Walter de Mattos Jr.
15/07/2018
20:19
Rio de Janeiro (RJ)

Luka Modric e Mbappé

Um venceu o prêmio de maior revelação, com justiça, e ainda teve a fortuna de deixar seu nome na história também como o mais jovem a marcar gol numa final desde que Pelé deu chapéu e botou para a rede na final contra a Suécia em 1958, para depois chorar nos ombros de Didi. O veloz e sorridente atacante do PSG, colega de Neymar não se sabe até quando, promete virar um novo Fenômeno no fut. Já o meio campista croata do Real Madrid mereceu ser o melhor da Copa, embora não tenha se destacado na final, sabe-se lá se por estar em déficit pelo esforço nas três prorrogações para alcançar a final. Griezman foi o jogador da final, como poderia ser também Pogba, na minha opinião.

Antes da Copa, as apostas eram em cima dos gênios Messi, CR7 e Neymar, que acabaram não entregando o que deles se esperava. Os dois troféus estão em boas mãos!

A personagem

Num esporte dominado por homens, e logo na Rússia, país tão machista, foi de acontecer que um dos personagens desta Copa tenha sido uma mulher. A presidente da Croácia, primeira mulher no cargo, Kolinda Grabar-Kitarovic, no pódio, com a camisa de sua equipe nacional, ladeada por homens de terno, ilustrou que ela “causou” neste mundial. Sua simpatia, espontaneidade e naturalidade até mesmo ao festejar a vitória contra a Rússia no vestiário dos jogadores foi um dos tópicos mais comentados. Ela é política, enfrentará novas eleições ano que vem, é fã e amiga do craque Modric, e por isto também recebe críticas no seu país. Da mesma forma que a talentosa e guerreira equipe vice-campeã não sairá de nossa memória, Kolinda foi estrela na terra de Putin!

A imagem diz quem manda. E a etiqueta foi para o saco

Começa a chover justo na cerimônia de premiação . E não é pouca chuva. Na plataforma por onde os premiados se perfilam para receber seus prêmios e medalhas estão as autoridades máximas. Gianni Infantino (presidente da FIFA), Emmanuel Macron (presidente da França), Kolinda (presidente da Croácia) e todos os outros dirigentes vão ficando bem molhados. Mas há uma exceção: o todo-poderoso Vladmir Putin, que organizou uma ótima Copa, permanece praticamente seco, graças a um grande guarda-chuva seguro por um assessor que o protegia. Não havia dúvidas quanto à quem deveria ser protegido da chuva. A proteção para os outros mandatários, que eram convidados de Putin, só chegou quando todos estavam ensopados!

Voltando à política

Uma aposta fácil de fazer é que, por diferentes motivos, tanto Macron quanto Kolinda vão ganhar pontos de popularidade em seus países!

A luta de milhões e o grande Casagrande

Muita gente luta contra o vício das drogas e outras formas de adição. O íntegro Casão, que contou sua luta até em livro, faz um bem à sociedade ao ser transparente e mostrar, entre tombos e avanços, que é possível vencer este jogo também.

Ao fim da transmissão da Copa na Globo, o ex-jogador se emocionou ao comemorar a sua vitória pessoal na Rússia, que era entrar e sair desta Copa sóbrio. Ele relatou um feito a ser comemorado por todos, como um incentivo aos milhões que também travam esta mesma batalha. Foi o gol mais importante da vida do artilheiro!

Fará falta

Arnaldo César Coelho se despediu no ar de sua audiência dizendo que esta foi sua última Copa. O criador do mote ‘a regra é clara’ foi também um personagem deste esporte que tanto amamos no nosso país. Sentiremos a falta de sua competência e cordialidade, Arnaldo!

VAR foi bom, mas não para a gente...

Dizer que o VAR veio para ficar soa como óbvio à esta altura. Sim, precisa ter sua operação melhor entendida e aperfeiçoado. Mas fico com gosto amargo pois em dois lances capitais (a falta em Miranda no primeiro jogo e a falta em Jesus contra a Bélgica) para a nossa Seleção, penso que fomos prejudicados de maneira capital. Para o Brasil, melhor que o VAR em 2018, seria ter o árbitro sul-coreano Kim Young-Joo, que viu falta de Wilmot em Roque Júnior e anulou o gol da Bélgica no jogo das oitavas na Copa de 2002 !

Tite e a CBF

Exclamamos aqui com veemência a favor de um novo ciclo, desta vez completo, para Tite no comando da canarinha. Confiamos que ele terá aprendido importantes lições na Rússia e que é nossa melhor opção para o Qatar.
Mas muito mais importante para o futuro do futBr seria uma mudança no comando da entidade-madastra do fut, a CBF. Com centenas de milhões nos cofres, fruto do monopólio da exploração da Seleção, deveria ser a CBF a responsável por um projeto de longo prazo de desenvolvimento de talentos e de um estilo de jogo que recoloque o Brasil como referência e não somente na dependência de lampejos de craques, cada vez mais rarefeitos por aqui. Mas pedir isto seria demais para uma entidade que se caracterizou, nos últimos 50 anos, por ser dirigida por gente envolvida em corrupção, com exceção da gestão Giulitte Coutinho. Os que por lá passaram só cuidaram de seus interesses e da manutenção no poder. Acabou que fracassamos na Rússia e não mudamos a gente que nos explora há tanto tempo. Perdemos mais tempo!

Foi para você

Parabéns para a equipe LANCE!, que durante mais de 40 dias ofereceu conteúdos de todos os tipos a tempo e à hora para nossos leitores. Com abundante material vindo tanto da Rússia, de nossa equipe de enviados especiais, como dos jornais parceiros do Pool da Copa, e também das equipes do Rio e de São Paulo, nossos leitores não perderam nada e tiveram uma visão particular, com muita paixão e conhecimento do jogo. Que venha o Qatar!