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Inglaterra dispara, Espanha encolhe: a nova ordem na Europa

Veja análise dos últimos dez anos de competições europeias entre clubes dos dois países

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porNathalia Gomes,
Dia 14/02/2026
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Real Madrid x Manchester City - Vini Jr e Kyle Walker
imagem cameraKyle Walker marca Vini Jr. em duelo entre Real Madrid e Manchester City (Foto: OSCAR DEL POZO / AFP)

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A fase de liga da Champions League mostrou para a Europa o que já vinha ficando claro nas últimas temporadas: os times da Premier League estão dominando seus concorrentes. No novo formato da competição, que desde 2024/25 substituiu a fase de grupos, cada clube joga oito partidas contra adversários diferentes, e os oito primeiros colocados avançam direto às oitavas de final. É um sistema que exige regularidade – e os ingleses mostraram que têm isso de sobra.

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Cinco clubes ingleses terminaram entre os oito primeiros e garantiram vaga direta às oitavas. Do lado espanhol, apenas o Barcelona conseguiu o mesmo. Real Madrid e Atlético de Madrid, dois dos três gigantes de La Liga, vão para os playoffs. Athletic Bilbao e Villarreal nem passaram pela fase de liga. A Inglaterra, além dos cinco classificados, ainda tem o Newcastle nos playoffs – ou seja, pode colocar um sexto time nas oitavas.

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Essa diferença acende um debate: os ingleses realmente se tornaram mais consistentes do que os espanhóis? Ou o peso histórico de Real Madrid e Barcelona ainda mantém a Espanha no topo? Para responder, é preciso olhar além de uma temporada e analisar o desempenho dos dois países nas três competições da Uefa nos últimos dez anos – de 2015/16 até agora, 2025/26. Todos os números usados aqui são baseados no coeficiente oficial da Uefa, que mede o desempenho dos clubes apenas em torneios europeus.

O ranking que mostra a força das ligas

Antes de falar dos clubes, vale entender como a Uefa calcula o coeficiente nacional. A cada temporada, os pontos conquistados por todos os times de um país nas competições europeias são somados. Vitória vale dois pontos, empate vale um – nas fases preliminares os valores são menores. Tem também bônus para quem avança de fase: chegar à fase de grupos, às oitavas, às quartas... No fim, o total é dividido pelo número de clubes que o país inscreveu no início. O ranking final considera a soma das últimas cinco temporadas.

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Pois bem: em 2025/26, a Inglaterra lidera com 111.797 pontos acumulados no período de cinco anos. A Espanha aparece em terceiro, com 90.484, atrás até da Itália. Os números ano a ano mostram claramente a mudança de forças:

Pontuação da Federação da Espanha e Federação da Inglaterra nos últimos 10 anos no ranking da Uefa. (Arte: NotebookLM)
Pontuação da Federação da Espanha, em vermelho, e Federação da Inglaterra, em azul, nos últimos 10 anos no ranking da Uefa. (Arte: NotebookLM)

A Inglaterra não chegou ao topo por acaso. Ela tem sido mais regular: em seis das últimas dez temporadas, passou dos 20 mil pontos. A Espanha, que já dominou, viu seus números caírem a partir de 2020/21, com duas temporadas seguidas abaixo dos 17 mil – algo impensável na época do triplete espanhol.

Ascensão inglesa, queda espanhola: a trajetória dos clubes

Para entender como chegamos aqui, vale percorrer a última década competição por competição. Nas dez edições completas entre 2015/16 e 2024/25, os clubes ingleses chegaram a 23 semifinais nas três competições europeias, contra 22 dos espanhóis. Em finais, a vantagem inglesa é maior: 16 aparições contra 12. Mas quando o assunto é ganhar o título, a Espanha leva a melhor: venceu 10 das 12 finais que disputou (83%), enquanto a Inglaterra venceu 8 de 16 (50%).

Comparação de clubes espanhóis e ingleses nas competições internacionais (Arte: NotebookLM)
Comparação de clubes espanhóis e ingleses nas competições internacionais (Arte: NotebookLM)

Champions League: o reinado do Real Madrid e a reação inglesa

Nas dez temporadas de Champions entre 2015/16 e 2024/25, a Espanha levou mais títulos: cinco contra três dos ingleses. Mas os detalhes mostram uma história mais complexa.

O Real Madrid é o grande nome. Venceu em 2015/16, 2016/17, 2017/18, 2021/22 e 2023/24 – cinco taças. Só por isso a Espanha já estaria na frente. O Barcelona, porém, vive um jejum desde 2015. A equipe soma eliminações dolorosas, como duas viradas no placar agregado: para a Roma, em 2017/18, e para o Liverpool, em 2018/19; além de duas quedas consecutivas para a Europa League em 2021/22 e 2022/23, quando jogou a fase de grupos da Champions League, não se classificou para o mata-mata, ficou na 3ª posição e acabou indo para a Europa League. O Atlético de Madrid chegou a uma final (2015/16) e a algumas semifinais, mas nunca venceu.

