Neto de um dos fundadores do Esporte Clube Radar relembra clube histórico do futebol feminino

Rafael Rec atua como gestor das modalidade de beach soccer e futsal femininos do Vasco

PorGiselly Correa BarataRio de Janeiro (RJ)
24/01/2026 13:40
Radar, time feminino histórico do Rio de Janeiro. (Foto: acervo)
Radar, time feminino histórico do Rio de Janeiro. (Foto: acervo)

Fundado em 1932, no bairro de Copacabana, o Esporte Clube Radar ocupa um lugar único na história do futebol feminino brasileiro. Em um período em que a modalidade ainda buscava espaço após o fim da lei que proibia a prática por mulheres, em 1979, o clube carioca foi um dos primeiros a estruturar um projeto competitivo, tornando-se referência nacional no início dos anos 1980.

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Mais do que um marco esportivo, o Radar também ocupa um lugar afetivo e formativo na trajetória de Rafael Rec, atual gestor das modalidades de Beach Soccer feminino e futsal feminino do Vasco da Gama.

A relação dele com o desporto de mulheres não começou na gestão esportiva nem nas areias do beach soccer, mas ainda na infância, dentro de casa, a partir da convivência com o avô Walter Luiz, jornalista e um dos fundadores do Radar.

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— Quando eu penso em projeto de futebol feminino, o Radar sempre vem à cabeça. Não pelo saudosismo, mas pelo que ele representou em termos de organização e visão — define ele.

Carteirinha de Walter Luiz do Rego da Liga Carioca de Futebol Feminino. (Foto: Giselly Corrêa (Lance!)/Acervo de Rafael Rec)
Carteirinha de Walter Luiz do Rego da Liga Carioca de Futebol Feminino. (Foto: Giselly Corrêa (Lance!)/Acervo de Rafael Rec)

— O Rio sempre teve essa vocação. O Radar ajudou a consolidar isso, mostrou que dava para fazer futebol feminino competitivo aqui, mesmo sem o apoio que existe hoje — opina, sobre a modalidade no estado.

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A iniciativa no futebol feminino começou em 1981, liderada por Eurico Lira, empresário, presidente e técnico do Radar, reconhecido como um dos grandes incentivadores da modalidade no país. Dois anos depois, o clube já colhia resultados históricos: conquistou o primeiro Campeonato Estadual Feminino do Rio de Janeiro, organizado pela Divisão Feminina da Ferj, e também a primeira Taça Brasil de Futebol Feminino da CBF, ambos em 1983.

O domínio do Radar naquele período foi absoluto. Entre 1983 e 1988, o clube venceu todas as edições da antiga Taça Brasil, tornando-se hexacampeão nacional, além de repetir o feito no Campeonato Carioca feminino, com seis títulos consecutivos. Em 1989, o clube ainda levantou o Torneio Brasileiro de Clubes, consolidando uma hegemonia raramente vista no futebol brasileiro. No recorte entre 1983 e 1988, foram 71 jogos disputados, com 66 vitórias, três empates e apenas duas derrotas.

Walter Luiz também foi responsável por despertar em Rafael o interesse e o respeito pelo esporte feminino. O avô esteve diretamente envolvido na fundação do Radar e participou ativamente das discussões que moldaram o clube.

— Meu avô brigava muito pelo desporto feminino. Eu lembro das reuniões na minha casa, com atletas e dirigentes do Radar. Eu ficava quietinho, só ouvindo. Já existiam discussões sobre salário, estrutura, respeito. Isso tudo ficou muito vivo na minha cabeça — compartilha.

Esse aprendizado, segundo Rafael, moldou não apenas o torcedor, mas também o gestor que viria anos depois. "Quando hoje eu enfrento um desafio, eu sempre penso: 'o que meu avô faria nesse caso?'. Isso me guia até hoje."

Radar, time feminino histórico do Rio de Janeiro. (Foto: acervo)
Radar, time feminino histórico do Rio de Janeiro. (Foto: acervo)

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