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Camilla Orlando vê boa geração em formação e projeta Brasil no Sul-Americano Feminino Sub-20

Seleção estreia contra o Equador nesta quinta-feira (5)

Giselly Correa Barata
Teresópolis (RJ)
Dia 02/02/2026
15:14
Treinadora Camilla Orlando, da Seleção sub-20, instrui atletas. (Foto: Staff Images/CBF)
imagem cameraTreinadora Camilla Orlando, da Seleção sub-20, instrui atletas. (Foto: Staff Images/CBF)

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Na próxima quinta-feira (5), o Brasil entra em campo diante do Equador na estreia do Sul-Ameircano Feminino sub-20. Na Granja Comary, a treinadora Camilla Orlando falou sobre a preparação para a competição, o seu no papel de comando técnico e a nova geração de atletas, em entrevista exclusiva ao Lance!.

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Única campeã da competição, a equipe busca manter a hegemonia e garantir vaga na Copa do Mundo da categoria. A Seleção está no grupo B, ao lado de Equador, Argentina, Peru e Bolívia.

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Entrevista com Camilla Orlando

Como têm sido essa preparação na Granja Comary, pensando no Sul-Americano?

Camilla Orlando - Estar aqui na Granja é realmente um sonho, não só para mim, mas para as atletas também. O foco total é na preparação, é para isso que a gente veio. Ajustar detalhes, mapear o maior número possível de informações das atletas, mudanças de esquemas e sistemas que precisamos fazer. Têm sido dias intensos, de muita troca, muito aprendizado, e dias que vão ficar marcados para sempre na minha carreira.

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Você passou pela formação, pelo profissional no Palmeiras, e agora retorna à base em um novo patamar, que é a Seleção Brasileira. Como descreve esse momento da sua vida como treinadora?

Camilla Orlando - Eu me sinto muito realizada. Comecei trabalhando com formação de atletas, algo que sempre gostei muito. Quando eu era atleta, não tive esse processo de formação, fui formada na raça. Sempre pensei em como seria formar atletas. A experiência no profissional, especialmente no Palmeiras, com atletas experientes, me trouxe muito aprendizado. Hoje me sinto ainda mais preparada para formar atletas e entender essa nova geração.

Em 2019, trabalhei com o sub-18 do Inter, e hoje atletas daquela época estão no profissional e na Seleção principal, como Isaís, Bruninha, Jennifer, Laíssa e Belinha. Estar hoje no Sub-20 da Seleção, podendo selecionar atletas e acompanhar o desenvolvimento delas nos clubes, é muito gratificante.

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O que a Camilla jogadora leva para a Camilla treinadora?

Camilla Orlando - Eu sempre fui uma atleta muito disciplinada, que buscava entender o porquê das coisas. Tento trazer isso para o campo, ouvindo as atletas, compartilhando decisões. Trago minhas experiências de diferentes culturas, mas sem perder a nossa identidade. Tento passar essa mentalidade competitiva, de buscar excelência, mas também mostrar que somos mais do que resultado. O jogo é uma oportunidade única de crescimento, dentro e fora de campo.

Como jogam os times da Camilla Orlando? Qual é o perfil tático e técnico?

Camilla Orlando - É um time muito agressivo, intenso, que busca recuperar a bola rápido e, com a posse, entender se a vantagem é construir ou acelerar. Jogamos para encontrar o gol. Um time conectado, com sincronia, em que todas entendem sua importância. Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos. A competição é diária, no treino e no jogo. Pressão alta, intensidade, posse quando necessário e ataque rápido quando for a melhor opção.

Como é o diálogo com a Seleção principal para manter uma identidade entre as categorias?

Camilla Orlando - A Seleção principal é nossa grande referência. Não existe algo engessado, mas sim observação, diálogo e respeito. O Artur deixa claro que precisamos manter nossa identidade. A Seleção representa técnica, criatividade, agressividade ofensiva e defensiva. Também olhamos muito para o Sub-17, que mostrou uma equipe adaptável, com atletas polivalentes. A conexão acontece pela troca, não por imposição.

Seleção Feminina sub-20 durante treino na Granja Comary. (Foto: RAFAEL RIBEIRO / CBF)
Seleção Feminina sub-20 durante treino na Granja Comary. (Foto: RAFAEL RIBEIRO / CBF)

Qual a importância da visibilidade, da torcida e da imprensa para o futebol feminino de base?

Camilla Orlando - A visibilidade inspira. Quando mostramos o processo, inspiramos outras meninas a acreditarem no sonho. Fortalece o trabalho dos clubes, gestores e da modalidade como um todo. Estamos próximos de uma Copa do Mundo, e isso ajuda a massificar o futebol feminino, criar acesso e oportunidades, não só para atletas profissionais, mas para a formação humana através do esporte.

Como você avalia o nível do futebol de base na América do Sul?

Camilla Orlando - Vejo uma evolução clara. As competições melhoraram, as atletas evoluíram taticamente, fisicamente e comportamentalmente. Isso reduz o tempo de adaptação no profissional. O Brasil tem uma grande responsabilidade, mas contamos com apoio dos clubes e da confederação. A proximidade com os clubes é essencial para fortalecer esse desenvolvimento.

Como você avalia a atual geração da Seleção Sub-20?

Camilla Orlando - Vejo uma geração com muito potencial, mais oportunidades e maior inserção no profissional. São atletas inteligentes taticamente, versáteis, que permitem muitas variações. Buscamos mesclar estilos, clubes e formas de pensar. É uma geração em um momento diferente das anteriores.

Como funciona o mapeamento de atletas que atuam fora do Brasil?

Camilla Orlando - Seguimos mapeando e observando atletas no exterior. Elas não estão fora do nosso radar. Há desafios por conta de liberação e calendário, mas seguimos acompanhando. Este ano teremos observações presenciais na Europa e nos Estados Unidos. Queremos que todas se sintam parte do processo.

Como é a rotina de uma treinadora de Seleção fora das convocações?

Camilla Orlando - É intensa. Estou diariamente na CBF, monitorando atletas, estudando jogos, trocando com outras seleções. É um trabalho constante de análise, planejamento e estudo. O foco agora é o Sul-Americano, mas sempre olhando para o futuro.

Qual é o grande sonho para 2026? O que você quer nos contra no fim do ano?

Camilla Orlando - Quero contar que fizemos um grande ano, com a cara do Brasil: alegria, ousadia, criatividade e identidade. Sonhamos com títulos, claro, mas o que prometemos é trabalho, dedicação e fazer história na Seleção Brasileira Sub-20.

Camilla Orlando, treinadora da Seleção Brasileira Feminina sub-20 (Foto: RAMIRO CICAO / STAFF IMAGES / CBF)
Camilla Orlando, treinadora da Seleção Brasileira Feminina sub-20 (Foto: RAMIRO CICAO / STAFF IMAGES / CBF)
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