Análise: a 500 dias da Copa do Mundo, como está o futebol feminino brasileiro?
Entre avanços da Seleção e desafios estruturais, modalidade vive momento decisivo

Faltando cerca de 500 dias para a Copa do Mundo Feminina, o futebol feminino brasileiro vive um momento de contrastes. De um lado, a Seleção Brasileira dá sinais claros de fortalecimento dentro e fora de campo. Do outro, o cenário dos clubes ainda expõe fragilidades estruturais que impedem um avanço mais homogêneo da modalidade no país.
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Seleção em alta: público, audiência e desempenho
Quando o assunto é Seleção Brasileira, os indicadores são positivos. Em 2025, os amistosos realizados no Brasil, como os confrontos diante do Japão entre maio e junho, registraram bons públicos, reforçando a conexão do time nacional com a torcida. O ápice desse movimento veio com a final da Copa América Feminina, disputada entre Brasil e Colômbia, que se transformou em um verdadeiro evento nacional mesmo no Equador.
Transmitida pela TV Globo em canal aberto, a decisão alcançou mais de 33 milhões de pessoas, com o jogo indo das 18h às 21h, incluindo prorrogação e disputa de pênaltis. A audiência média foi de 18 pontos, com 35% de participação, números expressivos que colocam o futebol feminino novamente no centro do debate esportivo brasileiro.
Dentro de campo, a resposta acompanha o crescimento fora dele. O Brasil ocupa atualmente a sexta colocação no ranking da FIFA, com 1.993,077 pontos, em trajetória de consolidação entre as principais seleções do mundo.
O time aparece atrás apenas de potências como Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Suécia, mantendo-se à frente de seleções tradicionais como França, Japão e Canadá. O recorte recente mostra uma equipe competitiva, com resultados positivos e evolução constante às vésperas do maior palco do futebol mundial.
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Clubes: investimentos e problemas estruturais
O cenário muda quando o olhar se volta para o futebol feminino dentro do Brasil. Há, sim, clubes que despontam em investimento e organização, com Corinthians e Palmeiras como principais exemplos de elencos competitivos e estrutura profissional. No entanto, esse avanço ainda é pontual.
Persistem problemas recorrentes, como a desistência de equipes nas Séries A1 e A2, a reorganização de participantes próxima ao início das competições, além de questões básicas que seguem sem solução definitiva: estádios inadequados, dificuldades de agenda e horários pouco atrativos para jogos decisivos.

Avanços e gargalos do futebol feminino
Nos últimos anos, o futebol feminino brasileiro também avançou no calendário e na oferta de competições, ponto essencial para o desenvolvimento da modalidade. A retomada da Copa do Brasil Feminina, após quase uma década fora do calendário, devolveu às equipes um torneio eliminatório de alcance nacional e maior visibilidade.
Em 2022, a criação da Série A3 ampliou a pirâmide do Campeonato Brasileiro, que hoje conta com três divisões (A1, A2 e A3), permitindo maior acesso de clubes ao cenário nacional e um caminho mais estruturado de crescimento esportivo. Paralelamente, houve a expansão das competições de base, com torneios sub-20 e sub-17 ganhando mais regularidade, fundamentais para a formação de atletas e para a sustentabilidade dos projetos a médio e longo prazo.
Também há sinais de evolução institucional. A CBF aumentou as cotas de participação e garantiu que todos os jogos das competições nacionais serão transmitidos ao vivo. Os direitos estão divididos entre TV Globo, sportv, ge, TV Brasil e Nsports, ampliando o alcance do produto. Cada clube recebe R$ 720 mil na primeira fase, enquanto o campeão embolsa R$ 2 milhões e o vice fica com R$ 1 milhão — valores que representam avanço, ainda que insuficiente para equalizar o nível de investimento entre os participantes.
Outro ponto que tem ganhado força no debate é a cobrança por uma fiscalização mais efetiva da CBF sobre a sustentabilidade dos projetos no futebol feminino. Casos como as desistências de Fortaleza e Real Brasília, motivadas por dificuldades financeiras, expõem a fragilidade de iniciativas que começam e terminam sem continuidade e reforçam a pressão para que a entidade adote critérios mais rígidos, evitando prejuízos esportivos e institucionais às competições.

O desafio até a Copa
A menos de dois anos da Copa do Mundo, o futebol feminino brasileiro vive um momento decisivo. A Seleção entrega resultado, visibilidade e engajamento, mostrando que há público, interesse e competitividade. Já os clubes seguem como o principal gargalo, com crescimento desigual e desafios estruturais que precisam ser enfrentados para sustentar, no longo prazo, o sucesso da equipe nacional.
A Copa se aproxima, os holofotes já estão acesos. O desafio agora é transformar o bom momento da Seleção em um legado duradouro, que fortaleça também o futebol feminino praticado semanalmente nos gramados do Brasil.
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