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Lúcio de Castro: 'Flamengo contra todos'

Dois livros que já chegam vestindo a 10: a biografia de Lacerda e um relato sobre o Flamengo

zico-flamengo
imagem cameraZico comemorando gol pelo Flamengo no Maracanã (Foto: Reprodução / Twitter)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 30/01/2026
07:00
Atualizado há 2 minutos

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Tem Copa do Mundo.

Tem eleição.

Bastaria para a promessa de um grande ano.

Mas das rotativas de grandes editoras chegam duas notícias daquelas que fazem valer esse 2026 desde já.

Dois autores gigantes, cada qual do seu canto de atuação.

Dois livros que já chegam vestindo a 10.

Como os que assinam tais obras.

Da lavra de Mário Magalhães vem a biografia das biografias de Carlos Lacerda (Cia das Letras).

Da pena de Alberto Mussa, já quase saindo do forno, sai "Flamengo contra todos" (Civilização Brasileira).

Sobre o livro de Mário Magalhães, antecipo aqui em primeiríssima mão algumas das descobertas do escritor. E de "Flamengo contra todos", deixo ao fim, também antecipando, o pequeno texto que, como diriam os antigos, "à guisa" de apresentação, tive a honra de escrever.

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Mário Magalhães é um dos santos de minha devoção nesse ofício. Da prateleira mais alta desse altar ao lado de outros poucos que inspiram meus passos e orientam meus caminhos nada dóceis na profissão que Gabo definiu como "paixão insaciável".

Mestre de toda uma geração. Na universidade de jornalismo deveria ter a cadeira "Mário Magalhães" para ensinar o que é o rigor de uma apuração.

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São mais de 20 prêmios na carreira. E não estamos falando desses prêmios de festa junina que abundam no jornalismo atual e alguns exibem por aí. Algumas das maiores reportagens desse país.

Contou a história do padecimento dos cortadores de cana em São Paulo e esmiuçou as contradições de um agro não tão pop assim. Foi definitivo nos rumos da investigação da morte de PC Farias.

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Escreveu Marighella, obra-prima. Não bastasse tirar o personagem de um esquecimento forçado e nada ingênuo, revelou ao mundo um monte de fatos até ali desconhecidos. Virou filme, dirigido por Wagner Moura. Com muito molho.

Há 11 anos está mergulhado na vida de Lacerda. Serão duas edições e em maio sai o primeiro volume. Quem tiver juízo já devia ir para a fila agora.

Em primeira mão, contou para essa coluna sobre a relação de Lacerda com o futebol. Desconfio que ninguém conheça, assim como eu não conhecia.

O leitor irá descobrir que o biografado foi pioneiro da luta contra a Lei do Passe enquanto jornalista.

Com argumento definitivo: considerava que o passe era um resquício da escravidão. Eleito deputado federal em 1955, tomou como primeira iniciativa apresentar projeto extinguindo o passe. Foi, como sabemos pelo tanto que a lei durou, atropelado na votação.

Com o Lacerda de Mário Magalhães, ficaremos sabendo que provavelmente o último voto dele foi no clube do coração. Em 1976, foi à Gávea para votar na Frente Ampla pelo Flamengo, a histórica FAF, o grupo comandado por Márcio Braga que sacudiu o clube, mudando o patamar rubro-negro a reboque de Zico e levou o time ao título de campeão mundial. Com voto de Lacerda um ano antes de morrer.

Sede social do Flamengo na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)
Sede social do Flamengo na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Um amigo cético mas com raciocínio absolutamente correto me sussurrou a opinião dele quando soube que o imenso repórter estava metido nessa tarefa: Mário tinha arrumado um problema. Afinal, biografias não faltam de Lacerda, e algumas muito boas, como a feita pelo americano John Foster Dulles.

Mas quem conhece sabe que o veterano repórter só entraria nessa para trazer um arsenal de novas bombas.

Dá para esperar até que o célebre atentado da Tonelero seja recontado e a história refeita? Dá. Quem conhece sabe.

O livro sobre o Flamengo

Alberto Mussa deve chegar antes com seu "Flamengo contra todos" nas livrarias.

O escritor nos faz lembrar a clássica frase de Fernando Calazans sobre Zico. "Se Zico não ganhou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo".

Reescrita aqui, ninguém pode ter dúvida: "Se Alberto Mussa não está na Academia Brasileira de Letras, azar da Academia". Muito azar.