Pelo lado inglês, os títulos foram mais divididos: Liverpool (2018/19), Chelsea (2020/21) e Manchester City (2022/23). Tottenham foi vice em 2018/19, e Liverpool perdeu outras duas finais (2017/18 e 2021/22). O City, depois de muito investimento, finalmente levantou a taça, e o Chelsea conquistou o segundo título na década.

Em semifinais, o equilíbrio é grande: 12 inglesas, 11 espanholas. Nas finais, são 7 inglesas e 6 espanholas. Mas o que realmente pesa são os confrontos diretos. Em 22 duelos eliminatórios entre ingleses e espanhóis na Champions, a Espanha venceu 16, e a Inglaterra só 6. O principal carrasco tem nome: Real Madrid, que venceu 10 dos 12 confrontos que disputou, incluindo duas finais contra o Liverpool (2017/18 e 2021/22) e eliminações marcantes de Manchester City (2015/16, 2021/22, 2023/24) e Chelsea (2021/22, 2022/23).

Europa League: equilíbrio total

Se na Champions a Espanha leva vantagem graças ao Real Madrid, na Europa League o equilíbrio é absoluto. Das dez edições entre 2015/16 e 2024/25, os espanhóis ganharam cinco títulos, os ingleses três. Nos confrontos diretos, foram 18 duelos eliminatórios, com nove vitórias para cada lado.

O Sevilla é o grande nome, com três títulos no período (2015/16, 2019/20, 2022/23) – confirmando por que é chamado de "Rei da Europa League". Villarreal (2020/21) e Atlético de Madrid (2017/18) completam a lista espanhola. Pela Inglaterra, venceram Manchester United (2016/17), Chelsea (2018/19) e Tottenham (2024/25).

A diferença está na profundidade. Enquanto a Espanha concentra seus títulos em três clubes (Sevilla, Villarreal, Atlético), a Inglaterra teve oito times diferentes chegando a fases finais: Manchester United, Arsenal, Tottenham, Liverpool, Chelsea, West Ham, Leicester e Wolves. Times como Wolverhampton e Brighton chegarem às oitavas mostra que a Premier League consegue fazer até equipes de meio de tabela serem competitivas na segunda competição europeia.

Conference League: domínio inglês absoluto

Criada em 2021/22, a Conference League ainda é nova, mas já mostra uma tendência clara: os ingleses dominam. Em três edições completas (até 2024/25), a Inglaterra venceu duas (West Ham em 2022/23 e Chelsea em 2024/25). A Espanha tem um vice (Real Betis em 2024/25) e nenhum título.

Nos confrontos diretos, foram três duelos eliminatórios entre ingleses e espanhóis, com três vitórias britânicas – incluindo a final de 2024/25, em que o Chelsea bateu o Betis. A terceira competição da Uefa, muitas vezes vista como menos importante, escancara a força coletiva do futebol inglês: clubes que não brigam pelo título da Premier League, como West Ham e Aston Villa, chegam longe e até vencem.

Confrontos diretos: o peso do Real Madrid

No total, considerando as três competições, Inglaterra e Espanha se enfrentaram 43 vezes em fases eliminatórias (mata-mata) na última década. O placar é apertado: 19 vitórias espanholas, 18 inglesas. Mas a divisão por competição mostra nuances importantes:

  1. Champions League: 22 confrontos eliminatórios, 16 vitórias espanholas, 6 inglesas. O Real Madrid sozinho venceu 10 desses 16 duelos.
  2. Europa League: 18 confrontos eliminatórios, 9 vitórias para cada lado.
  3. Conference League: 3 confrontos eliminatórios, 3 vitórias inglesas.

Os números mostram que, quando o adversário não é o Real Madrid, os ingleses equilibram ou até superam os espanhóis. O Liverpool, por exemplo, enfrentou times espanhóis cinco vezes na Champions em fases de mata-mata: venceu duas (ambas contra o Barcelona) e perdeu três (duas para o Real Madrid, uma para o Atlético). O Manchester City também teve cinco duelos eliminatórios: venceu dois (contra o Real Madrid em 2019/20 e 2022/23) e perdeu três (todas para o Real Madrid). Sem o clube merengue, o retrospecto espanhol em confrontos diretos cairia drasticamente.

Ranking comparativo entre clubes ingleses e espanhóis em finais europeias (Arte: NotebookLM)
Ranking comparativo entre clubes ingleses e espanhóis em finais europeias (Arte: NotebookLM)

Outro dado que mostra a consistência inglesa é a média de clubes que avançam às fases eliminatórias. Nas últimas dez Champions, a Inglaterra colocou, em média, 4,2 times por ano nas oitavas de final, contra 2,8 da Espanha. Na Europa League, a diferença é ainda maior: 3,1 ingleses contra 2,3 espanhóis. Isso reflete a profundidade do futebol britânico, que mantém vários representantes vivos por mais tempo.

Os clubes individualmente: quem carrega o peso?

