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Flamengo se manifesta sobre possível fim das bets e alerta para impacto no esporte

Clube defende a manutenção do mercado regulado de apostas

PorLucas Bayer•Rio de Janeiro (RJ)
25/09/2026 13:49
Camisa do Flamengo com a logo do BRB (Foto: Divulgação/Flamengo)
Camisa do Flamengo com a logo da Betano (Foto: Divulgação/Flamengo)

O Flamengo se posicionou nesta sexta-feira (25) sobre a possibilidade de proibição das bets no Brasil. Em nota oficial, o clube defendeu a manutenção do mercado regulado de apostas esportivas e afirmou que uma eventual mudança no marco regulatório teria impacto no esporte brasileiro, além de empresas e trabalhadores ligados ao setor.

O Rubro-Negro argumentou que o país passou anos discutindo a regulamentação das apostas, enquanto empresas fizeram investimentos e assumiram compromissos para operar legalmente. Para o clube, uma mudança repentina nas regras afetaria a chamada segurança jurídica.

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— Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório — diz trecho da nota do Flamengo, que também foi publicada pela Betano, patrocinadora master do clube.

Camisa do Flamengo com a logo do BRB (Foto: Divulgação/Flamengo)
Camisa do Flamengo com a logo da Betano (Foto: Divulgação/Flamengo)

Na nota, que também foi publicada por outras empresas focadas no ramo das apostas esportivas, o Flamengo afirmou que eventuais problemas na regulamentação devem ser corrigidos, mas fez uma distinção entre aperfeiçoar as regras e desmontar o mercado regulado.

"Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la."

O clube também destacou os possíveis reflexos de uma eventual proibição para diferentes setores do esporte. Segundo o Flamengo, a medida atingiria o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.

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A nota ainda cita impactos em empregos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços. O Flamengo também argumenta que o mercado regulado contribui para a arrecadação pública por meio de impostos e das destinações previstas em lei.

Betano também se manifesta

A possibilidade de mudanças no mercado de apostas também afeta diretamente o Flamengo por conta da parceria com a Betano, patrocinadora master do clube. Procurada pelo Lance!, a empresa afirmou que acompanha a discussão sobre o futuro das bets no país com preocupação.

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"A Betano monitora com muita preocupação a discussão atual no país e tomará decisões no momento apropriado", disse a empresa.

Confira a nota oficial do Flamengo

"O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.

Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.

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Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.

Isso é uma questão de segurança jurídica.
E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado.
A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro.

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Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.

O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica.

Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade.

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Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país.
E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão.

Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço.
Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal.

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Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas.
Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.

O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.
E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade.

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O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população.
Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas.

O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu."

Para acompanhar as notícias do Flamengo, acompanhe o Lance! Todas as informações e acontecimentos atualizados em tempo real.


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