Flamengo se manifesta sobre possível fim das bets e alerta para impacto no esporte
Clube defende a manutenção do mercado regulado de apostas

O Flamengo se posicionou nesta sexta-feira (25) sobre a possibilidade de proibição das bets no Brasil. Em nota oficial, o clube defendeu a manutenção do mercado regulado de apostas esportivas e afirmou que uma eventual mudança no marco regulatório teria impacto no esporte brasileiro, além de empresas e trabalhadores ligados ao setor.
O Rubro-Negro argumentou que o país passou anos discutindo a regulamentação das apostas, enquanto empresas fizeram investimentos e assumiram compromissos para operar legalmente. Para o clube, uma mudança repentina nas regras afetaria a chamada segurança jurídica.
— Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório — diz trecho da nota do Flamengo, que também foi publicada pela Betano, patrocinadora master do clube.

Na nota, que também foi publicada por outras empresas focadas no ramo das apostas esportivas, o Flamengo afirmou que eventuais problemas na regulamentação devem ser corrigidos, mas fez uma distinção entre aperfeiçoar as regras e desmontar o mercado regulado.
"Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la."
O clube também destacou os possíveis reflexos de uma eventual proibição para diferentes setores do esporte. Segundo o Flamengo, a medida atingiria o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.
A nota ainda cita impactos em empregos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços. O Flamengo também argumenta que o mercado regulado contribui para a arrecadação pública por meio de impostos e das destinações previstas em lei.
O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
— Flamengo (@Flamengo) September 25, 2026
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Betano também se manifesta
A possibilidade de mudanças no mercado de apostas também afeta diretamente o Flamengo por conta da parceria com a Betano, patrocinadora master do clube. Procurada pelo Lance!, a empresa afirmou que acompanha a discussão sobre o futuro das bets no país com preocupação.
"A Betano monitora com muita preocupação a discussão atual no país e tomará decisões no momento apropriado", disse a empresa.
Confira a nota oficial do Flamengo
"O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.
Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.
Isso é uma questão de segurança jurídica.
E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado.
A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro.
Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.
O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica.
Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade.
Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país.
E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão.
Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço.
Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal.
Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas.
Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.
O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.
E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade.
O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população.
Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas.
O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu."
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