Igor Siqueira
08/08/2016
07:45
Rio de Janeiro (RJ)

Superação não é novidade na vida da iraniana Zahra Nemati. Afinal, ela, que é cadeirante, defende seu país no tiro com arco tanto nos Jogos Olímpicos quanto nos Paralímpicos. Só que ela não contava com um certo obstáculo na Rio-2016: acessibilidade. Em entrevista ao LANCE! neste domingo, em um intervalo no treino para a competição individual que ocorre nesta segunda, no Sambódromo, ela falou rapidamente sobre o assunto.

Econômica nas palavras, com uma postura recatada digna de uma mulher com origem muçulmana, Zahra tentou ser simática até na hora de citar problemas.

- A Vila Olímpica é um problema para mim. O transfer também, na vila... Tem muitas escadas. Problemas no ônibus... Para os Jogos paralímpicos eu acho que vai ser melhor - citou a arqueira.

Depois de ficar com a 49ª posição na classificatória, Nemati vai enfrentar a russa Inna Stepanova, que já faturou a prata por equipes. A iraniana, medalhista de ouro na Paralimpíada de Londres, em 2012, prefere não cultivar muitas expectativas. Mas está desfrutando o momento.

- Estou muito feliz. Por estar classificada no individual da Rio-2016. Eu quero somente mudar o pensamento que existe em relação às pessoas com deficiência. O que eu posso é tentar. Na paralimpíada eu vou buscar a medalha, espero conseguir - completou.

A iraniana Zahra Nemati tem 31 anos e aos 19, quando era lutadora de taekwondo, sofreu um acidente que lhe deixou paraplégica. Depois de superar a depressão pós-acidente, ela encontrou uma nova vida no esporte através do tiro com arco. E o ápice foi justamente o ouro em Londres.

Mas ela não parou por aí e também se classificou para a competição olímpica da Rio-2016, sendo a porta-bandeira do Irã na cerimônia de abertura. O feito faz com que ela seja reconhecida por quem a encontra no Sambódromo. Cumprimentos e pedidos de fotos são corriqueiros. Sempre com abordagens educadas e preocupação em não ferir princípios religiosos dela.

- Eu fico muito feliz por isso - disse Nemati, sobre as congratulações frequentes que recebe na área de competição.

Uma das que se impressiona é a brasileira Sarah Niktin.

- É muito legal que ela tenha chegado nesse nível para competir tanto na Olimpíada quanto na Paralimpíada. É um incentivo para todos, nós e as paratletas. As pessoas imaginam o paratleta com uma performance inferior, mas quando veem ela pensam: "Nossa, ela conseguiu também" - comentou Sarah.

Neste domingo, a iraniana inclusive dividiu o mesmo espaço de aquecimento com o recordista mundial e olímpico - marca alcançada na sexta-feira -, o sul-coreano Kim Woojin. E até ele ficou olhando um pouco os movimentos dela.

O aquecimento para entrar em ação é bem específico. Movimentos de tronco e braços, inclusive com o auxílio de um tecido elástico que simula o fio do arco. Um suporte para apoiar o arco no chão faz parte do equipamento dela. Uma pequena ajuda do voluntário, e "partiu fazer história".