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Ayrton Senna ajudou Interlagos a não perder a F1, mas não gostou do resultado; entenda

Traçado do Autódromo precisou ser alterado para a categoria retornar a São Paulo

PorAnna Carolina Ramos•Rio de Janeiro (RJ)
07/11/2026 12:00
Ayrton Senna levanta o troféu no pódio do GP Brasil de Fórmula 1 de 1993 (Foto: Acervo/Gazeta Press)
Ayrton Senna levanta o troféu no pódio do GP Brasil de Fórmula 1 de 1993 (Foto: Acervo/Gazeta Press)

A curva mais famosa de Interlagos tem o sobrenome de Ayrton Senna, mas não foi exatamente como o tricampeão imaginou. Quando viu o trecho pronto, em 1990, o piloto deixou claro que aquela não era a sequência que havia sugerido aos responsáveis pela reforma do autódromo. A ideia original era criar uma passagem de alta velocidade, aproveitando a descida depois da reta dos boxes.

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A diferença entre o projeto de Senna e o resultado construído ajuda a contar uma parte importante da história do circuito. No fim dos anos 1980, Interlagos precisava passar por mudanças para voltar a receber a Fórmula 1, e a participação do brasileiro ajudou a encontrar uma solução para um dos pontos mais discutidos do novo traçado.

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O S que Senna queria construir

A proposta do piloto era conectar a antiga Curva 1 à Curva do Sol por meio de uma sequência em formato de S. O trecho seria percorrido em velocidade elevada, com os carros aproveitando o declive da pista. Senna imaginava uma curva que exigisse menos redução de velocidade do que aquela que acabou sendo construída.

Ao visitar as obras, o brasileiro percebeu que o desenho final havia ficado bem diferente de sua sugestão. Em declaração reproduzida no livro "Ayrton, o herói revelado", de Ernesto Rodrigues, explicou que pretendia fazer o S em quarta marcha, depois de chegar ao trecho em sexta. A configuração pronta, na avaliação do piloto, exigia uma freada muito mais forte do que ele havia planejado.

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— Não é nada disso. Eu queria um esse de alta velocidade em que você viesse no final da reta dos boxes, em sexta marcha, fizesse o esse em quarta marcha, alguma coisa parecida com o que tem no México, usando o declive. Não era chegar aqui e parar — afirmou o piloto.

A insatisfação, porém, não apagava sua participação no projeto. Senna também acompanhou outras etapas da modernização e deu sugestões aos engenheiros sobre pontos de segurança, incluindo as zebras e os muros de proteção. Sua contribuição foi além da ideia que acabou batizando uma das partes mais reconhecidas do circuito.

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A homenagem que Senna queria fazer

O nome da curva também não agradou completamente ao tricampeão. Apesar de ter sugerido o desenho em S, Senna não defendia que o trecho levasse seu próprio sobrenome. Para ele, outra figura do automobilismo brasileiro merecia receber aquela homenagem: Chico Landi.

Pioneiro do país nas competições internacionais, Landi teve uma relação importante com Interlagos e participou dos esforços para levar a Fórmula 1 de volta a São Paulo. Ele morreu em 1989, justamente no período em que o autódromo passava pelas mudanças que permitiriam o retorno da categoria. Senna considerava mais justo que o novo trecho fosse batizado em referência ao piloto.

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A sugestão não foi aceita, e o nome S do Senna acabou prevalecendo. A homenagem se consolidou com o passar dos anos, mesmo que o próprio Ayrton não tenha aprovado nem o desenho final da curva nem a escolha do nome. Curioso, né?

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Por que Interlagos precisou mudar?

A participação de Senna aconteceu em um momento decisivo para o futuro da pista. Depois de receber o Grande Prêmio do Brasil entre 1972 e 1980, Interlagos deixou de ser a sede da etapa brasileira da Fórmula 1, que passou a ser disputada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A volta a São Paulo dependia de uma ampla reforma e de adequações às exigências de segurança da categoria.

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O projeto reduziu o circuito, que tinha quase oito quilômetros, para pouco mais de 4,3 km. A mudança também provocou discussões sobre quais partes do traçado antigo seriam preservadas. Entre os pontos de divergência estavam as antigas curvas 1 e 2, cuja retirada fazia parte dos planos para a nova configuração.

De um lado, Chico Rosa, então administrador de Interlagos, defendia a preservação daquele trecho. Do outro, Bernie Ecclestone, que comandava os interesses comerciais da Fórmula 1, queria que as curvas fossem retiradas do novo desenho. O impasse precisava de uma solução que permitisse modernizar o autódromo sem eliminar completamente a ligação entre a reta dos boxes e o miolo do circuito.

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Foi nesse cenário que Senna entrou na discussão. O brasileiro sugeriu a criação da ligação em S das antigas Curva 1 e a Curva do Sol e, assim, contribuiu para a definição do novo desenho. A reforma, no entanto, envolveu também autoridades, engenheiros e representantes do automobilismo.

A volta da Fórmula 1 a São Paulo

Com o circuito reformulado e aprovado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Interlagos voltou ao calendário da Fórmula 1 em 25 de março de 1990. A pista passou a ter pouco mais de 4,3 quilômetros e manteve essa configuração como base do traçado utilizado pela categoria nas décadas seguintes.

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A primeira corrida dessa nova fase não terminou como Senna esperava. Depois de conquistar a pole position, o brasileiro liderava a prova quando teve um toque com Satoru Nakajima e precisou fazer uma parada nos boxes para reparar o carro. Com isso, caiu para terceiro, enquanto Alain Prost ficou com a vitória.

A primeira conquista de Senna em casa viria no ano seguinte, em 1991, em uma das corridas mais marcantes de sua carreira. Já o S, que ajudou a idealizar, continuou no traçado de Interlagos, transformado em um dos cartões-postais do circuito — ainda que não tenha sido exatamente a curva que ele queria.

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Circuito do Autódromo de Interlagos, palco do GP de São Paulo na F1 (Foto: Reprodução)
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