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GP do Bahrein na Malásia: como o El Niño afeta o clima no Brasil e na F1

Especialista explica os efeitos do fenômeno e a previsão para a corrida em Sepang

PorAnna Carolina Ramos•Rio de Janeiro (RJ)
01/10/2026 14:43
Lewis Hamilton (Mercedes) - GP da Malásia 2017 - Fórmula 1
Lewis Hamilton, da Mercedes, no GP da Malásia pela F1 2017 (Foto: AFP)

O calor não será a única preocupação meteorológica da Fórmula 1 no Grande Prêmio do Bahrein, disputado neste fim de semana em Sepang, na Malásia. Apesar das temperaturas elevadas previstas para os três dias de atividades, pancadas de chuva também podem aparecer, inclusive com possibilidade de temporais isolados. O cenário ocorre em meio ao fortalecimento do El Niño, fenômeno que pode modificar os padrões de precipitação em diferentes partes do mundo, como no Brasil.

A relação entre o fenômeno e o tempo previsto para a etapa, porém, exige cautela. Em entrevista ao Lance!, o meteorologista Vitor Takao, da Climatempo, explicou que o calor é uma característica habitual da região, enquanto o El Niño funciona como um fator capaz de alterar as condições climáticas em uma escala mais ampla.

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Por que o calor preocupa a Fórmula 1?

Sepang está localizada próxima à Linha do Equador, onde as temperaturas e a umidade costumam permanecer elevadas ao longo do ano. Para os pilotos, essa combinação representa um desafio físico, já que o ar úmido dificulta a evaporação do suor e, consequentemente, a dissipação do calor corporal.

O asfalto também merece atenção. Em períodos de maior exposição ao sol, a superfície da pista pode aquecer rapidamente, elevando ainda mais as temperaturas enfrentadas pelos competidores dentro dos carros.

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— O calor em si é compatível com a climatologia da região. O ponto de maior atenção para a Fórmula 1 é a combinação entre temperatura alta, umidade elevada e forte aquecimento do asfalto — explicou.

A transição entre os períodos de monções acrescenta outro elemento à previsão: a variação dos ventos e a disponibilidade de calor e umidade podem favorecer mudanças nas condições ao longo do dia. Por isso, mesmo em um fim de semana marcado pelo calor, a possibilidade de chuva continua no radar.

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El Niño já explica o clima na Malásia?

O fenômeno já está configurado e segue em fortalecimento, segundo Takao. Ele ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial central e leste apresentam aquecimento anormal, acompanhado de alterações na circulação atmosférica. Essas mudanças podem modificar a distribuição das chuvas e influenciar as temperaturas em regiões distantes do oceano.

No Sudeste Asiático, o El Niño costuma favorecer períodos de menor precipitação em determinadas áreas. A redução da nebulosidade pode permitir ainda maior entrada de radiação solar e contribuir para temperaturas acima da média.

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Isso não significa, entretanto, que o fenômeno seja a causa direta do calor previsto para a etapa da F1. As características naturais do clima local e as condições meteorológicas locais continuam sendo determinantes. O El Niño influencia as probabilidades de determinados padrões, mas não explica sozinho cada episódio de calor ou chuva.

Por que os efeitos são diferentes no Brasil?

A influência do El Niño também ajuda a entender por que regiões distintas podem enfrentar situações meteorológicas opostas durante o mesmo período. No Brasil, por exemplo, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuva acima da média no Sul. Em partes do Norte e do Nordeste, pode favorecer a redução das precipitações, enquanto a resposta no Sudeste e no Centro-Oeste varia conforme as condições de cada período.

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Portanto, o El Niño não provoca uma única consequência global. As mudanças na circulação atmosférica interagem com as características de cada região, produzindo efeitos diferentes na distribuição das chuvas e nas temperaturas, principalmente em um país continental, como é o caso do Brasil.

O país tem episódios frequentes desse fenômeno climático, sendo o mais recente confirmado em junho de 2026, com previsão de atingir intensidade muito forte no segundo semestre, a partir de outubro, e continuar até o início de 2027.

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➡️ Fórmula 1 liga alerta para calor intenso e chuva no GP do Bahrein; entenda

GP do Bahrein pode ter temporais isolados

Mesmo com a possibilidade de períodos mais secos associada ao El Niño no Sudeste Asiático, a previsão para Sepang ainda aponta risco de instabilidade durante o fim de semana.

A sexta-feira deve combinar calor com pancadas isoladas, que podem ser mais intensas em alguns pontos. No sábado, a possibilidade de chuva permanece, sobretudo no início da manhã e durante a tarde. Para domingo, quando será disputada a corrida, a chance de precipitação é menor, mas não está descartada.

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Segundo Vitor Takao, a combinação de uma atmosfera aquecida e úmida ainda pode favorecer temporais localizados. Assim, a previsão para o dia da prova é menos chuvosa, mas a evolução das condições meteorológicas continuará sendo importante para as equipes ao longo de toda a etapa.

Valtteri Bottas (Mercedes) - GP da Malásia - 2017 - Fórmula 1
Valtteri Bottas, da Mercedes, em ação no GP da Malásia na F1 2017 (Foto: AFP)
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