Hungria de 1954: a influência de Ferenc Puskás na história e em time da Conference League 70 anos depois
Ídolo do Real Madrid e dos 'Mágicos Magiares', ex-atacante dá nome a clube da terceira principal competição europeia

Ferenc Puskás é um dos nomes mais conhecidos da história do futebol europeu. Ídolo da Hungria e do Real Madrid nos anos 50 e 60, o ex-atacante dá nome ao prêmio de gol mais bonito do ano desde 2009, e fez parte de uma geração histórica de sua seleção.
A influência do "Major Galopante" no futebol é tão grande que um time de seu país carrega seu nome. O Puskás Akadémia, criado em 2005 como uma academia de formação, ganhou relevância rápida no país, está na disputa da Conference League e jogará nesta quinta-feira (29) contra a Fiorentina, pela fase de play-offs, com transmissão exclusiva do Lance!. Relembre a história da lenda no futebol e como sua geração na seleção entrou para a história dos Mundiais.
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Nascido em Budapeste-HUN, Puskás fez longa carreira no Honvéd, com formação nas categorias de base e 13 anos como profissional no clube. Em sua trajetória, foi parte crucial de cinco títulos do Campeonato Húngaro, os únicos na história de sua então equipe, com média superior a um gol por jogo.
Em 1958, o Real Madrid contratou o atacante para se tornar um dos pilares de um time multicampeão da Champions League. Já tendo emendado três títulos anteriores, os Merengues contaram com Puskás para dobrar a quantidade, alcançando as taças em 1958-59, 1959-60 (com direito a quatro gols do atacante) e 1965-66, em dupla infernal com o argentino Alfredo Di Stéfano.

Mas a grande história de sua vitoriosa carreira, por incrível que pareça, terminou com um gosto de amargor para seu povo. Na Copa do Mundo de 1954, representando a Hungria, Ferenc fez parte de uma revolução que até hoje é lembrada por estudiosos das táticas do esporte.
Até então, o esquema que dominava o futebol era o WM, uma montagem que incluía três zagueiros, dois volantes, dois meias e três atacantes. O inventor desta variação foi justamente um húngaro, Dori Kürschner, que trouxe sua moda para o Brasil em 1937 sob o comando do Flamengo.
Porém, à frente da Hungria, o genial Gusztáv Sebes estudou e montou sua fonte de vitórias com uma simples mudança. Ao invés de jogar com dois meias e três atacantes, recuou um dos atacantes e montou o WW, ou 3-2-3-2. Assim, dava profundidade aos centrais abertos para atacar as pontas, e com volantes habilidosos, se aproveitava de passes rápidos entre as defesas para ver seu time balançar as redes adversárias.
E assim foi durante anos e anos. Em 1949, o treinador assumiria a seleção e, em maio do ano seguinte, iniciaria uma invencibilidade de quatro anos. Nas Olimpíadas de 1952, conquistou o ouro olímpico ao marcar 20 gols e sofrer apenas dois na campanha, além de vencer a Inglaterra em 53 em Wembley e chocar o mundo, sendo o primeiro time não-britânico a conseguir o feito desde 1901.
👥 O TIME-BASE DE 1954
⚽ GOL: Grosics
⚽ ZAG: Lantos
⚽ ZAG: Buzánszky
⚽ ZAG: Loránt
⚽ VOL: Boszik
⚽ VOL: Zakariás
⚽ MEI: Tóth
⚽ MEI: Hidekguti
⚽ MEI: Czibor
⚽ ATA: Kocsis
⚽ ATA: Puskás
📑 TÉC: Gusztáv Sebes
A Copa do Mundo de 1954, portanto, seria a cereja do bolo da geração, que ficou conhecida como "Os Mágicos Magiares". Na fase de grupos, incríveis 17 gols em dois jogos, batendo a Coreia do Sul por 9 a 0 e a Alemanha Ocidental por 8 a 3. Porém, contra os germânicos, Puskás, que tinha boas atuações, sofreu uma entrada do zagueiro Liebrich e saiu lesionado.
O astro não pôde, portanto, jogar as quartas e as semifinais. Coube a uma geração recheada de outros atletas de qualidade entrar em campo. Contra o Brasil, a "Batalha de Berna": um dos jogos mais violentos da história dos Mundiais, três expulsões e vitória europeia por 4 a 2; diante do Uruguai, que não contava com seu eterno capitão Obdulio Varela, empate em 2 a 2 no tempo normal e dois gols do ótimo atacante Kocsis no tempo extra, levando os húngaros à decisão.

Na final, o time era considerado favorito contra a própria Alemanha Ocidental, a mesma que tirara Puskás de ação anteriormente. A geração de Sepp Herberger, naquele dia, sabia da dificuldade que enfrentaria, mas não contava com o retorno do astro da Hungria.
Puskás entrou em campo na final, em um jogo prejudicado pela chuva, e abriria o placar logo aos seis minutos da primeira etapa. A vantagem seria ampliada por Czibor dois minutos depois. Em Berna, a decisão já era tida como vencida pelos Magiares.
Porém, Morlock diminuiu o placar, e Rahn deixou tudo igual ainda aos 18'. Em um espaço de 12 minutos, o 2 a 2 apareceria no placar. Cansados, os húngaros sentiram o peso do campo na segunda etapa, e em um espaço deixado pela defesa no rebote, Rahn novamente apareceria para virar a partida e colocar a Alemanha em vantagem a seis minutos do fim.
Puskás, insistentemente em campo, se arrastou na reta final e voltou a balançar as redes, mas o gol seria anulado por impedimento. O jogo seria encerrado logo depois pelo árbitro inglês Willian Ling. A eterna geração dos Mágicos Magiares seria derrotada de forma inesperada, perdendo uma invencibilidade de 32 jogos e quatro anos. Era o fim para Puskás, e um milagre, ou melhor, o "Milagre de Berna" para os alemães.
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Apesar da derrota, Ferenc protagonizaria momentos eternamente lembrados por seu povo. A injustiça da Copa do Mundo de 1954 não foi suficiente para diminuir o legado do atacante, que até hoje, exerce sua influência. Torcedores do Real Madrid seguem em êxtase ao ouvir seu nome; a Hungria nunca mais encontrou alguém com tamanha qualidade e poder de decisão e encantamento.
Em 2005, o Puskás Akadémia foi criado como um homenagem a toda a história construída pela lenda do país. 19 anos depois, a missão é alcançar a fase de grupos da Conference League, e para isso, joga em sua casa, precisando de uma vitória simples contra a Fiorentina após empate em 3 a 3 na ida em Florença.
O duelo entre os dois times acontecerá nesta quinta-feira (29), às 16h (de Brasília), na Pancho Arena, em Felcsút (HUN). A transmissão para o Brasil será realizada exclusivamente pelo Lance!.

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