Após vice, Minas se despede de Júlia Kudiess e Pri Daroit
Duas referências encerram ciclo após derrota na final da Superliga

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O encerramento da temporada 2025/2026 para o Gerdau Minas trouxe consigo um peso maior do que a derrota por sets diretos para o Praia Clube neste domingo (3). A derrota marcou o capítulo final de duas trajetórias que se confundem com a própria história vitoriosa do clube: a partida da jovem central Júlia Kudiess e da experiente ponteira Priscila Daroit. Enquanto a equipe inicia um processo de reformulação profunda, os números e o legado deixados por ambas as atletas evidenciam o tamanho do desafio que a comissão técnica terá para repor peças tão fundamentais.
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O "até logo" de Júlia Kudiess
Revelada pelo Gerdau Minas Tênis Clube, Júlia Kudiess chegou ao clube ainda nas categorias de base, aos 14 anos, e se consolidou como uma das principais promessas do voleibol nacional. Com 1,92m, a central se destacou ao longo dos anos pela força ofensiva e pela eficiência no bloqueio.
Durante sua trajetória, acumulou títulos expressivos: três edições da Superliga Feminina de Vôlei (2020/21, 2021/22 e 2023/24), duas Copas Brasil (2021 e 2023), dois Sul-Americanos de Clubes (2022 e 2024) e uma Supercopa (2023).
Além das conquistas coletivas, também brilhou individualmente. Foi eleita MVP do Sul-Americano de Clubes e, mesmo fora das quadras, mostrou força ao superar um dos momentos mais difíceis da carreira: a lesão no ligamento cruzado anterior, sofrida em maio de 2024, que a tirou dos Jogos Olímpicos de Paris. Após nove meses de recuperação, retornou em janeiro de 2025 em alto nível.
Mesmo com o período afastada, manteve números consistentes, com aproveitamento ofensivo superior a 45%, consolidando-se como uma das principais opções do Minas nas bolas rápidas de primeiro tempo. No bloqueio, sua leitura de jogo seguiu como diferencial, característica que reforçou o apelido de "paredão" dentro de quadra.
Na atual edição da Superliga, Kudiess foi eleita a melhor central da competição e liderou as estatísticas de bloqueio, com 113 pontos no fundamento. Ao todo, ultrapassou a marca de 200 jogos com a camisa minastenista, tornando-se um dos símbolos recentes de identificação com o clube.
Agora, a central encerra seu ciclo em Belo Horizonte e se prepara para um novo desafio internacional, ainda não anunciado.

11 anos de história de Pri Daroit
A trajetória de Priscila Daroit com o Gerdau Minas Tênis Clube é marcada por longevidade e conquistas. A ponteira chegou ao clube em 2006 e, ao longo de diferentes passagens, construiu uma relação de 11 anos com a camisa minastenista.
O período mais recente, iniciado em 2020, foi também o mais vitorioso. Em seis temporadas consecutivas, Pri se firmou como uma das principais lideranças do elenco, sendo peça-chave dentro e fora de quadra.
Ao todo, conquistou 13 títulos pelo clube, além de acumular importantes premiações individuais. Foi eleita duas vezes melhor ponteira do Sul-Americano de Clubes, melhor sacadora da competição e recebeu o prêmio de melhor recepção no Mundial de Clubes 2021/22. Na Superliga Feminina de Vôlei 2020/21, também foi eleita a melhor ponteira.
Aos 37 anos, Daroit foi decisiva na última temporada. A ponteira terminou a Superliga entre os destaques no saque, com 35,5% de eficiência, além de contribuir com experiência e equilíbrio em momentos importantes do time.
— Entre esses 11 anos no Minas, vivi várias fases da minha vida. Cheguei muito nova, com 18 anos, e hoje saio com 37 para 38. Fico muito feliz com a minha evolução como atleta e como pessoa. Saio mais madura e realizada com tudo o que construí. Entrei uma adolescente e estou saindo uma mulher realizada
afirmou Pri Daroit ao Lance!.

Fim de ciclo e início de reformulação
Com o encerramento da temporada, o Gerdau Minas Tênis Clube inicia um processo de reformulação no elenco. As saídas de Júlia Kudiess e Priscila Daroit marcam o fim de um ciclo relevante, caracterizado por conquistas e pela consolidação do clube entre as principais forças do voleibol nacional.
A partir de agora, a diretoria terá como desafio avaliar os pontos que impediram a conquista do título da Superliga Feminina de Vôlei 2025/26 e buscar reposições à altura no mercado. A reconstrução passa pela identificação de peças estratégicas capazes de suprir as lacunas deixadas por duas atletas que foram fundamentais dentro e fora de quadra.
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