Provavelmente 90% ali não têm a metade da obra desse carioca, amante do samba e da boa resenha.

Para não citarmos daquele imortal…bem, deixa para lá e vamos adiante. Mas o fato é que ele está na ABL e Mussa não. Como já sabemos, azar da ABL.

Se a ABL ainda não pegou Mussa, o mundo lê o autor em 16 línguas, por 19 países.

De poesia árabe pré-islâmica até desembarcar na história do samba de enredo.

Mas a bomba que promete sacudir o mercado editorial é sobre o Flamengo.

E o Flamengo sempre gera barulho. Não será diferente.

A opção de recorte de Alberto Mussa para falar de Flamengo é absolutamente inusitada.

Quase uma provocação. Partindo de outra provocação, ao querer saber se o Flamengo é mesmo o clube mais perseguido e combatido do futebol brasileiro.

A resposta, aqui sem spoiler, vem de um mergulho profundo em estatísticas de campeonatos, dados históricos, números de confrontos e registros oficiais.

Para enfim ter a resposta deste "Flamengo contra todos".

Tive a honra de, como contado acima, participar com pequeno texto. Me sentindo como Merica e Dendê deviam se sentir jogando ao lado de Zico.

Com a permissão do autor, deixo aqui ao leitor desse LANCE! o texto cometido. Assim como no lançamento de Lacerda, já estou na fila. Que promete virar um Maracanã. O antigo, com alma, não essa farsa de estádio que brotou ali.

Segue o que escrevi e vai estar em "Flamengo contra todos":

Alberto Mussa deu uma volta ao mundo com sua obra.

Passou por 19 países.

Falou em 16 idiomas.

Atravessou a poesia árabe pré-islâmica e desembarcou na história do samba de enredo.

Europa, Oceania e Mundo Árabe estudaram a obra desse carioca que coleciona alguns dos maiores prêmios do ramo.

Contista, ensaísta, romancista, fez também novelas cujas páginas percorreram as ruas do Rio de Janeiro através de cinco séculos.

Teve toda a cena literária daqui e lá de fora aos seus pés. Mas, lembrando o Dorival descrito pelo poeta, "teve e nem ligou".

É que depois de tantos países, tantas línguas, tantas fronteiras cruzadas, parece que faltava algo. Ainda maior.

Faltava falar com uma Nação.

Faltava reencontrar o menino de 9 anos de idade que passou pelo Bellini e viveu a experiência única e mística de subir a rampa do velho Maracanã (e não esse arremedo de estádio que agora está ali).

O arrebatamento daquele agosto de 1970 é o que o leitor irá encontrar nas páginas deste "Flamengo contra todos".

Obra de um Mulambo, de um Urubu.

Testemunho de amor da paixão maior que ficará de testamento para João e Heitor.

Era ou poderia ter sido um emaranhado de números, estatísticas, dados e equações matemáticas.

Era para ser o que Darcy Ribeiro chamava de um compêndio "folhudo".

Se foi essa a ideia, o autor fracassou.

Traído pelo coração rubro-negro, sobra alma no livro de Mussa.

Porque por trás de cada número, de cada fórmula exata, tem a cesta de Guguta que fulminou Gilberto Cardoso no Maracanãzinho e deu o título de basquete de 1955.

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Tem os deuses da raça, Rondinelli e Dr Rubis, aquele que costumava explicar as vitórias rubro-negras soletrando o motivo: "R-A-S-S-A"

Aos 42 minutos, o gol: Rondinelli cabeceou e deu título estadual ao Rubro-Negro (Foto: Acervo/Flamengo)
Aos 42 minutos, o gol: Rondinelli cabeceou e deu título estadual ao Rubro-Negro (Foto: Acervo/Flamengo)

Tem gol de Gabigol aos 48. Sobra Zico.

Porque ao fim, todo esse espetacular trabalho que já inscreve Mussa na galeria dos grandes autores rubro-negros onde Mário Filho e José Lins do Rego repousam, os números, do alto de sua fria exatidão, estão longe de anular todo o imaginário simbólico do torcedor Flamengo.

Muito ao contrário: vencidas as 247 páginas, o rubro-negro irá transformar tudo isso em combustível maior para essa identidade que alimenta a chama rubro-negra: é o Flamengo contra todos.

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