Clube formador de Geyse, UDA aposta na base e retorna à Série A2 do Brasileirão Feminino
Clube de Maceió mantém hegemonia estadual e quer sonhar mais alto

Em um cenário marcado por dificuldades estruturais, longas distâncias e pouca visibilidade, a UDA (União Desportiva Alagoana) segue desafiando a lógica do futebol feminino brasileiro. Fundado em 2010, o clube alagoano construiu sua história apostando na formação e foi ali que Geyse Ferreira, atacante com passagem pela Seleção Brasileira e ex-Barcelona, deu seus primeiros passos no futebol.
Com as desistências no Brasileirão Feminino, a UDA volta a figurar na Série A2, em uma mudança de rota inesperada, mas encarada como oportunidade de sobrevivência e afirmação em nível nacional.
— A gente fica muito feliz de poder voltar a disputar a A2, mas é uma mudança total de planejamento. Estávamos preparados para jogar a A3, buscando o acesso, e de repente tudo mudou — resume Bruno Barbosa, supervisor do futebol feminino do clube, em entrevista exclusiva ao Lance!.
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Um projeto que nasce da base
Principal representante do futebol feminino em Alagoas, a UDA se consolidou como um clube formador, especialmente em uma região onde as competições são escassas e o calendário é curto. Hoje, o projeto envolve categorias sub-15, sub-17, sub-20 e profissional, com presença constante em torneios nacionais de base.
— Quando eu entrei, em 2024, já vi que era um projeto muito especial. A UDA é o principal clube de futebol feminino de Alagoas e tem visibilidade no Nordeste inteiro. Já revelou atletas para o cenário mundial — afirma Bruno.
Além de Geyse, outras jogadoras formadas no clube seguiram para grandes centros. A mais recente foi Laí, transferida para o Grêmio e que chegou a ser convocada para a Seleção Brasileira de base.
— A gente entende que muitas meninas não conseguem se desenvolver plenamente aqui. Então, quando elas se destacam, a gente indica para clubes maiores, para que possam concluir a formação e viver do futebol — explica.
Copinha, Brasileiro e a representatividade de um estado
A participação inédita na Copinha Feminina, em janeiro, foi mais um passo para o clube, como também um reflexo das dificuldades enfrentadas fora do eixo Sul-Sudeste.
— É muito difícil sair de Alagoas para São Paulo, a logística pesa muito. Mas conseguimos estrear na Copinha e isso foi extremamente importante para as meninas — destaca Bruno.
Além da Copinha, a UDA está confirmada pelo terceiro ano seguido no Brasileiro Sub-20 e aguarda convites para o Sub-17 e para a Liga de Desenvolvimento Sub-14, competição que o clube disputou de forma inédita em 2025.
— Como somos o único clube do estado que disputa competições nacionais, isso gera uma responsabilidade maior. A gente acaba representando Alagoas no cenário do futebol feminino — pontua.

Sustentabilidade no limite: entre contratos amadores e apoio público
Apesar da presença nacional, a UDA ainda opera longe de uma realidade profissionalizada. Nenhuma atleta possui contrato profissional — nem mesmo no time adulto.
— Hoje, não conseguimos fazer contrato profissional com nenhuma jogadora. A partir dos 14 anos, trabalhamos com vínculo não profissional, porque não temos sustentabilidade financeira para manter contratos CLT — explica Bruno.
Segundo determinado pela CBF, em 2026, todos os contratos das atletas do Brasileirão A1 terão de ser profissionais, sem exceção.
A principal fonte de receita vem do patrocínio do Governo de Alagoas, renovado ano a ano, além das cotas da CBF. O apoio privado, porém, ainda é escasso.
— É muito difícil encontrar empresas em Maceió que apoiem o futebol feminino. A gente depende muito desse incentivo público para continuar existindo — lamenta ele.
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A Série A2 como desafio
O retorno à Série A2 veio após desistências no campeonato, incluindo o Avaí/Kindermann. Para a UDA, a notícia foi recebida com entusiasmo e cautela.
— Quando chegou o convite, a gente sentou com todo mundo e viu que seria difícil, mas dava para encarar. O principal objetivo agora é permanecer na Série A2 — afirma Bruno.
Com menos de um mês para reorganizar o elenco, o clube optou por uma mistura entre juventude e experiência. Cinco atletas da Copinha foram integradas ao time principal, somando-se a jogadoras do Sub-20 e algumas remanescentes mais experientes.
— Nosso elenco é bem jovem, com média de idade em torno de 24 anos. Agora estamos buscando atletas mais experientes para equilibrar — define o supervisor.
Os jogos da Série A2 serão disputados no Estádio Rei Pelé, em Maceió, o mesmo que recebe CRB e CSA no futebol masculino. Os treinos acontecem de forma itinerante, entre a Universidade Federal de Alagoas e arenas municipais.
Olhar para o futuro: mais base, mais competitividade
Se no curto prazo o foco é a permanência na Série A2, o projeto olha mais longe. Para os próximos cinco anos, a UDA quer fortalecer as categorias de base e competir de igual para igual com clubes tradicionais.
— A gente não quer só disputar Copinha ou Brasileiro. Queremos brigar, competir com Corinthians, Grêmio, essas equipes fortes — projeta Bruno.
Enquanto isso, o clube segue sendo protagonista no cenário estadual, com cinco títulos alagoanos consecutivos, embora o domínio excessivo também traga reflexões.
— Ganhar é bom, mas ganhar sempre e com facilidade não ajuda a evoluir. A gente quer mais competitividade no futebol feminino de Alagoas — defende.

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