Bernardo Cruz e Igor Siqueira
16/08/2016
17:22
Rio de Janeiro (RJ)

A eliminação nos pênaltis para a Suécia diante de um Maracanã com mais de 70 mil presentes doeu demais nas jogadoras e comissão técnica da Seleção feminina de futebol. O fim do sonho do ouro olímpico nos Jogos do Rio era visto no samblante das jogadoras, muitas delas chorando na saída de campo, e do próprio técnico Vadão durante sua entrevista coletiva nesta terça-feira.

O treinador do Brasil não escondeu o gosto amargo por cair diante de um rival que havia sido goleado pelo time verde e amarelo ainda na fase de grupos.

- Sobre a derrota foi horrível. Nós tivemos o domínio do jogo e sabíamos que a estratégia da Suécia seria essa. Tivemos poucas oportunidades de gol e nos pênaltis elas acabaram sendo mais efetivas. Falei após o primeiro confronto que aquele placar foi atípico. Ficamos devendo para o nosso torcedor, que nos apoiou desde o início e fez uma linda festa. Poder atuar diante de 70 mil pessoas, em um estádio que é sinônimo cultural e representativo do futebol brasileiro  é algo único para a modalidade feminina - declarou o treinador, que não reclamou de um possível anti-jogo pela estratégia de jogo adversária:

- Acredito que se nosso adversário fosse os Estados Unidos a postura seria diferente. Mas não posso reclamar da postura da Suécia. Elas tinham essa proposta de jogo e foram quase perfeitas nesse sentido. Além disso elas estão na final, nós não. Então precisamos elogiar.

Vadão, por outro lado, se mostrou preocupado com a transição para o próximo ciclo olímpico. Questionado na coletiva sobre as declarações de Formiga e Cristiane (disseram que não deveriam seguir mais na Seleção), o treinador espera que a afirmação tenha sido tomada de cabeça quente.

- Todo mundo está no calor da desclassificação. Não conversei com elas e não sei o que elas disseram. Espero que tenha sido algo de cabeça quente. Não podemos perder jogadoras como a Formiga, Cristiane e a própria Marta em um processo de transição. A modalidade tem um calendário mais curto e a reposição com isso é lenta, diferente do masculino. Caso elas saiam, será um trabalho mais árduo e lento.

Sobre o futuro, o treinador acredita que o resultado conquistado nos Jogos Olímpicos só fortalecerá ainda mais o projeto da Seleção permanente. Contudo, ele não garantiu se vai permanecer ou não no cargo.

- O projeto vai continuar. É um desejo do presidente da CBF (Marco Polo Del Nero) pela continuidade para o crescimento da modalidade. Agora se amanhã a direção entender que é necessária a mudança da comissão técnica para tocar a sequência do futebol feminino é outra história - afirmou Vadão, que revelou ainda que partiu dele a decisão em utilizar Cristiane sem estar 100% diante da Suécia:

- A decisão e responsabilidade por começar com a Cristiane no banco foi totalmente minha. Não passou pelo departamento médico. Ontem conversei com ela e avise que não pretendia iniciar com ela ou até mesmo colocá-la em campo. Foi uma estratégia minha, uma vez que se a gente passa, teria três dias para que ela estivesse mais inteira. Mesmo sem dor, ela não treinou. Então pela situação de jogo optei em lançar ela no jogo - finalizou.

O Brasil agora espera pelo perdedor da outra semifinal entre Alemanha e Canadá para saber quem será seu adversário na disputa pelo bronze. O confronto acontece nesta sexta-feira, às 13h, na Arena Corinthians.