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Entrevista exclusiva: Maiara Niehues amadurece após estreia na Seleção e vê Angel City mais competitivo na NWSL

Fã de Lego e de Bia Zaneratto, meia chegou aos EUA na temporada passada e se diz bem adaptada

Giselly Correa Barata
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 19/03/2026
20:44
Maiara pelo Angel City, dos Estados Unidos. (Foto: Jeremy Nguyen/Divulgação)
imagem cameraMaiara pelo Angel City, dos Estados Unidos. (Foto: Jeremy Nguyen/Divulgação)

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A brasileira Maiara Niehues, do Angel City, realizou um sonho antigo ao vestir a camisa da seleção principal pela primeira vez na última Data Fifa. Em entrevista exclusiva ao Lance!, a meio-campista do detalhou o momento da carreira, a adaptação nos Estados Unidos e os aprendizados recentes com o time de Arthur Elias.

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O início de temporada nos Estados Unidos foi um dos pontos destacados pela jogadora. A equipe venceu o Chicago Stars por 4 a 0 na estreia, resultado que, segundo ela, não era necessariamente esperado naquelas proporções, mas refletiu o trabalho feito na pré-temporada.

— Foi muito bom começar o ano com o pé direito. A gente trabalhou muito duro, foram semanas intensas para chegar preparada — diz ela.

Mais adaptada ao clube e à liga, Maiara entra em sua segunda temporada com mais segurança. E a chegada de Ary Borges ao elenco é vista como um reforço importante nesse processo.

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— A Ary veio para ajudar todo mundo. Ela é muito experiente e eu vou poder aprender muito com ela — disse, ressaltando também a identificação natural entre brasileiras.

A temporada passada ainda serve como combustível. O Angel City ficou fora dos playoffs, e a frustração virou motivação interna. A meio-campista avalia que o time já mostra sinais de mudança.

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— A gente saiu muito frustrada, sabia do nosso potencial. Esse ano vai ser diferente, já deu para ver no primeiro jogo — projeta.

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Maiara, do Angel City, é convocada para Seleção Brasileira Feminina. (Foto: reprodução/redes sociais)
Maiara, do Angel City, foi convocada para Seleção Brasileira Feminina. (Foto: reprodução/redes sociais)

O crescimento da liga nos Estados Unidos também entra na análise. Para Maiara, a expansão com novas equipes aumenta o nível de competitividade e fortalece o futebol feminino no país. Ela vê o cenário como positivo e em evolução constante.

— A liga está ficando cada vez maior. Tem mais jogos, mais atletas chegando, isso deixa tudo mais competitivo — explica.

Antes de chegar aos Estados Unidos, a jogadora construiu uma trajetória que passou por diferentes realidades. Revelada na Chapecoense, com início no futsal, teve experiências em projetos como Iranduba e Recanto da Criança até chegar ao Internacional. Depois, seguiu para o Sporting, em Portugal, onde amadureceu. Ela relembra o período como decisivo para a carreira.

— Saí do Brasil com 18 anos, ainda muito nova. O Sporting me acolheu muito bem e foi importante para o meu crescimento — contou.

A mudança para os Estados Unidos veio, segundo ela, de uma necessidade interna. "Eu sentia que precisava de um desafio novo", resumiu, destacando a busca constante por evolução.

Fora de campo, a adaptação também exigiu esforço. Maiara chegou sem domínio do inglês e precisou aprender na rotina.

— Eu não sabia nada. Fui aprendendo no dia a dia porque precisava me comunicar — relatou. A rotina é focada em treinos e recuperação, mas há espaço para um hobby curioso. — Eu sou apaixonada por Lego. Isso me distrai bastante — relembra.

Ao comparar os três países onde atuou, a jogadora aponta diferenças claras. Ela reconhece a estrutura mais avançada nos Estados Unidos, mas valoriza o torcedor brasileiro. "Aqui tem estrutura, mas o brasileiro torce de um jeito diferente. Isso faz falta", analisou.

Maiara é convocada por Arthur Elias para a Seleção Brasileira

A convocação para a Seleção Brasileira foi um dos momentos mais marcantes recentes. Maiara admite que não esperava o chamado e que a ficha demorou a cair.

— Eu não acreditei. Só fui perceber quando estava lá treinando com elas — disse, lembrando o impacto de dividir o campo com atletas que antes via apenas pela televisão.

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Maiara durante treino da Seleção Feminina na Costa Rica Créditos: Lívia Villas Boas/CBF
Maiara durante treino da Seleção Feminina na Costa Rica. (Foto: Lívia Villas Boas/CBF)

A estreia, porém, trouxe um desafio importante. Expulsa contra a Venezuela, ela trata o episódio como parte do aprendizado.

— Eu tiro isso como evolução. Foi algo novo para mim, uma experiência que ajuda a amadurecer — avalia.

Mesmo com resultados abaixo do esperado na Data FIFA, a meio-campista mantém o foco no presente. Ela reforça que o desempenho no clube é o caminho para novas oportunidades na seleção.

— Se eu continuar trabalhando e fazendo bons jogos, a oportunidade vai aparecer — afirma.

Versátil, Maiara também comentou sobre sua função em campo. Apesar de preferir atuar mais avançada, entende a importância de se adaptar.

— Eu gosto de jogar mais na frente, mas posso jogar mais centralizada também. Tem que estar aberta às opções — explica.

Entre as referências, um nome se destaca. A própria jogadora admite que sentiu o peso de dividir espaço com Bia Zaneratto nos primeiros dias de seleção. "No começo eu nem olhava para ela direito, ficava nervosa", contou, em tom leve.

Aos 21 anos, o futuro ainda está em aberto, mas com direção clara. Um retorno ao Brasil não está nos planos imediatos. "Agora, nesse momento da minha carreira, eu acho que não", disse.

O grande objetivo, porém, segue definido: disputar uma Copa do Mundo e ser campeã pela Seleção.

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