Marcio Porto
13/07/2018
05:05
Enviado especial a Moscou (RUS)

Um possível titulo da Croácia na final da Copa do Mundo no próximo domingo contra a França entraria para a história como uma das maiores façanhas do futebol. Como um país de 4 milhões de habitantes foi capaz de desbancar as favoritas e atingir a glória? Seria grandioso demais. Algo que N'golo Kanté teve o prazer de viver recentemente e agora terá a missão de evitar. 

O volante francês de 27 anos ganhou notoriedade no futebol sendo protagonista em um feito facilmente comparável ao possível título mundial da Croácia. Foi um dos principais jogadores da conquista da Premier League pelo modesto Leicester City na temporada 2015/2016. A conquista mudou a vida de todos os envolvidos e foi encarada por boa parte da imprensa internacional como a maior da história do futebol. 

Um ano antes, o Leicester tinha sido lanterna e quase rebaixado, depois de passar muitos anos nas divisões inferiores. Tinha o quarto pior orçamento do campeonato. Tudo isso fazia com que as casas de apostas pagassem 2.500 para 1 em caso de título do clube. Sorte de quem apostou. Sob o comando do italiano Cláudio Ranieri, o Leicester superou os gigantes com apenas três derrotas no campeonato. Lendário. E muito por causa de Kanté.

Com 1,68m de altura, o francês exibiu futebol de gigante e não parou mais de brilhar. Foi eleito o principal jogador do time no ano do título, o que lhe rendeu transferência para o poderoso Chelsea na temporada seguinte. Conquistou o bi da Premier League e na última Bola de Ouro da Fifa figurou entre os dez primeiros, ocupando a 8º posição. Tudo fruto de uma capacidade absurda para ler o jogo e estar sempre ocupando os espaços. Virtudes que estão à  disposição da França na Rússia para abater o sonho croata. 

Na Copa do Mundo, Kanté é disparado o jogador que mais roubou bolas. Foram 58, contra 43 do já eliminado Mário Fernandes, brasileiro que defendeu a anfitriã Rússia. Acertou 317 passes de 351 tentativas, aproveitamento de 90,3%. Precisão e vitalidade que enchem os olhos de seu treinador Didier Deschamps. 

- Kanté é o melhor da posição no mundo. E, de qualquer forma, um dos melhores do mundo no geral. Seus feitos serão lembrados mais para frente - afirmou o comandante francês. 

Afora o fato de ser seu jogador e de gostar de exaltar os seus, Deschamps tem autoridade para falar sobre volante porque atuou na posição e foi campeão mundial pela França em 1998 como capitão e responsável por proteger a defesa, como Kanté faz agora. 

No domingo, no estádio Lujniki, em Moscou, um reverenciado Kanté jogará para colocar seu nome na história como um dos 23 jogadores a garantirem o bicampeonato mundial para a França. Seria um título gigante, como toda Copa, mas nada que se compare à possível conquista da Croácia. Essa, sim, seria uma façanha sem precedentes, algo que Kanté já viveu e agora tenta evitar.