Conheça Lara Almeida, brasileira que já treinou com Marta e foi convocada para seleção sub-16 dos Estados Unidos
Fã de Messi, jovem de 16 anos sonha em ser jogadora profissional

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Referência no futebol feminino mundial, os Estados Unidos são o cenário da trajetória de Lara Tetto de Almeida. Nascida no Paraná, a atacante integra as listas da seleção sub-16 norte-americana, vive no país desde a infância, completa 16 anos neste ano e se inspira no argentino Lionel Messi, sem deixar de lado a relação com o país natal.
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A presença de Lara nas listas da seleção chama atenção já pelo nome. Em um universo majoritariamente formado por atletas nascidas no país, a jogadora tem uma história diferente. Ela começa fora do esporte, com a mudança da família para Orlando, na Flórida, no fim de 2017, conforme conta Léo Almeida, pai de Lara, em entrevista ao Lance!.
— Eu já tinha estudado aqui nos Estados Unidos em 1998 como intercambista, joguei futebol aqui também, e tinha um desejo forte de voltar. Vi isso como uma oportunidade. A Lara tinha sete anos e eu tinha um filho pequeno, com pouco mais de um ano. A ideia era uma mudança permanente, mas precisávamos ver como seria a adaptação. E ela foi muito melhor do que imaginávamos — diz ele.
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Segundo o progenitor, a decisão de sair do Brasil foi motivada por razões profissionais. Com o encerramento das atividades do banco em que trabalhava em Curitiba, ele teria de se mudar para Rio de Janeiro ou São Paulo. A família optou por uma mudança internacional.
Foi na rotina escolar americana que o futebol passou a ocupar um espaço central. As escolas funcionam em período integral, com atividades esportivas no contraturno. Léo conta que, ao procurar opções, percebeu que a filha demonstrava facilidade com a bola. A inscrição em uma escolinha marcou o início da trajetória esportiva formal.
Lara começou no grupo de desenvolvimento, treinando com meninos, e depois foi integrada a um clube competitivo, o FC Highland. A partir daí, passou a disputar torneios regionais e nacionais, com uma carga de treinos mais intensa.
— Desde pequenininha. Meu pai, meu tio jogavam. Meu vô era do Paraná Clube, tinha a Gralha Azul, o mascote. Eu ia nos jogos com meu pai, ficava andando por ali. Sempre esteve na minha vida. Quando vim pra cá, eu sempre falava pros meus pais que queria jogar futebol — conta Lara.
— Minha mãe tentou me colocar em dança, ginástica, mas eu queria futebol. Comecei num time com meninos, depois joguei com meninas, depois voltei pros meninos, depois com meninas mais velhas — completa.
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Como Lara chegou à seleção dos Estados Unidos
Nesse período, ela passou a trabalhar com dois treinadores que acompanham seu desenvolvimento até hoje: Jeremy Christie, técnico neozelandês e ex-jogador profissional, e Giles Barnes, auxiliar técnico do Orlando Pride. Com a equipe, Lara passou a disputar a ECNL, liga considerada uma das principais vitrines do futebol de base feminino nos Estados Unidos.
Com a sequência de boas atuações, vieram os primeiros contatos de observadores, pedidos de vídeos e acompanhamento em competições. O processo resultou na convocação para a seleção sub-16 dos Estados Unidos, para um período de treinamentos e jogos na Espanha, em janeiro, contra Alemanha e Bélgica.
Atualmente, defende a equipe da escola e do clube, além da seleção, conciliando treinos diários com a rotina acadêmica. Léo destaca que o esporte teve impacto direto na formação educacional da filha, facilitando a transição de uma escola pública para uma instituição privada.
O pai também chama atenção para o custo do futebol de base nos Estados Unidos. Estimativas apontam um custo médio anual de cerca de 5 mil dólares por atleta, valor que pode chegar a mais de 40 mil dólares em casos de alto rendimento e escola privada.
— Aqui é diferente do Brasil. No Brasil, o clube banca. Aqui, os pais custeiam tudo. Por isso existe um respeito maior à opinião da família quando se trata de seleção ou convocações, porque o investimento é dos pais — explica ele.

Sonho de atuar profissionalmente
Dentro de campo, Lara atua preferencialmente pela ponta esquerda, embora também jogue como meia central. Mesmo sendo destra, a adolescente costuma cortar para o meio e finalizar.
Com maturidade acima da idade, Lara diz que seu objetivo principal é seguir carreira profissional no futebol. A universidade faz parte do planejamento, não como prioridade, mas como uma etapa da vida esportiva.
— Quero acordar todo dia e jogar futebol. A universidade é importante e eu quero fazer, mas meu objetivo principal é ser jogadora profissional. Depois da carreira, eu penso em algo ligado ao esporte. Minha mãe é fisioterapeuta e eu gosto disso. Talvez trabalhar com esporte, fisioterapia esportiva. O futebol é minha vida. Eu treino todo dia, menos domingo — diz a jovem.
Sobre o futuro, Léo afirma que a família não tem planos de retornar ao Brasil. Ele destaca que Lara possui cidadania brasileira, americana e italiana, o que amplia as possibilidades. Em relação aos contratos ou agentes, comuns no futebol brasileiro, ele explica que qualquer negociação formal só pode ocorrer a partir dos 16 anos, conforme as regras locais.
Enquanto isso, Lara segue em processo de formação, dividindo a rotina entre escola, treinos e competições, em um caminho que começou no Brasil e se desenvolveu no futebol norte-americano.

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