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Caso Vini Jr-Prestianni: relembre os capítulos da polêmica

Veja desdobramentos do episódio após quase uma semana do ocorrido

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porNathalia Gomes,
Dia 25/02/2026
08:00
Atualizado há 4 minutos
Árbitro aciona protocolo antirracismo após denúncia de Vini Jr no jogo entre Benfica e Real Madrid pela Champions
imagem cameraÁrbitro aciona protocolo antirracismo após denúncia de Vini Jr no jogo entre Benfica e Real Madrid pela Champions (Foto: Filipe Amorim/AFP)

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Há uma semana, o Real Madrid venceu o Benfica com um gol que saiu aos seis minutos do segundo tempo. Vini Jr dominou, driblou e bateu colocado. Um golaço digno de decidir um jogo de Champions League. Mas o que aconteceu depois da bola entrar mudou o rumo da partida, da semana e, talvez, da forma como o futebol europeu passou a lidar com a discriminação entre jogadores.

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A comemoração veio com dança, como de costume. Vini Jr em frente à bandeirinha de escanteio, virado para os mais de 60 mil torcedores do Benfica no Estádio da Luz. O cartão amarelo veio na sequência, aplicado pelo árbitro François Letexier. Mas o pior ainda estava por vir.

Quando os jogadores voltavam para o meio-campo, Gianluca Prestianni se aproximou. Os dois discutiram de forma intensa. Em determinado momento, o argentino de 20 anos colocou a camisa do Benfica sobre a boca e falou algo em direção ao brasileiro. Vini Jr correu imediatamente para o árbitro. O gesto de "X" com os braços de Letexier acionou o protocolo antirracismo. A partida ficou paralisada por 11 minutos. O jogo recomeçou. Prestianni permaneceu em campo. Vini Jr passou a ser vaiado a cada toque na bola. O Real Madrid venceu por 1 a 0. Mas o resultado ficou em segundo plano.

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Momento em que Vini Jr acusa Prestianni de ter dito uma injúria racial após tapar a boca com a camisa em Benfica x Real Madrid
Momento em que Vini Jr acusa Prestianni de ter dito uma injúria racial após tapar a boca com a camisa em Benfica x Real Madrid (Foto: Patricia De Melo Moreira/AFP)

Polêmica em chamas pós-jogo

Assim que o jogo acabou, Mbappé foi direto aos microfones. O francês, que viveu momentos de tensão ao lado do companheiro, revelou o que ouviu.

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– No momento de tensão, o camisa 25 do Benfica usou palavras inaceitáveis. Ele colocou a camisa na boca para que as câmeras não captassem o que dizia e chamou Vini Jr de macaco cinco vezes. Eu, Vini e outros jogadores do Real Madrid perdemos o controle. Não queríamos voltar a jogar. Isso é inaceitável. Somos vistos por muitas crianças, muitas pessoas nos assistem, então precisamos dar exemplos – disse Mbappé.

O atacante francês ainda fez questão de pontuar que a denúncia não deveria generalizar o clube português ou seus torcedores, mas sim recair especificamente sobre o responsável.

– Já estive em Portugal muitas vezes e nunca tive problema com isso. Seria um erro falar do Benfica ou dos torcedores. Estou falando desse jogador, que, para mim, não merece disputar a Champions League – completou.

Prestianni utilizou as redes sociais ainda na noite da partida para negar a acusação. O Benfica publicou a manifestação do jogador e saiu em sua defesa com a frase "Juntos, ao teu lado".

– Quero declarar que em nenhum momento dirigi insultos racistas ao jogador Vini Jr., que lamentavelmente interpretou mal o que acha que escutou. Jamais fui racista e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid – disse o argentino.

Horas depois, o clube português divulgou um vídeo de 30 segundos nas redes sociais mostrando o momento em que Vini Jr corre para o árbitro. A legenda sugeria que não era possível identificar o conteúdo das palavras supostamente proferidas.

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Prestianni se defende do racismo com homofobia

Em meio à guerra de versões, um novo elemento surgiu. Em depoimento, Prestianni teria alegado que chamou Vini Jr de "maricon" – termo homofóbico – e não de "mono" (macaco). O detalhe é relevante, mas não muda a gravidade da situação. De acordo com o artigo 14 do Regulamento Disciplinar da Uefa, a punição para racismo e homofobia é a mesma: suspensão mínima de dez partidas.

O trecho do regulamento é claro: "Qualquer entidade ou pessoa sujeita a esses regulamentos que insulte a dignidade humana de uma pessoa ou grupo de pessoas por qualquer motivo, incluindo cor da pele, raça, religião, origem étnica, gênero ou orientação sexual, incorre em uma suspensão com duração de pelo menos dez partidas ou um período de tempo especificado, ou qualquer outra sanção apropriada".

Na segunda-feira (23), a Uefa suspendeu preventivamente Prestianni por uma partida, o que o tirou do jogo de volta no Bernabéu. A investigação segue em andamento, e o argentino pode pegar até dez jogos de punição se for considerado culpado.

