Fifa confirma que árbitro da Somália barrado nos EUA está fora da Copa do Mundo
Entidade diz que não interfere na questão de vistos e ratifica ausência do juiz africano

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Mais um episódio envolvendo dificuldade de entrada de pessoas, especialmente as vindas de países majoritariamente muçulmanos, nos Estados Unidos veio à tona nesta segunda-feira. O árbitro Omar Abdulkadir Artan, da Somália, foi barrado pela imigração ao tentar entrar no país e está fora da Copa do Mundo. Ele teve de retornar à Turquia, de onde partiu o seu voo para o território americano. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Romain Molina, do britânico The Guardian.
A Fifa confirmou na noite desta segunda-feira que o árbitro está cortado da competição. A entidade enviou o seguinte comunicado:
"A Fifa pode confirmar que o árbitro Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar e atuar na Copa do Mundo da Fifa 2026 após ter sua entrada negada nos Estados Unidos.
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A Fifa não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada no momento.
Assim como em eventos anteriores da Fifa, o governo anfitrião determina, em última análise, quem recebe o visto e quem tem a entrada permitida em seu país".
Abdulkadir é considerado um dos principais nomes da arbitragem africana e seria o primeiro representante da Somália a atuar em uma Copa do Mundo. Ele já havia passado por diversas dificuldades na obtenção do visto e, com apoio da embaixada do país, conseguiu um passaporte diplomático. Mas a imigração americana não aceitou o documento e negou a entrada do árbitro, que, em 2025, foi eleito o melhor do seu continente.
Irã e Iraque enfrentam problemas com vistos
Não se trata de um caso isolado. A delegação do Irã, por exemplo, país que está em guerra com os Estados Unidos após os ataques sofridos a partir de fevereiro, tem enfrentado sérias restrições para disputar a competição. Entre elas, a proibição de passar a noite em território americano, mesmo com todas as partidas da equipe na fase de grupos marcadas para cidades americanas. Os iranianos terão, após todos os jogos, de retornar a Tijuana, no México, para onde foram obrigados a levar a sua base de treinamentos, já que a permanência em Tucson, no Arizona, se tornou inviável. O presidente da Federação Iraniana de Futebol também foi barrado sob alegação de ligações com a Guarda Revolucionária.

Já a delegação iraquiana teve seu fotógrafo barrado de entrar nos Estados Unidos após horas de interrogatório. O principal jogador da seleção, o atacante Aymen Hussein, autor do gol que classificou o Iraque para a Copa do Mundo, também foi interrogado por sete horas antes de ter a sua entrada permitida em solo americano.
Os problemas não se limitam somente às delegações. Torcedores e profissionais de imprensa também estão enfrentando extrema dificuldade para acompanhar presencialmente ou fazer a cobertura da Copa do Mundo. A Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS, na sigla em francês) cobrou providências da Fifa, que até o momento não se pronunciou.
No último dia 5, o presidente da entidade, Gianni Merlo, enviou uma carta ao diretor de relações de mídia da Fifa, Bryan Swanson, e ao chefe de operações e serviços de mídia da entidade, Jochen Steinhoff. No documento, ele afirma:
— Estamos diante de um problema antigo e inaceitável para nós, jornalistas: a recusa de vistos de entrada a colegas regularmente credenciados. Há muitos casos: colegas iranianos, colegas africanos, alguns dos quais receberam vistos de entrada única. Se a equipe deles jogar no Canadá ou no México e eles acompanharem a viagem, não poderão retornar aos Estados Unidos. Os casos são inúmeros e, repito, inaceitáveis.
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