Aydin Kabir é voluntário na Rio-2016 (Foto: Igor Siqueira)

Aydin Kabir é voluntário na Rio-2016 (Foto: Igor Siqueira)

Igor Siqueira
10/08/2016
07:25
Rio de Janeiro (RJ)

Com uma cicatriz bem visível no joelho esquerdo por causa de uma cirurgia nos ligamentos, a vida de jogador de basquete ficou no passado. Para estar em uma edição de Jogos Olímpicos, o iraniano Aydin Kabir precisou usar outra habilidade: tradução.

Aos 37 anos, ele está no Rio de Janeiro como voluntário. Foi escalado para atuar no Sambódromo nesta terça-feira. Ele foi a voz de uma das maiores atletas de seu país. Foi a voz que expressou a emoção da iraniana Zahra Nemati, do tiro com arco, atleta que veio aos Jogos Olímpicos e voltará em setembro para os Jogos Paralímpicos, quando tentará ganhar pela segunda vez a medalha de ouro.

- É uma grande honra ser um dos meios que ela pode usar para se expressar para o mundo. Ela é uma grande mulher, um modelo na minha visão. É uma entusiasmo para as pessoas com deficiência em todo o mundo. Essa maneira é a melhor ferramente de mostrar aos deficientes que nada é impossível, dá para fazer grandes coisas - afirmou Aydin, que se aposentou do basquete há quatro anos, em conversa com o LANCE!.

Nemati foi eliminada logo no primeiro combate da disputa individual da Rio-2016. A russa Inna Stepanova foi superior. Mas, pelos aplausos dos torcedores no Sambódromo e pela procura dos jornalistas, parecia que a vencedora tinha sido a iraniana. Aydin não só teve que traduzir como também administrou o momento de "crise", já que Zahra não conseguiu segurar as lágrimas e interrompeu momentaneamente o trajeto pela zona mista.

O ex-jogador, que chegou a defender a Seleção do Irã em competições continentais e na Universíade de 2005, fala com orgulho sobre a compatriota.

- Ela é a primeira atleta mulher a carregar a bandeira. Estou muito feliz por isso, pelas mulheres iranianas. Elas não podiam participar dos eventos esportivos há alguns anos. Elas faziam o esporte com o coração, mas não tinham lugar para mostrar a habilidade, a grandeza. Acho que Zahra vai ficar na história para sempre - afirmou Kabir, ressaltando o papel social que o tiro com arco tem no Irã:

- Ela é muito popular, uma inspiração para muitas pessoas. O esporte que ela compete não é popular, porque há alguns distritos em que os esportes femininos são são interessantes para patrocinadores. Então, você não consegue dinheiro, não vê muito na mídia. Esse é o problema com tiro com arco.

Aydin Kabir, assim como Nemati, que precisou mudar de vida após o acidente que lhe tirou o movimento das pernas e a fez abandonar o taekwondo, também está buscando um novo caminho.

- Eu era atleta profissional de basquete. Eu vi o lado dos jogadores no esporte. Por causa dos meus estudos, que é economia do esporte, queria ter uma experiência em outro lado, que é organização, eventos, essas coisas. Queria ver como era a operação e quão grande é a Olimpíada. Por isso me tornei voluntário - explica ele, que une o útil ao agradável nos Jogos Rio-2016.