Delegação do Brasil acompanha o hasteamento de bandeira na Vila dos Atletas

Alexandre Loureiro/Exemplus/COB

RADAR / LANCE!
03/08/2016
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

A contagem regressiva pelo início da Rio-2016 tem um sabor especial para a delegação brasileira. Além de mostrar o rendimento de um longo período de trabalho, os atletas competirão diante de seus familiares, e alguns deles com o favoritismo acentuado por disputar a Olimpíada no seu país de nascimento.

Professor de Psicologia do Esporte do Mackenzie, Fabiano Fonseca da Silva aponta a maneira como a pressão pode afetar o desempenho de atletas "caseiros":

- A questão é parecida com a que a gente viu na Seleção Brasileira na Copa de 2014. Porém, desta vez há atletas de esportes que não têm tanto reconhecimento e veem na Olimpíada a chance de projeção mundial, sem contar com a família por perto ser um fator que pode gerar pressão.  Sem dúvida, o estresse pode afetar a atividade física e emocional, atrapalhar a concentração, ter um desalinhamento na alimentação - disse, ao LANCE!. 

Psicólogo da Academia LANCE!, Eduardo Cillo também vê as competições locais como uma incógnita:

- Dependendo da forma como o atleta encara, pode ser um apoio para ele, ou atribular a rotina de preparação. Há um risco de dispersão de foco, porque o atleta pode deixar de lado a preparação para entrevistas no dia a dia, além de estar diante de pessoas que esperam algo a mais dele.  

Cillo diz que a busca pela manutenção de foco é crucial para fazer com que o atleta não se deixe levar pela ansiedade em uma Olimpíada na qual entra como representante do país-sede:

- Há estratégias de concentração, como ressaltar que, mesmo em seu país, o atleta não pode esquecer que disputa uma competição do porte de uma Olimpíada. A busca por um treino no dia a dia, e por minimizar os efeitos de redes sociais pode contribuir muito também.


Fabiano Fonseca da Silva detalha algumas formas que podem contribuir para a concentração dos atletas:
- Para reduzir o estresse e a ansiedade,  a busca é por controlar a respiração e usar recursos como o "neurofeedback", no qual o psicólogo ajuda o atleta a encontrar um ponto físico que contribua para sua concentração. 

Os dois especialistas exaltam a presença de psicólogos para dar suporte aos atletas brasileiros:

- A Sarah Menezes, quando conquistou sua medalha na Olimpíada, agradeceu à sua psicóloga, prova do quanto é essencial a manutenção de foco. Desta vez, o COB estendeu o serviço a boa parte de seus atletas, e pode ajudar muito o Brasil nos Jogos Olímpicos - disse o professor da Mackenzie.

Eduardo Cillo frisa em que os psicólogos disponibilizados pela entidade podem suprir:

- A ajuda no dia a dia evita que os atletas fiquem vulneráveis, seja a pressão externa ou a fatores que venham a acontecer no dia a dia, na imprensa ou nas redes sociais. Inclusive, o trabalho dos psicólogos ao lado da assessoria de imprensa ajudará muito.