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Estudante atingido por bala de borracha no olho em Flamengo x Vasco denuncia ação policial: 'Mandaram me virar'

Jovem de 18 anos relata ação policial durante tumulto após clássico

Pedro Cobalea
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 04/05/2026
16:41
Atualizado há 3 minutos
Artur foi atingido por uma bala de borracha no olho direito enquanto saia de Flamengo x Vasco (Foto: Reprodução)
imagem cameraArtur foi atingido por uma bala de borracha no olho direito enquanto saia de Flamengo x Vasco (Foto: Reprodução)

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Após o empate entre Flamengo e Vasco neste domingo (3), Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, estudante de nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), relatou ter sido atingido no olho direito por uma bala de borracha durante uma confusão envolvendo policiais nas imediações do Maracanã, na noite de domingo (3). O clássico foi marcado por episódios de violência nos arredores do estádio.

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Em contato com o Lance!, o torcedor do Vasco contou que a situação já era tensa ainda dentro do estádio, com uso de gás de pimenta contra torcedores. Do lado de fora, o cenário se intensificou com tumultos envolvendo a cavalaria e dispersão de pessoas que tentavam deixar o local.

- Mesmo assim, eu consegui sair do Maracanã com os meus amigos e, lá embaixo, na saída da Sul, também estava tendo bastante gás de pimenta. A gente se abrigou ali nos cantinhos das grades do Maracanã e foi indo quando dava.

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Segundo o relato, policiais montados avançavam contra torcedores, enquanto agentes do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) ordenavam que pessoas deixassem áreas onde buscavam abrigo.

- Eu vi os policiais jogando os cavalos e batendo de cacetete nas pessoas que estavam na grade na minha frente. Quando eu virei para ver onde estavam os outros, para saber se eu já estava mais seguro, eu tomei uma bala de borracha de um dos PMs no olho. Meu olho começou a sangrar muito.

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Artur foi atingido por uma bala de borracha no olho direito enquanto saia de Flamengo x Vasco (Foto: Reprodução)
Artur foi atingido por uma bala de borracha no olho direito enquanto saia de Flamengo x Vasco (Foto: Reprodução)

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Ferido, o estudante de 18 anos buscou ajuda, mas relatou dificuldades de conseguir atendimento. Segundo ele, a polícia se recusou a ajudar e uma ambulância presente no local não recebeu autorização para levá-lo a um hospital, enquanto o tempo estimado de espera por atendimento do SAMU seria de duas horas.

- Eu cheguei perto daquele carro do BEPE que eu falei anteriormente. Aquele mesmo policial mandou eu sair dali e me virar sozinho. Aí um outro falou: 'É, ganho teu… sai daí… vai procurar uma ambulância'. Eu saí correndo no meio dos carros com outro torcedor do Vasco e a gente achou uma ambulância. Eu acho que ela era do Maracanã, porque era privada. Só que ela pediu autorização para a base deles para me levar a um hospital, qualquer hospital, mas a base se recusou. Eles chamaram o SAMU, mas o tempo de espera era de 120 minutos. Não tinha condição de eu esperar isso. Eles fizeram um curativo no meu olho, mesmo sangrando muito, e eu peguei um táxi sozinho e fui encontrar meus pais no Hospital Miguel Couto.

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Ao chegar no hospital da Zona Sul, o jovem não conseguiu ser atendido e foi procurar ajuda no Souza Aguiar, localizado no Centro do Rio. Após realizar exames, foram apontadas fraturas faciais e danos graves ao globo ocular.

- Os oftalmologistas me informaram que eu perderia a visão do olho direito, que foi onde eu recebi a bala, e também falaram sobre uma fraturas na face.

Maracanã recebe Flamengo x Vasco
Maracanã recebeu Flamengo x Vasco (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

Atualmente internado em um hospital particular, ele deve passar por procedimentos cirúrgicos para reconstrução facial ainda nesta segunda-feira (4).

- Fiz outra tomografia, que constatou várias fraturas, incluindo no nariz e nos ossos ao redor do olho. O globo ocular está bem danificado e eu não tenho garantia de que vou voltar a enxergar. Além disso, o canal lacrimal está aberto e machucado, e eu vou precisar fazer alguns procedimentos cirúrgicos para reparar minimamente o dano estético. Mesmo assim, continuo sem garantia sobre a minha visão.

O estudante afirma que não participava de confrontos e critica a atuação policial.

- Eu só não queria que isso acontecesse com mais ninguém. Eu não estava me metendo em briga, só estava me refugiando na grade do Maracanã. Levei um tiro sem participar de nada, em um lugar onde havia diversas famílias, com crianças e idosos. Isso poderia ter acontecido com uma criança ou com um idoso, e poderia ter sido muito pior. Apesar de ter sido uma experiência muito traumática e a minha situação estar muito ruim, eu consegui chegar sozinho ao hospital. Mas a gente nunca sabe sobre o próximo. De repente, um idoso não conseguiria, e poderia morrer ali sem ter participado de briga nenhuma - finalizou Artur.

Procurado pelo Lance!, o Bepe não respondeu sobre o ocorrido a tempo da publicação da matéria.

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