Vasco negocia venda da SAF em cenário distinto do acordo com a 777
Clube mais estruturado busca novo investidor com cautela após experiência anterior

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O Vasco vive um momento decisivo em sua história recente: a negociação pela venda de 90% da sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) está em estágio avançado com o grupo comandado por Marcos Lamacchia — e o cenário é bastante distinto daquele observado em 2022, quando o clube chegou a um acordo para transferir 70% da SAF para a 777 Partners.
O Vasco em 2022: crise financeira e dependência de um investidor
Após o rebaixamento em 2020 e a frustrada campanha de acesso em 2021, o Vasco disputava novamente a Série B em um momento crítico de sua história. Foi nesse contexto adverso que, depois da sanção da Lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em agosto de 2021, o clube iniciou a busca por um investidor.
As negociações com a 777 Partners começaram já no final de 2021, com a empresa oferecendo um empréstimo‑ponte de cerca de R$ 70 milhões no início de 2022 — um adiantamento antes da formalização da venda. Esse aporte não foi um investimento direto em participação acionária, mas um empréstimo com juros necessário para pagar salários, dívidas e manter as operações futebolísticas em funcionamento.
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O problema é que essa estrutura de financiamento se tornou um dos pontos mais controversos de toda a transação: aumentou a dependência do clube em relação ao investidor e foi aprovado em um cenário de fragilidade financeira e pouca capacidade de negociação por parte do Vasco.
Na metade da temporada, os sócios estatutários do clube aprovaram o acordo com 79,44% dos votos, e a 777 Partners adquiriu 70% da SAF, comprometendo‑se com um aporte total de R$ 700 milhões ao longo dos anos seguintes, além de assumir grande parte das dívidas do clube. A temporada terminou com o tão aguardado acesso à Série A, impulsionando expectativas de estabilidade esportiva e financeira.
Em março de 2023, antes de um clássico contra o Flamengo, o cofundador da 777, Josh Wander, chegou a declarar que "aquela seria a última vez que o Vasco enfrentaria o Flamengo em condições desiguais", sugerindo que a gestão do novo investidor elevaria a competitividade do Cruz‑Maltino.

Resultados ruins dentro e fora de campo
No entanto, o desempenho posterior não correspondeu às promessas: em 2023, após um dos piores primeiros turnos da história do clube, o Vasco chegou à última rodada da Série A lutando contra o rebaixamento — só escapando aos 38 minutos do segundo tempo, com um gol heroico de Serginho contra o RB Bragantino.
A temporada seguinte manteve o padrão de fragilidade: o elenco continuou limitado, e adversários do Vasco começaram a recorrer à FIFA por falta de pagamentos de jogadores adquiridos pelo clube, como Léo Jardim (ex‑Lille, França) e Puma Rodriguez (ex‑Nacional, Uruguai) — casos que expuseram a incapacidade da SAF de honrar compromissos financeiros básicos.
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777 Partners é afastada do Vasco
Em meados de 2024, o presidente associativo, Pedrinho, — que assumiu a presidência do Vasco no fim de 2023 — tomou a decisão de mover uma ação judicial para afastar a 777 Partners do controle da SAF. O clube alegou que o investidor não estava cumprindo os termos contratuais, não tinha capacidade de aportar os recursos prometidos e colocava o clube em risco financeiro e esportivo.
Em maio de 2024, a Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido do Vasco e determinou o afastamento da 777 da gestão do futebol.

Cautela na procura por um novo investidor
Desde a saída da 777, Pedrinho não escondeu sua intenção de vender a SAF. Em entrevista coletiva no final de 2024, o presidente afirmou que, enquanto estiver à frente do clube, o objetivo será encontrar um novo investidor. Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de manter as finanças em ordem:
- Enquanto eu for presidente do Vasco, minha intenção é vender a SAF. Vender é um processo à parte. Não posso simplesmente esperar que um investidor apareça, pois temos contas a pagar e é preciso manter o clube funcionando. Tenho dívidas e compromissos a honrar, e, por isso, é essencial avançar com uma reestruturação financeira.
Naquela ocasião, o presidente também revelou que já existiam acordos de confidencialidade (NDAs) assinados com potenciais investidores, embora ainda em estágio inicial — e sem divulgação pública de nomes.
Os critérios para a escolha de um novo investidor, segundo Pedrinho, seriam rígidos:
- Credibilidade reconhecida
- Saúde financeira comprovada
- Planejamento esportivo e financeiro com metas claras
- Garantias contratuais reais (não meramente promessas)
Pedrinho chegou a fazer uma analogia marcante sobre a gestão anterior da 777:
- É como se alguém comprasse meu carro e dissesse que vai pagar no fim do mês, mas ao final não tem dinheiro e ainda devolve o carro batido, sem pneus, sem IPVA e sem gasolina. Isso não é garantia - disse o presidente.
Vasco buscou se establizar em 2025
Enquanto a venda não se concretizava, o Vasco precisou "andar com as próprias pernas" em 2025 — e, em muitos aspectos, isso foi um marco importante:
- O clube firmou o maior patrocínio máster da sua história com a Betfair, com contrato que durou até o final de 2025 e representou um significativo impulso nas receitas.
- Foi anunciado um acordo estratégico com a Nike a partir de 2026, com um contrato de sete anos considerado um salto em receita e visibilidade.
- O Vasco também conseguiu a aprovação da Recuperação Judicial, uma ferramenta essencial para atacar suas dívidas com mais segurança, previsibilidade e reestruturação sustentável.
No campo, a equipe apresentou altos e baixos no Campeonato Brasileiro, mas o ponto alto da temporada foi a final da Copa do Brasil, na qual o Vasco foi vice‑campeão ao ser superado pelo Corinthians.

Negociação com Marcos Lamacchia em estágio avançado
Em janeiro de 2026, Pedrinho afirmou em entrevista à ESPN que, dentre os NDAs assinados, um dos investidores estava muito à frente dos demais. O presidente não revelou nomes, mas no caso se tratava do grupo comandado pelo empresário Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia — um dos controladores da Crefisa e marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras — e fruto do antigo casamento dele com Junia Faria, herdeira do banqueiro Aloysio de Andrade Faria.
Hoje, ao contrário de 2022, o Vasco entra nessa negociação em um ambiente muito mais estruturado, com maior estabilidade financeira e previsibilidade, experiência sobre os erros do passado, critérios mais rígidos para a escolha do comprador e sem a fragilidade que marcou o acordo com a 777 Partners. Esse novo processo sinaliza a busca por um parceiro que respeite o tamanho e a história do clube, alinhando ambições esportivas responsáveis com sustentabilidade financeira de longo prazo.
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