A análise por clube reforça que a Espanha depende muito de seus três gigantes, enquanto a Inglaterra construiu uma base mais ampla.

Na Espanha, Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid participaram de todas as 11 edições da Champions no período – são 33 participações no total. O Real Madrid tem cinco títulos e, nos últimos dois anos, foi para os playoffs (seu pior desempenho). O Barcelona viveu sua pior década: duas eliminações na fase de grupos (2021/22 e 2022/23) e nenhum título. O Atlético chegou a uma final e a algumas quartas, mas também caiu na fase de grupos duas vezes (2017/18 e 2022/23) e nunca venceu. Sevilla, Villarreal, Valencia e outros aparecem de forma esporádica e irregular – o Sevilla, por exemplo, tem cinco eliminações na fase de grupos em sete participações.

O Barcelona não vence a Champions desde 2015. Sua melhor campanha no período foi uma semifinal (2018/19 e 2024/25), mas acumulou duas quedas na fase de grupos e duas nas oitavas. O Atlético, além da final de 2015/16, teve algumas quartas, mas também duas eliminações na fase de grupos. Juntos, os dois gigantes somam apenas três semifinais na última década – o mesmo número que o Liverpool sozinho.

Na Inglaterra, o cenário é outro. O Manchester City participou de dez Champions e venceu uma. O Liverpool esteve em oito, com um título e três vices. O Chelsea tem sete, com um título. O Arsenal, em sete, chegou a uma semifinal. O Tottenham, em seis aparições, foi vice uma vez. O Manchester United, em cinco, teve as quartas como melhor posição. Newcastle, Aston Villa e Leicester, mesmo com poucas participações, chegaram a fases eliminatórias. Na Europa League, a lista de ingleses que passaram da fase de grupos inclui ainda West Ham, Wolves, Brighton, Southampton e Everton – algo impensável na Espanha, onde os mesmos Sevilla, Villarreal e Betis se repetem.

Os fatores por trás da ascensão inglesa

O que explica essa mudança? Em grande parte, o dinheiro. A Premier League virou uma máquina de gerar receita: seis de seus clubes estão no top-10 da "Deloitte Football Money League", e metade dos 30 times mais ricos do mundo é inglês. Na última janela de transferências, os clubes ingleses gastaram mais de 3 bilhões de euros – valor superior ao gasto somado de La Liga, Serie A e Bundesliga. Essa disparidade permite montar elencos mais profundos e competitivos, com menos queda de rendimento entre titulares e reservas.

Stephen Warnock, ex-lateral do Liverpool, resumiu bem à BBC Sport: "O principal motivo para o domínio dos clubes ingleses é o poder financeiro da Premier League. Isso permite montar elencos mais completos e competir em alto nível em várias frentes."

Outro fator é a intensidade física. O ritmo acelerado da Premier League, com jogos disputados em alta velocidade e muito contato, prepara os jogadores para o estilo mais cadenciado das competições europeias. Anthony Gordon, atacante do Newcastle, destacou esse fator em entrevista coletiva antes da competição.

– A Premier League é mais física do que nunca. O jogo é intenso o tempo todo. Na Champions, os times tentam controlar mais a bola, jogar de forma mais cadenciada. Isso acaba favorecendo quem está acostumado à intensidade constante – disse o jogador.

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O reflexo apareceu na fase de liga da Champions 2025/26: Arsenal, Liverpool, Tottenham, Chelsea e Manchester City no top-8, Newcastle nos playoffs. Enquanto isso, a Espanha viu Barcelona ser o único classificado direto, Real Madrid e Atlético irem aos playoffs, e Athletic Bilbao e Villarreal serem eliminados. Itália, Alemanha e França também tiveram desempenhos fracos, com nenhum ou apenas um classificado direto.

Conclusão: consistência coletiva x eficiência espanhola

Os números da última década mostram que Inglaterra e Espanha seguiram caminhos diferentes. A Espanha, apoiada no Real Madrid – um clube que venceu cinco Champions e dez dos 12 confrontos diretos contra ingleses –, mantém uma eficiência impressionante quando chega às fases finais. Mas fora isso, seus outros clubes oscilam: Barcelona viveu sua pior década, Atlético não venceu, Sevilla e Villarreal só brilham na Europa League, e os demais mal aparecem.

A Inglaterra, por outro lado, construiu uma consistência coletiva rara. Seus clubes chegam em maior número, avançam mais vezes, ocupam as primeiras posições nas fases de liga e colocam representantes em todas as competições. O coeficiente da Uefa reflete essa supremacia recente, e a Premier League se consolidou como a liga mais forte do continente.

Resta saber se o Real Madrid continuará sendo o algoz dos ingleses nas fases eliminatórias ou se a maré britânica finalmente conseguirá transformar sua superioridade numérica em mais títulos. Por enquanto, os números indicam que, em termos de consistência – a capacidade de vários clubes chegarem longe regularmente –, a Inglaterra leva vantagem. Mas a Espanha ainda tem o clube mais consistente de todos.

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