Jornalistas debatem sobreposição de calendário do futebol nacional, que rendeu preocupação de Infantino
De constatação óbvia sobre realidade entre clubes e CBF à necessidade de cumprir acordos comerciais, especialistas apontam problemas para declaração ter pouca ação prática

A declaração do presidente da Fifa, Gianni Infantino, em relação à sobreposição de datas que vem assolando o calendário do futebol brasileiro chamou atenção entre os jornalistas. O fato do mandatário da entidade máxima do futebol mundial dizer, em entrevista ao "GE", que "todos os responsáveis têm a obrigação de encontrar saídas para esse tipo de situação" fez com que os especialistas voltassem a expor as razões da CBF não encontrar uma saída para melhorar a sequência de datas do futebol nacional.
Colunista da "Folha de São Paulo" e do UOL, Juca Kfouri traz seu ponto de vista sobre o que disse Infantino.
- Disse o óbvio. Faz meio século que é assim e assim seguirá enquanto os clubes forem cúmplices e o poder defender das federações - afirmou, ao LANCE!.
Comentarista da Rádio Globo e da Fox Sports, Rafael Marques aponta um problema estrutural.
- O presidente da FIFA não deixa de ter razão na premissa. É possível detectar inclusive o cuidado que ele tem para tratar do assunto, sem ser invasivo. Todo mundo acha que há muitos jogos no calendário brasileiro. O problema é que a máquina econômica do futebol praticamente exige isso. Os clubes precisam colocar seus times em campo para justificar os contratos comerciais e de direitos de transmissão - disse.
Em seguida, o comentarista detalhou quem tem sofrido os maiores impactos do calendário.
- Quem reclama são técnicos e jogadores, que não participam das decisões. O desconforto dele não é diferente do que se manifesta no ecossistema do futebol brasileiro - declarou.
Comentarista do UOL, Eduardo Tironi crê que a frase não chega a ter grande efeito.
- Acho que ele não se envolveu muito. A Fifa mesma deveria ter menos datas Fifa e ele diz que talvez isso possa mudar. Mas, como sempre, foi um discurso com pouca ação prática - disse.

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