Felipe Domingues
14/08/2016
14:34
Rio de Janeiro (RJ)

Quanto um minuto e dez segundos podem mudar a sua vida? Nesse período, tudo pode acontecer. Mas faça essa pergunta para Diego Hypolito e Arthur Nory neste domingo. A resposta será, certamente, carregada de emoção. Redenção, superação, volta por cima... Tudo isso pode ser utilizado para definir o que os ginastas brasileiros alcançaram: as medalhas de prata (Hypolito) e bronze (Nory) nos Jogos Olímpicos do Rio.

Na Olimpíada de Pequim (CHN), em 2008, o favorito Diego caiu sentado na decisão do solo. Quatro anos depois, em Londres (2012), caiu de cara. No Brasil? Bom, em casa ele caiu de pé. E direto no pódio, com uma nota que, apesar de não ter sido tão alta, era o que bastava: 15,533.


Segundo a entrar no tablado, o ginasta tinha uma feição séria. Não sorriu quando apresentado e mostrava uma concentração que impressionou, desde o instante em que colocou os pés na área de competição. Seguro, Hypolito parecia gritar consigo a cada salto cravado. 

Quando encerrou sua apresentação, correu para os braços do técnico Marcos Goto. Era o momento de redenção. Nessa hora, Diego gritava, pulava, vibrava com a torcida... O brasileiro havia, enfim, renascido no Rio de Janeiro.

- Olha, são muitos momentos que passei para chegar aqui. Se eu consegui continuar foi porque vocês acreditaram em mim. Não sei explicar o quanto estou feliz. Torcida brasileira, meu povo, todos nós podemos chegar ao nosso sonho, basta acreditar - disse Diego, em meio às lágrimas, com a medalha.

Na sequência, Arthur Nory fez a performance de sua vida. Encantou a torcida, os árbitros, e conquistou uma das melhores notas de sua carreira: 15,433. Saiu gritando, pulando, chorando, vibrando... Enfim, sabia que poderia ter feito história no Rio de Janeiro. 

Depois, era só esperar. Havia seis ginastas para se apresentar. Quando o americano Samuel Mikulak subiu ao tablado, sendo o último que poderia tirar um dos brasileiros do pódio, a Arena ficou muda. No fim, a nota. Era menor que a de Diego. Era menor que a de Nory.

- Estou muito emocionado, passa um filme na minha cabeça de toda a história da ginástica no Brasil, das coisas que tive de abrir mão para chegar até aqui. Tem de focar e sempre acreditar no sonho. Eu alcancei o meu - disse Nory.

No Rio de Janeiro, DIego Hypolito e Arhtur Nory escreveram seus nomes na história da ginástica artística brasileira. Após dois ciclos com muitas lágrimas, dessa vez, o choro foi por apenas um motivo: alegria.