A polêmica nos bastidores e a fala de Mourinho

Se dentro de campo a confusão já era grande, fora dele o caso ganhou novos capítulos. O técnico do Benfica, José Mourinho, foi questionado sobre o episódio na entrevista coletiva. Em vez de apoiar o jogador acusado ou prestar solidariedade à vítima, optou por criticar a comemoração de Vini Jr.

– Vini me disse uma coisa, Prestianni me disse outra. Não posso dizer que acredito 100% em um ou outro. Vini marcou um golaço que só ele ou Mbappé conseguem marcar. Ele tinha que subir nos ombros dos companheiros, não mexer com 60 mil pessoas neste estádio. Por que ele não comemora como Di Stéfano, Pelé ou Eusébio? – declarou Mourinho.

Técnico do Benfica, José Mourinho em coletiva antes de jogo contra o Real Madrid, pela Champions League
Técnico do Benfica, José Mourinho em coletiva antes de jogo contra o Real Madrid, pela Champions League (Foto: Patricia De Melo Moreira/AFP)

A fala do português gerou reações imediatas. Vincent Kompany, técnico do Bayern de Munique, foi um dos primeiros a se manifestar publicamente. Em entrevista coletiva, o belga criticou duramente a postura de Mourinho.

– O que aconteceu depois do jogo é ainda pior. José Mourinho atacou basicamente o caráter de Vini Jr ao mencionar o tipo de comemoração dele para desacreditar o que estava fazendo naquele momento. Foi um grande erro em termos de liderança – afirmou Kompany.

– Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o maior jogador da história do clube foi Eusébio. Você sabe pelo que jogadores negros tiveram que passar nos anos 60? Usar o nome dele hoje para sustentar um argumento contra Vini Jr? – completou.

Thibaut Courtois, goleiro do Real Madrid, também comentou o caso e revelou que Tchouaméni ouviu de Prestianni que o insulto teria sido homofóbico.

– É tão grave quanto, porque são insultos homofóbicos… Também vi as imagens da arquibancada do Benfica durante a partida e acho deplorável ver isso em um estádio – disse Courtois.

– Você pode gostar mais ou menos de um jogador, mas fazer esses gestos é vergonhoso… Acho que racismo, homofobia, todas essas coisas, simplesmente não podemos aceitá-las, e o insulto é igualmente grave – completou.

Vini Jr recebe apoio de grandes nomes após o episódio

Nas horas seguintes ao episódio, uma onda de solidariedade a Vini Jr tomou conta do futebol mundial. A CBF publicou nota oficial em apoio ao atacante.

"A CBF se solidariza com Vinícius Júnior, vítima de mais um ato de racismo nesta terça-feira, após marcar pelo Real Madrid contra o Benfica, em Lisboa. Racismo é crime. É inaceitável. Não pode existir no futebol nem em lugar algum. Vini, você não está sozinho", escreveu a entidade.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, também se manifestou.

– Fiquei chocado e entristecido ao ver o suposto incidente de racismo contra Vini Jr na partida da Champions League. Não existe absolutamente nenhum espaço para o racismo no nosso esporte e na sociedade. Nós precisamos que todas as partes interessadas relevantes tomem providências e responsabilizem os culpados – declarou Infantino.

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Lendas do futebol também saíram em defesa do brasileiro. Clarence Seedorf, em participação na Prime Video, criticou a postura de Mourinho e reforçou que não há justificativa para o racismo.

– O Mourinho errou feio hoje ao justificar o racismo. Ele disse que onde o Vini Jr vai, essas coisas acontecem. Então ele está dizendo que, quando Vini provoca, é ok ser racista? Nós nunca devemos justificar o racismo – afirmou Seedorf.

Jamie Carragher, pela CBS Sports, ironizou a fala do técnico português.

– É engraçado isso vir do Mourinho, esse cara provavelmente é o técnico que mais provoca no futebol. Justamente ele falar da celebração do Vini Jr? Vini fez um golaço na Champions League e pode comemorar como quiser – disse o inglês.

Thierry Henry, também pela CBS, falou sobre a solidão de quem sofre racismo dentro de campo.

– Sou solidário a Vini Jr. Às vezes você se sente sozinho porque sabe que vai ser sua palavra contra a dele. A gente não sabe o que Prestianni disse, porque foi muito corajoso (ironia) ao colocar a camisa na boca. E a reação de Vini Jr já mostra que algo errado tinha acontecido – afirmou Henry.

Wesley Sneijder, pela Ziggo Sport, foi direto ao ponto.

– Prestianni deveria ser homem, e não cobrir a boca enquanto fala com Vini Jr. Se você vai dizer isso, pelo menos faça sem cobrir a sua boca. É um escândalo que pessoas ainda chamem negros de 'macacos' – disparou o holandês.

Uefa investiga; clubes mandam provas de seus pontos de vista

Na manhã seguinte ao jogo, a Uefa anunciou a abertura de uma investigação disciplinar sobre o caso. Um inspetor do Comitê de Ética e Disciplina foi designado para apurar as alegações de comportamento discriminatório.

