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Do vídeo de uma câmera à descoberta pelo neto de Garrincha: a trajetória de JP no Vasco

O meia saiu de Goiânia em 2019 para seguir o sonho de se tornar jogador de futebol

Pedro Cobalea
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 10/04/2026
06:00
JP - Vasco
imagem cameraJP antes da partida entre Vasco e Barracas Central (Foto: Matheus Lima/Vasco)

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O empate do Vasco contra o Barracas Central, na estreia da Sul-Americana, teve um personagem que saiu fortalecido: o jovem meia JP. Revelado nas categorias de base do clube, ele foi um dos destaques da partida e começa a transformar em realidade uma trajetória construída com planejamento familiar, persistência e um detalhe que fez toda a diferença — uma câmera.

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Caminho de JP até o Vasco

Natural de Goiânia, JP começou no futebol pelas categorias de base do Goiás. Desde cedo, demonstrava qualidade técnica, mas enfrentava a dificuldade de visibilidade comum a jovens fora dos grandes centros.

Foi então que seu pai, Murilo Morais, decidiu agir. Incomodado com a baixa qualidade dos vídeos gravados, ele investiu em uma câmera para registrar melhor os jogos do filho. O objetivo era simples: mostrar o talento de JP para além das fronteiras de Goiás.

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A estratégia funcionou. Com imagens mais nítidas e bem produzidas, Murilo passou a divulgar os lances nas redes sociais e a buscar oportunidades em clubes do eixo Rio-São Paulo. JP chegou a ter períodos de observação em equipes como São Paulo e Corinthians, ampliando seu horizonte no futebol.

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Ajuda de neto do Garrincha

Foi justamente através desses vídeos que surgiu a grande oportunidade. O material chamou a atenção de Luiz Bastos, scout e neto de Garrincha. Impressionado com o que viu, ele convidou o jovem para um período de testes no Vasco. Com o aval Carlos Brazil, gerenta da Base do Cruz-Maltino na época, JP chegou ao clube carioca em 2019 para integrar o sub-15 — um passo decisivo na sua formação.

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A mudança para o Rio de Janeiro trouxe desafios. Com apenas 13 anos, JP deixou para trás a mãe e a irmã em Goiânia. Para acompanhá-lo, Murilo tomou uma decisão radical: mudou-se com o filho. Os dois passaram a morar na Barreira do Vasco, próximo a São Januário, buscando reduzir custos e facilitar a rotina. Enquanto isso, a mãe permaneceu em Goiás, cuidando da empresa da família. Os primeiros anos foram de adaptação e dificuldades, mas também de amadurecimento dentro e fora de campo.

JP ao lado do pai assistindo ao jogo do Vasco, em São Januário (Foto: Reprodução)
JP ao lado do pai assistindo ao jogo do Vasco, em São Januário (Foto: Reprodução)

Evolução e reconhecimento

Após um período inicial de adaptação, a trajetória de JP nas categorias de base começou a ganhar consistência a partir de 2021, quando foi promovido ao sub-17 do Vasco. Naquele momento, porém, o meia ainda teve poucas oportunidades em campo, em um processo natural de transição e amadurecimento.

Foi em 2022 que o cenário mudou. Já mais adaptado e confiante, JP passou a ser peça importante na equipe sub-17, acumulando números expressivos: foram 40 partidas disputadas e seis gols marcados. O desempenho chamou atenção internamente e abriu portas para um novo passo na carreira, com sua estreia pelo sub-20 ainda naquele ano.

Em 2023, o meia confirmou a evolução. Atuando na categoria de transição entre a base e o profissional, manteve o bom nível de desempenho, com 29 partidas e cinco gols. A regularidade e o crescimento técnico renderam reconhecimento maior: JP foi chamado pelo técnico Ramon Menezes para um período de treinos com a Seleção Brasileira.

JP durante treinos da Seleção sub-20 (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
JP durante treinos da Seleção sub-20 (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Empréstimo para ganhar rodagem

Após estrear no profissional do cruz-maltino em 2024, JP viveu uma etapa importante para consolidar esse desenvolvimento: o empréstimo ao Avaí. Na disputa da Série B, ganhou sequência no futebol profissional, entrou em campo 30 vezes e participou diretamente de seis gols, somando cinco bolas na rede e uma assistência.

JP -Avaí
JP comemora gol marcado pelo Avaí (Foto: Reprodução)

Nova oportunidade no Vasco

De volta ao Vasco, JP encontrou um cenário favorável. Atuando como segundo volante, se destaca pela visão de jogo e pela capacidade de organizar a saída de bola.

Se antes havia críticas à sua intensidade defensiva, a atuação contra o Barracas Central mostrou evolução significativa: nove recuperações de posse, três desarmes e bom desempenho nos duelos.

Com poucas opções na posição — tendo Tchê Tchê como principal concorrente —, o jovem pode ganhar espaço com o técnico Renato Gaúcho na sequência da temporada.

Após a partida contra o Barracas Central, atuando em sua primeira partida internacional na carreira, o meia de 20 anos se mostrou preparado para os desafios com o Vasco em 2026.

- Feliz em voltar a atuar, já tinha um tempo sem jogar. Acredito que a gente se prepara muito para quando tiver a oportunidade aproveitar. Independente se for 5 ou 10 minutos, como o Renato fala. Pode contar comigo que vou estar à disposição para ajudar o Vasco.

JP durante a partida contra o Barracas Central (Foto: Matheus Lima/ Vasco)
JP durante a partida contra o Barracas Central (Foto: Matheus Lima/ Vasco)

Do investimento em uma simples câmera ao olhar atento do neto de Garrincha, o meia construiu seu caminho com base em oportunidade e preparação. Agora, no Vasco, ele começa a escrever os capítulos importantes da sua história e se consolidar no futebol profissional.

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