2º colocado no Campeonato e eliminado na Copa: PSG ainda é favorito na Champions?
Time tem tido boa campanha na competição europeia

O PSG vive, em 2026, um cenário incomum em relação à temporada passada. Atual campeão europeu, o clube já não domina o futebol francês com a mesma autoridade, ocupa a segunda colocação da Ligue 1 e foi eliminado precocemente da Copa da França. Ainda assim, segue bem posicionado na Champions League.
O contraste entre o PSG avassalador de 2024/25 e a versão mais irregular desta temporada levanta uma questão central no futebol europeu: mesmo mais vulnerável, o time de Luis Enrique ainda deve ser tratado como favorito ao título continental?
A eliminação para o Paris FC, rival local em ascensão, ainda na Copa da França, foi o primeiro grande choque. O PSG não caía tão cedo na competição desde 2014. Poucos dias depois, a constatação se reforçou no campeonato nacional: após iniciar o ano anterior com 10 pontos de vantagem, o clube virou 2026 atrás do Lens, um adversário consistente rodada após rodada. O cenário é de um PSG menos dominante, mais exposto a derrotas e empates – algo raro no auge recente do projeto.
Do PSG avassalador ao PSG "normal"
O PSG da temporada passada atuava em um nível muito acima da média. Mesmo com dúvidas ao longo do caminho, transformava jogos equilibrados em vitórias, empilhava troféus e chegava aos momentos decisivos com força máxima. Foram seis títulos em 2025, incluindo a inédita Champions League, conquistada com autoridade na final contra a Inter, em Munique.
Já o PSG atual apresenta outra face. Resultados apertados continuam aparecendo, mas nem sempre acompanhados de controle. Antes da queda na Copa, a equipe escapou de derrotas em diferentes ocasiões: virou contra o Lyon nos acréscimos, venceu o Metz com dificuldades e precisou de pênaltis para superar Olympique de Marseille e Tottenham em decisões de jogo único. Desta vez, porém, a margem acabou. O chute de Vitinha por cima do travessão, nos minutos finais contra o Paris FC, simbolizou um PSG que já não consegue sempre escapar dos próprios limites.
Na Ligue 1, a mudança é ainda mais visível. Pela primeira vez em anos, o título não parece uma formalidade. O Lens assumiu o papel de adversário real, mantendo regularidade e explorando tropeços parisienses. Lyon e Marseille até fazem boas campanhas, mas é o time de Pierre Sage quem sustenta a pressão semana após semana, algo que o campeonato francês não via desde os melhores momentos de Monaco ou Lille.
Lesões, desgaste e queda de rendimento
Grande parte dessa transformação passa pelo contexto físico. O sucesso do PSG na temporada europeia passada e no Mundial de Clubes teve um custo direto: praticamente não houve pré-temporada. Em poucas semanas, o elenco saiu de decisões globais para a Supercopa e, logo depois, para a defesa do título nacional. O resultado foi uma sequência pesada de lesões.
Dembélé, Kvaratskhelia, Doué, Vitinha, João Neves, Fabian Ruiz, Barcola, Hakimi, Marquinhos, Nuno Mendes e até o goleiro Lucas Chevalier passaram pelo departamento médico em diferentes momentos. Dembélé, recém-eleito Bola de Ouro, iniciou apenas cinco partidas na Ligue 1; Doué, herói da final europeia, começou seis. O ataque que produziu cerca de 80 gols na temporada passada soma pouco mais de 25 nesta.
O impacto vai além dos números. A intensidade do meio-campo, que foi o motor do PSG campeão, caiu. O trio Vitinha–Neves–Fabian Ruiz já não dita o ritmo com a mesma constância. Na defesa, Chevalier e Ilya Zabarnyi foram expostos por erros individuais em jogos grandes. O time segue competitivo, mas já não passa a mesma sensação de jogo resolvido que marcava a temporada 24/25.

Se no cenário doméstico o PSG parece mais acessível, na Champions League o panorama é diferente. A equipe ocupa a terceira posição na fase de liga, atrás de Bayern de Munique e Arsenal, com vitórias relevantes sobre Atalanta, Barcelona e Bayer Leverkusen. A única derrota veio justamente contra o Bayern, em Paris, mesmo com o rival jogando com um homem a menos. Houve ainda um empate sem gols diante do Athletic Bilbao.
A campanha não é dominante, mas tem sido consistente. O objetivo da temporada segue sendo o título europeu. A eliminação na Copa, embora frustrante, abriu espaço no calendário. Sem jogos de mata-mata domésticos e com chance de evitar os playoffs da Champions, Luis Enrique projeta semanas livres para treinos táticos – algo raro nos últimos meses.
Essa diferença em relação à temporada passada também chama atenção. Em 24/25, o PSG engrenou na Champions justamente a partir de janeiro, em uma virada marcante contra o Manchester City. Agora, o roteiro é mais controlado, sem picos tão altos, mas com a expectativa de evolução conforme o elenco se recompõe fisicamente.
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