À sombra dos gigantes: Copinha une jogo no 'café da manhã' e tradição do futebol paulista
Nacional e Portuguesa Santista se enfrentaram às 8h45.

- Matéria
- Mais Notícias
A Marquês de São Vicente, na Zona Oeste de São Paulo, abriga os CTs do São Paulo e do Palmeiras, lado a lado. Mas, atravessando a avenida, há um vizinho menos pomposo que agita o futebol da capital paulista na manhã da quarta-feira (7): o Nacional.
Relacionadas
O estádio Nicolau Alayon recebeu o confronto entre os donos da casa e a Portuguesa Santista, às 8h45 (de Brasília), pela segunda rodada do Grupo 32 da Copa São Paulo de Futebol Júnior. O Lance! esteve na partida.
Ao contrário do que é visto nos jogos dos times grandes da capital, a entrada do estádio não tinha tanta movimentação, comércio e presença massiva de policiais. O único estabelecimento aberto era o bar do Nelsão, que vendia café e as tradicionais Fogazzas do Nicolau Alayon.

O duelo marcou o encontro de duas equipes tradicionais do estado de São Paulo. O Nacional foi fundado em 1919, e o estádio Nicolau Alayon foi inaugurado em 1938. A Portuguesa Santista também é centenária, fundada em 1917, e é o vizinho menos famoso do Santos, no litoral paulista.
Foi o primeiro jogo do dia, mais tarde, às 11h (de Brasília), o Internacional iria enfrentar o CSE-AL. O público não era somente formado por torcedores do Nacional. Fãs de futebol chegavam aos poucos. Em contato com o Lance!, um deles respondeu "É perto de casa, estava de bobeira, vim assistir". O ingresso foi gratuito.
- Não houve uma especificidade de campanha para atrair público. Nós somos um clube modesto, em reconstrução, colocando todos os esforços e energia naquilo que conseguimos entregar. Então, dentro de uma previsibilidade, a gente tem a publicação da tabela, não com muita antecedência, mas o horário já estava previsto desde a divulgação, e o público vai se acomodando conforme a regra do calendário - contou Tato Jacopetti, diretor jurídico do Nacional.

Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
Desafios da Copinha
Com um calendário apertado, a competição de juniores se torna um importante momento de visibilidade para equipes com orçamento menor. São 128 times de todo o Brasil, divididos em 32 sedes, em sua maioria cidades do interior, na disputa de um torneio que existe desde 1969. A Copinha tem como objetivo homenagear a capital paulista, e a final é disputada tradicionalmente em 25 de janeiro, data do aniversário de São Paulo. Diante do grande número de partidas, as equipes compreendem esses horários atípicos, como o da partida de quarta-feira (7).
- Existem essas situações de jogar de manhã, e nas fases seguintes há menos tempo de descanso, pois existe a necessidade de jogar entre 28 e 30 horas. É difícil. Então, os atletas são preparados desde o começo da temporada para lidar com todos esses fatores. O Nacional é um clube muito tradicional na Copinha, o Nicolau Alayon é o estádio que mais recebeu jogos da Copinha na história. Esses fatores e ingredientes, mesmo sendo um clube modesto e com uma equipe dedicada, nós trabalhamos com os atletas. O jogo pode ser marcado em um horário não muito agradável - disse Tato.
- Em relação a esse horário de 8h45, foi uma determinação direta da Federação Paulista, mas eu entendo que isso não é prejudicial a nenhuma equipe, até porque serão condições iguais. Todas as equipes vão ter que se adaptar a esse horário, que é realmente um horário novo. Acorda mais cedo, faz as refeições mais cedo, mas eu não encaro isso como nenhum problema, nenhum obstáculo, tanto a federação quanto a secretaria de esportes têm dado todo o apoio e por enquanto a organização tem sido perfeita - contou Cassiano Carduz, gerente de futebol da Portuguesa Santista.
Logística
As equipes se mobilizaram para a disputa da competição. O Nacional se organizou para instalar um alojamento nas dependências do clube, enquanto a Portuguesa Santista também precisou se adaptar à logística do torneio.
- Estamos trabalhando com uma equipe de 30 atletas, há um staff, todo mundo tem que trabalhar para isso. Muitos atletas vieram, mesmo os que moram em São Paulo ficaram no alojamento do clube. Tivemos que correr e nos aventurar para comprar colchão, arrumar alguns quartos, atender esses meninos. Isso tem um efeito positivo também. O elenco fica mais unido, os meninos que estariam em casa estão mais dedicados ao clube, mais concentrados. Temos que fazer do limão uma limonada - contou o dirigente do Nacional.
- A recuperação já é curta e com um jogo bem cedo os atletas precisam dormir o mais cedo possível para ter um tempo de sono adequado de 7 já 8 horas no mínimo. Tivemos que fazer uma logística mais elaborada de janta, lanche da noite, café da manhã e saída para o jogo. Com esse horário bem cedo, só tivemos recuperação sem carga de treino pelo desgaste dos atletas na estreia - disse William Souza, treinador da Briosa, como é chamada a Portuguesa Santista.

Torcida
Nas arquibancadas, muitos parentes e representantes de jogadores. Famílias inteiras estavam no Nicolau Alayon e, por muitas vezes, os cânticos não eram em direção aos times, mas a atletas específicos: "Esse é meu sobrinho".
A partida foi movimentada, e, mesmo com o calor de 27 graus na manhã da capital paulista, as equipes demonstraram muita intensidade. Apesar disso, o jogo terminou empatado por 0 a 0. Sem gols, Nacional e Portuguesa Santista ficaram no empate em um jogo que sintetizou o espírito da Copinha: sacrifício, tradição e jovens em busca de espaço no futebol.

Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















