Walter

Em 2015, Walter fez 11 gols e deu quatro assistências em 38 jogos. (Gustavo Oliveira/Atlético-PR)

Guilherme Moreira
11/04/2016
18:28
Curitiba (PR)

Após uma boa temporada em 2015, quando chegou desacreditado do Fluminense ao CT do Caju, Walter está vivendo um 2016 bem diferente. Em jejum de gols no Atlético-PR, o atacante não convence dentro de campo e ainda sofre com a perseguição da torcida fora dos gramados.

Contratado em abril do ano passado, o centroavante não demorou para cair nas graças da torcida. Habilidade, assistências, gols e carisma marcaram a passagem do jogador rubro-negro no Furacão.

O ambiente era tão bom que o departamento de marketing atleticano, desacostumado a aproveitar oportunidades em potencial, lançou a camisa oficial com o número 18 e o nome do atleta na camisa para venda. Filas se acumularam e é normal ver o vestimento em jogos na Arena da Baixada.

O casamento feliz, entretanto, não acontece nesta temporada. Walter, que tinha contrato até o fim da Série A de 2015, chegou a falar como jogador do Sport e foi recepcionado por torcedores no Aeroporto de Recife no início do ano. O atacante, em várias declarações, deixou claro que gostaria de atuar no time de coração.

A negociação não deu certo. O estafe do atleta e seus familiares ficaram preocupados com a possibilidade do centroavante perder o foco do ano anterior e deixar o futebol de lado, desviando o foco da carreira. 

O Atlético-PR aproveitou e conseguiu mantê-lo em Curitiba. O clube paranaense fez um contrato de dois anos, conseguindo um percentual para eventual venda. Dentro do acordo, a direção rubro-negra estabeleceu metas para o atleta.

Acima do peso, Walter passou por uma pré-temporada diferenciada dos demais e ganhou uma preparação especial, com toda a estrutura do CT à sua disposição. O atacante, até o momento, já perdeu 15 kg e ganha bonificações por gols. O problema é que está zerado até aqui. O agente alega que ele ainda está se acostumando com o novo estilo.

A paciência da torcida atleticana terminou na derrota para o Coritiba pelo Campeonato Paranaense, em plena Arena, por 2 a 0. O centroavante foi vaiado após a partida e, em um protesto no Aeroporto Afonso Pena dois depois, também acabou alvo de xingamentos e protestos.

No último domingo, no triunfo por 2 a 0 contra o Londrina, que garantiu a classificação à semifinal do Estadual, o camisa 18 era dúvida por uma lesão na coxa e ficou no banco de reservas. Depois do técnico Paulo Autuori optar por Deivid na terceira e última substituição, Walter foi direto para o vestiário aos 30 minutos do segundo tempo.

A atitude, reprovada pelo comandante rubro-negro, não agradou aos torcedores também. A principal organizada do Furacão, Torcida Os Fanáticos (TOF), fez um vídeo ameaçando o jogador por fazer um gesto contra a insituição durante o aquecimento. "Ou joga por amor ou joga por terror", falaram os integrantes.

Nesta segunda-feira, em nota oficial, a organizada novamente tocou no assunto e expôs um agravante fora do contexto atual: a rivalidade com a Torcida Jovem do Sport (TJS). O atacante foi recepcionado por integrantes em Recife e usou o boné da TJS no local.

- Ao que parece, existem jogadores do nosso elenco que estão se sentindo incomodados com essa proximidade (arquibancada do campo) - talvez por nunca terem visto tal paixão a flor da pele em outros times por onde jogou ou por estar com saudades das "viúvas de amarelos - diz o texto, já apagado no Facebook, em alusão à rival.

A TOF e a TJS são inimigas há anos e já protagonizaram cenas de violência em algumas ocasiões. A de maior repercussão foi no dia 1 de julho de 2012, em um jogo entre Coritiba e Sport, pelo Campeonato Brasileiro. Aliada na época da Torcida Fúria Independente (TFI), do Paraná Clube, os torcedores do Rubro-Negro pernambucano estavam em um churrasco na sede da organizada paranista antes da partida.

Durante a confraternização, aproximadamente 12 tiros foram disparados e o torcedor Diego Henrique Raab Gonciero, 16 anos, foi alvo de um deles na cabeça, falecendo a caminho do hospital. Três integrantes dos Fanáticos, entre eles um ex-presidente, vão à júri popular pelo assassinato do torcedor do Tricolor paranaense.

Assim, a perseguição da TOF não é apenas pelo mau desempenho nas partidas. A torcida em geral já demonstrou, sim, o descontentamento com a performance de Walter no ano: nenhum gol e nenhuma assistência. Mas não concorda com a perseguição que ultrapassa o limite entre Atlético-PR e atleta.

Desculpas

No início desta noite, após conversas, Walter e a torcida Os Fanáticos se desculparam pelos fatos ocorridos publicamente. As partes afirmam que conversaram e resolveram os desentendimentos.