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2500 km por Franco Colapinto: a saga dos argentinos no GP de São Paulo

Grupo de amigos viajou de Santa Fé até a capital paulista, dirigindo um Renault 6 1977 e uma Valiant 1966

PorBeatriz Pinheiro•São Paulo (SP)
08/11/2026 12:00
Os argentinos Claudio Godio e Julio Amherdt posam ao lado do Renault 6 customizado com as cores da Alpine
Os argentinos Claudio Godio e Julio Amherdt posam ao lado do Renault 6 customizado com as cores da Alpine (Foto: Beatriz Pinheiro/ Lance)

O quão longe alguém pode ir em nome de uma paixão? Para um grupo de argentinos, fãs de Fórmula 1 e de Franco Colapinto, a resposta foi 2500 quilômetros. Claudio Godio, Hernan Bonvin, Pablo Quaino, Julio Amherdt e Cristian Hilgert viajaram de Santa Fé a São Paulo, dirigindo um Renault 6 1977 e uma Valiant 1966, para acompanhar o Grande Prêmio deste fim de semana. A jornada foi recompensada por um encontro com o piloto da Alpine e a acolhida calorosa dos brasileiros.

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A ideia surgiu em um churrasco, quando os amigos conversavam sobre um grupo que viajou até Ushuaia, um dos pontos mais remotos da Argentina. Um fim de semana depois, a inspiração de transformou em ação e o grupo saiu em busca do Renault 6, apelidado de "Renoleta". Rodaram cerca de 1200 quilômetros até encontrarem o veículo na cidade de Esperanza.

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No dia 18 de maio, a Renoleta entrou na oficina e foi completamente desmontada, sobrou só o chassi. Foram semanas de trabalho cuidando de motor, parte elétrica e, claro, a pintura e personalização, que tanto chamou a atenção nas ruas. O carro foi todo customizado com o azul e rosa da Alpine, equipe de Franco Colapinto, e o número do piloto argentino. No capô, as bandeiras e Argentina e Brasil, lado a lado.

— Terminamos a montagem completa nos dias 22 e 23 de setembro. Depois disso, testamos o carro por 1500 km para amaciar o motor e verificar se surgiria alguma falha nesse período de rodagem — contou Claudio Godio, em entrevista ao Lance!.

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Detalhes do capô da "Renoleta", com as bandeiras de Argentina e Brasil
Detalhes do capô da "Renoleta", com as bandeiras de Argentina e Brasil (Foto: Beatriz Pinheiro/ Lance!)

Não foi apenas a Renoleta que passou por transformações. Em uma viagem tão longa como essa, passando por estradas pouco conhecidas, é importante ter o que o grupo chama de "carro de apoio": um segundo veículo, também pilotado por amigos, que possam se ajudar em caso de emergência. E esse apoio também veio com o grande estilo de uma Valiant 1966.

Julio Amherdt e Cristian Hilgert decidiram de última hora se juntar à aventura. Cerca de um mês antes da viagem, trocaram o tanque de combustível do carro e compraram peças de reposição, como bombas d'água, bomba de combustível e componentes de ignição eletrônica, para estarem preparados em caso de imprevistos na estrada.

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— Aprendi a dirigir em um carro desses aos 7 anos de idade. Pude comprar um modelo desses novamente há 6 anos e procurei deixá-lo no melhor estado possível para estar hoje aqui. Sem planejar com antecedência, em apenas 30 dias de organização já estava na estrada para essa viagem de 2.500 km — é algo incrível — contou Julio.

Claudio, Julio e os amigos são homens comuns, com compromissos de família e da profissão, que chegaram até a fazer algumas dívidas para embarcar no sonho de viver a Fórmula 1. Um fim de semana antes do Grande Prêmio, colocaram o pé na estrada.

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A Valiant 1966, utilizada como "carro de apoio" na jornada dos argentinos
A Valiant 1966, utilizada como "carro de apoio" na jornada dos argentinos (Foto: Beatriz Pinheiro/ Lance!)

Perrengue e acolhida brasileira

O grupo saiu de Esperanza, na Argentina, e passou por Uruguayana e São Gabriel antes de chegar em território brasileiro. Ainda viajariam por Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba antes de, finalmente, chegarem a São Paulo, onde acampariam na região da Represa de Guarapiranga, na Zona Sul, a 5 quilômetros do Autódromo de Interlagos.

Mas o imprevisto na estrada veio bem antes do destino. Na região de Camboriú e Bombinhas, um problema na vela fez com que os amigos precisassem parar e acampanhar em um posto de gasolina. Foi aí que conheceram de perto a hospitalidade brasileira.

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— Parecia que o Senhor queria que parássemos ali. Montamos nossas barracas, eles nos cederam o espaço no pátio para pernoitar e, no dia seguinte, o responsável pelo posto me levou em seu próprio carro para buscar um jogo de cabos de vela. Conseguimos a peça e seguimos viagem. O atendimento que recebemos foi nota dez. Sempre digo: não há recepção melhor no mundo do que a do povo brasileiro — contou Julio.

— O povo brasileiro nos recebeu muito bem. Estou muito feliz e agradecido a todos os brasileiros; eles nos trataram como verdadeiros irmãos — completou Claudio.

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Franco Colapinto dirige o Renault 6 customizado pelos fãs argentinos
Franco Colapinto dirige o Renault 6 customizado pelos fãs argentinos (Foto: Reprodução/ Instagram)

O encontro com Franco Colapinto

Os amigos a bordo da Renoleta e da Valiant representam um movimento que tem sido muito forte nos últimos anos do GP de São Paulo: a presença massiva dos argentinos, fãs de Fórmula 1 e extremamente motivados pela presença de Franco Colapinto no grid. Edição após edição, eles colorem o autódromo e os arredores de Interlagos com o azul e branco da bandeira de seu país.

Por isso, a expectativa era tão grande para conhecer o piloto. Por meio do sucesso nas redes sociais, os amigos foram se aproximando da equipe de Franco e combinaram o encontro, tudo em segredo para não causar tumulto nas ruas da capital paulista. As imagens de Colapinto interagindo com os fãs e dirigindo a Renoleta customizada viralizaram e ganharam o mundo. Foi o próprio piloto, aliás, quem pediu para guiar o veículo.

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— Ele é extremamente cordial, tem uma humildade incrível. Um cara muito querido, que transmite uma grandeza humana enorme. Eu já o acompanhava desde a Fórmula 4, hoje ele mostra na pista que, mesmo não estando em uma das equipes dominantes da ponta, consegue tirar o máximo do carro para pontuar, o que tem alcançado com muito mérito — disse Claudio.

— Ganhei um abraço do Franco, conversamos, ele autografou minha camisa e ainda brincou: "Você é doido! Como tem coragem de vir num carro tão antigo desses?". Foi uma realização fantástica. Mesmo que o carro precise voltar guinchado, para mim a meta já foi alcançada: eu cheguei até aqui! — concluiu Julio.

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