Botafogo SAF x Social: entenda o conflito nos bastidores do clube
John Textor trava disputas judiciais e subiu tom em meio a ação do associativo

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O Botafogo vive um grande conflito político no segundo semestre, briga essa que esquentou nos últimos dias e foi parar na Justiça após agravo apresentado pelo clube social contra a SAF de John Textor. O cenário, que era de paz em outrora, agora, apresenta o contrário ao torcedor.
Tudo começou com discordâncias quanto ao modelo de gestão do estadunidense e como o Social, presidido por João Paulo Magalhães, discordava. Primeiro contatos informais, depois reuniões e até convocação para encontro do conselho deliberativo. Até que, no início desta semana, a cúpula de General Severiano resolveu agir.
A parte associativa do Botafogo, dona de 10% da SAF, entrou com agravo na 21ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro solicitando ressarcimento de R$ 155 milhões de suposta dívida da Eagle Football, dona de 90%, mais bloqueio de venda de todos os ativos. A decisão inicialmente foi rechaçada, mas houve reviravolta horas depois e o pedido foi atendido parcialmente — apenas sobre negociações de ativos.
John Textor, então, acionou os conselheiros da Eagle MIDCO, empresa braço da Eagle Football, para resolverem as questões entre grupo, SAF e Botafogo Social. Uma primeira resposta. O empresário entrou no jogo e, indiretamente, cutucou Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente, e João Paulo, atual mandatário. Há o sentimento de que a gestão de General Severiano "apunhalou" a SAF. Textor e João Paulo já não têm o mesmo contato de antes. Sinais claros de ruptura.

Botafogo com bastidores quentes
Nesta sexta-feira (28), a SAF do Botafogo conseguiu reverter a decisão que proibia a venda de jogadores sem autorização da Justiça e anuência do associativo. Estaca zero e, o que era vitória parcial do Social, virou triunfo da gestão do futebol — vendido no início de 2022. Princípio de acordo.
O Botafogo Social deseja que os valores arrecadados em transferências de jogadores sejam diretamente para os cofres da SAF, não em caixa único da Eagle, que ainda gere Lyon e RWDM Brussels, da Bélgica. Montenegro, em entrevista ao "GE" falou sobre o tema de saída de recursos para a Europa e, em seguida, o clube emitiu nota.
"Como pode o atual Campeão Brasileiro, o atual Campeão da Libertadores, o Clube que vendeu seus ídolos para salvar o Lyon, não ter dinheiro para nada? Vocês torcedores acham justo o que a Eagle está fazendo com o Botafogo? E vocês torcedores acham que nós do Clube Social, sabendo dessa situação, acompanhando o sofrimento da SAF e de seus executivos, não devemos nos posicionar para defender o Botafogo? Não só nós do Social, como todos vocês da arquibancada, tem a obrigação de proteger o Botafogo dessa sacanagem que fazem conosco e, por favor, SAF e Textor não neguem, pois todos sabemos a verdade", escreveu o associativo.
Dentro da sede de General Severiano, um grupo formado por 24 conselheiros enviou uma carta em apoio a John Textor. A ala do clube acredita que o Social não pode intervir nas ações do futebol, base do acordo firmado na aquisição por parte do bilionário americano.
John Textor também teve oportunidade de se pronunciar e rebateu Montenegro em entrevista a um grupo de comunicadores organizada pelo jornalista Thiago Franklin. O dono da SAF foi direto e não poupou palavras.
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"Quando Montenegro diz que não quer restringir a negociação de jogadores, quer garantir que o dinheiro permaneça no Brasil… Primeiro, não é o dinheiro dele, é o meu dinheiro. Eu investi 200 milhões de dólares em dinheiro neste negócio. Meus outros investidores investiram mais de 100 milhões em dinheiro. A Ares investiu 400 milhões em dinheiro", disse.
De dias de despachos da Justiça, troca de acusações e clima quente, o Botafogo vai preparando o terreno para um 2026 incerto. Textor fala em grande ano, planeja grandes coisas, enquanto o Social vê situação de risco com caixa curto e probabilidade alta de perda de destaques do elenco.
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