O Real Madrid agiu rapidamente. O clube espanhol informou que reuniu todas as provas disponíveis sobre os incidentes no Estádio da Luz e as enviou à Uefa. Em comunicado, afirmou que colaboraria ativamente com a investigação e agradeceu o apoio recebido por Vini Jr de todos os âmbitos do futebol mundial.

O clube concentrou a apuração nos acontecimentos registrados nas arquibancadas. Segundo a investigação interna, torcedores da equipe portuguesa realizaram gestos racistas direcionados a jogadores merengues, especialmente Vini Jr.

A CBF também entrou em ação. A confederação enviou cartas à Fifa e à Uefa pedindo rigor na punição aos envolvidos. No documento, assinado pelo presidente Samir Xaud, a entidade solicitou monitoramento da Fifa e a adoção de medidas por parte da Uefa para identificar e punir os responsáveis.

Ídolo do Benfica, Luisão defende Vini Jr

Enquanto o clube português mantinha posição de defesa irrestrita a Prestianni, uma das maiores lendas da história do Benfica resolveu falar. Luisão, ex-zagueiro brasileiro que defendeu as Águias por 15 anos e é o segundo jogador com mais partidas na história do clube, usou as redes sociais para contrariar a versão oficial.

– Esta camisola é muito grande, amo o Benfica e é a minha segunda pele. É preciso ser digno para vestir o manto sagrado. O que escrevi piora porque é mentira: futebol ganha-se com raça e luta. Foi um ato racista, sim, e sinto-me envergonhado por isso – escreveu o ex-zagueiro.

A declaração de Luisão ecoou forte entre os torcedores e expôs a divisão interna sobre o caso. Um dos maiores ídolos do clube, multicampeão e referência no elenco por mais de uma década, colocou-se ao lado de Vini Jr e contra a versão defendida pela diretoria.

Prestianni é suspenso; Benfica tenta entrar com recurso

No dia 23 de fevereiro, o Departamento de Controle, Ética e Disciplina da Uefa anunciou a suspensão preventiva de Gianluca Prestianni por uma partida. A decisão impedia o argentino de atuar no jogo de volta, marcado para o dia 25, no Santiago Bernabéu.

O comunicado oficial informou que a medida foi tomada a pedido do inspetor designado para investigar o caso, com base em um relatório preliminar que apontava violação prima facie do artigo 14 do Regulamento Disciplinar da Uefa, relacionado a comportamento discriminatório. O Benfica reagiu imediatamente. Em nota, o clube lamentou a decisão e anunciou que recorreria.

O Clube lamenta ficar privado do jogador enquanto o processo está ainda em investigação e irá apelar desta decisão da Uefa, mesmo se dificilmente os prazos em causa terão qualquer efeito prático para o jogo da segunda mão – publicou o clube.

Duelo entre Real Madrid x Benfica terá faíscas

Na terça-feira (24), véspera da partida de volta, o técnico do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, concedeu entrevista coletiva e fez questão de abordar o tema.

– Disse na semana passada e repito: nada do que Vini possa fazer ou tenha feito em campo justifica um ato de racismo. A Uefa, que sempre levantou essa bandeira, tem a oportunidade de não deixar essa luta apenas em um slogan ou em uma faixa bonita antes dos jogos. Espero que aproveitem a oportunidade – afirmou o treinador.

Arbeloa também falou sobre o momento de Vini Jr.

– Está muito bem, motivado. Sempre demonstrou coragem e caráter. É um líder e precisamos que faça mais um grande jogo – disse.

Técnico do Real Madrid, Arbeloa durante jogo contra o Rayo Vallecano
Técnico do Real Madrid, Arbeloa durante jogo contra o Rayo Vallecano (Foto: Thomas Coex/AFP)

No mesmo dia, o presidente do Benfica, Rui Costa, concedeu entrevista e saiu em defesa de Prestianni. O mandatário afirmou que não há provas conclusivas sobre a acusação e garantiu que o atacante argentino "é tudo menos racista".

– Não estou em campo para saber o que foi dito ou não dito. Numa situação daquelas, muita coisa é dita. O que acreditamos é na palavra do nosso jogador; mais do que isso, é saber os jogadores que temos em casa. O Prestianni foi classificado como racista, mas é tudo menos racista. Posso garantir – disse Rui Costa.

Caso seja considerado culpado ao final do processo disciplinar, Prestianni pode receber punição de até dez jogos em competições organizadas pela Uefa. A investigação segue em andamento. A decisão final ainda está por vir.

Com Prestianni suspenso, Benfica e Real Madrid se enfrentam no Santiago Bernabéu pelo jogo de volta dos playoffs da Champions League. O resultado, assim como o caso, segue aberto. A equipe de Vini Jr ganhou o primeiro jogo fora de casa, e precisa apenas do empate para a classificação. Os portugueses, por outro lado, precisam vencer por dois gols de diferença.

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