedicado.
— Agora, tem muitos jovens ali que são titulares hoje em dia, jogadores decisivos, mas que são jogadores de 20, 21 anos, que vão ser muito famosos em termos de reconhecimento mundial, com certeza, pelo talento que têm. Então, é um grupo jovem que está muito dedicado, muito esforçado, que tem talento, mas ao mesmo tempo eles marcam muito. Obedecem sempre as ordens do treinador à risca. O Luis Henrique faz um trabalho muito bom. E acho que é continuar, eles são favoritos. Primeira vez que dá para mostrar, apesar de um time jovem, que é favorito — revelou Raí.
— E essa tradição de jogadores brasileiros, eu acho que começou lá atrás. Quando eu cheguei depois, tinha o Valdo, o Ricardo, tinha alguns brasileiros que estavam começando. Eu acho que essa fase do clube, muito querido, que sempre com dois, três brasileiros, depois vem Ronaldinho, Neymar, tem vários outros jogadores brasileiros que passaram por lá. Mas a torcida do Paris Saint-Germain, eu acho que na minha época começou, sempre espera um toque de brasileiro. E dessa vez, se o Paris Saint-Germain ganhar, quem vai levantar a taça é o capitão, que é o Marquinhos, que é um brasileiro que já está lá há sete anos, já tem uma trajetória linda. O Marquinhos, que também é muito respeitado, não só como atleta, mas também como líder, como homem — disse Raí, exaltando o capitão do time.
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